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SUB-VERSÃO

CAMINHO

Caminho, cansada, o caminho dos contrários,

E há sim flores nascendo da frieza do asfalto.

Meus pés descalços queimam no calor do asco,

Contudo, meus olhos permanecem mirando a utopia no horizonte longíquo.

 

Caminho, enquanto caminho, os cães ladram

Há verdadeiras matilhas deles,

Com seu rosnar que me ridiculariza e ofende.

 

Caminho e não retribuo a ofensa,

Nem aos cães, nem à raiva,

Que vocifera, reinando nas ruas,

Que outrora pertenciam ao povo.

 

Caminho e meus pés doem,

Meus braços doem, minha cabeça lateja.

O que afinal nos fez tão violentamente diferentes?

Quem nos ensinou o ódio?

Quando foi que abandonamos nossa humanidade?

 

Caminho enquanto teço perguntas,

Cosendo hipóteses, sob o viés do tempo,

Que segue veloz,

Nos engolindo a todos.

 

O coturno esmaga a recém-nascida flor da esperança,

O coturno fere a mão dum menino,

O coturno atinge a face duma mulher...

 

O coturno vem na direção contrária,

Da História e dos homens.

Mas há um séquito de súditos,

Cegos, homens e mulheres que o seguem,

No compasso tresloucado de sua pisada cruel.

Há sangue em seu caminho,

O mito mais mentiroso de todos,

Abrira a caixa de Pandora.

 

Caminho, mas é como se não caminhasse,

Porque estou cercada pelo retrocesso.

Reconheço alguns companheiros, poucos, mas fiéis.

E é deles e de seu olhar sereno,

Que me alimento em minha caminhada.

 

O olhar deles, fixo e certeiro,

Feito a arma com que nosso inimigo tenta nos ferir,

É que me diz, com alento, coragem e alguma alegria,

Que a caminhada apenas começou.

 

Sem soltar-nos as mãos,

Caminhamos rumo à esperança,

A despeito de qualquer noite escura,

A despeito de qualquer algoz,

Sempre!

Caminhamos...

Caminhemos!

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