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Administração anuncia retomada das obras de restauro do antigo Teatro Carlos Gomes

Nova licitação para contratar empresa que ficará responsável pelos serviços acontece neste mês

Na tarde de quinta-feira, 3, ocorreu a apresentação do projeto que contempla a restauração do antigo Teatro Carlos Gomes, datado de 2010. A solenidade ocorreu no gabinete do Executivo e contou com a presença do prefeito Jesus Chedi, seu vice, Amauri Sodré, do secretariado municipal, vereadores, além do arquiteto responsável pelo projeto, Afonso Risi, do ex vice-prefeito, Luiz Gonzaga Pires Mathias, mais conhecido como Gonza, demais convidados e imprensa local.

O projeto contempla, segundo o arquiteto, os seguintes componentes: saguões, átrio, teatro de arena  para 100 espectadores, galeria de arte, salões de exposições, salas para oficinas, workshops e cursos, recepção, pátio, guarita, sanitários, camarins, oito salas de aula, administrativo, secretaria, elevadores, o Teatro Carlos Gomes para 284 espectadores com mezaninos, sala de apoio, um espaço administrativo para a Secretaria de Cultura e Turismo, biblioteca adulta com acervo para 22.500 livros e biblioteca infantil mais sala de leitura, salão de atos públicos, elevador panorâmico, entre outros espaços totalmente adaptados para acessibilidade.

Após restauro, prédio deve ficar assim - Foto: DIMP

Segundo Jesus, a Prefeitura possui cerca de R$ 10 milhões para empregar nas obras. Esses recursos são do Dadetur (Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos) de 2018 (R$ 6.891.570,00) – todo o investimento do departamento para o exercício de 2018 – e mais R$ 3,2 milhões de 2019.

Na ocasião, Jesus Chedid falou da alegria em retomar as obras do projeto, que afirmou ser “grandioso”. “Esse Centro Cultural deverá se tornar referência nacional. Uma obra grandiosa, que teve grande esforço da nossa Administração nos ajustes financeiros necessários e nas tratativas com o governo do estado”, disse, ressaltando que o objetivo é trazer turistas de todo o país e até do exterior ao local, fortalecendo assim o turismo, o comércio e novas oportunidades de trabalho para a cidade.

Todas as obras previstas são novas, sendo somente a arquitetura das fachadas preservada, haja vista que é tombada como patrimônio histórico pelo Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico. O arquiteto ressaltou, ainda, que o prédio, à época – meados do século XIX, era inovador, e nesse período, houve outros grandes empreendimentos na cidade. “Uma cidade do porte de Bragança merece uma obra como essa e deve pensar grande, como no início de sua urbanização e as grandes conquistas dos bragantinos no final do século XIX, como a Ferrovia Bragantina, a Usina de Energia, a Companhia Telefônica, a Fábrica de Lâmpadas – pioneira no país – e o Teatro de Ópera Carlos Gomes”, opinou. Ele ainda comentou que ao longo dos anos o prédio passou por grandes intervenções a cada ocupação, como o Colégio São Luiz e o Colégio João Carrozzo. Afonso buscou no projeto de restauro e reforma resgatar as estruturas originais do prédio, com reaproveitamento do espaço e a integração de novas funções, transformando-o em um Centro Cultural.

“O primeiro teatro do interior do estado de São Paulo foi superdimensionado para Bragança Paulista, que possuía cerca de oito mil habitantes na zona urbana da cidade, considerando que o local possuía 1.200 lugares. Por isso, seus anos de funcionamento na cidade foram curtos, entre oito e dez anos, apenas”, relatou Risi. Além disso, informou que hoje o local onde o prédio está localizado é nobre, no alto da cidade, área central, próximo ao Parque Jardim Público, o que também não era evidenciado na época de sua construção, quando fazia fundos com o antigo cemitério da cidade e nas imediações da cadeia pública.

Além dos espaços que comporão o Centro, o arquiteto também projetou uma estrutura em madeira e vidro adicional para a área de lazer situada entre as Ruas Conselheiro Rodrigues Alves e José Guilherme, a qual abrigaria um comércio atrativo que faria a composição com as imediações. Para a realização desse segundo empreendimento, a Administração prevê a obtenção de recursos adicionais, que poderão ser conquistados por meio de parcerias com empresas que queiram investir na cultura e recursos do governo.

O objetivo é tornar a região um ambiente acolhedor e propício para receber as famílias bragantinas e os turistas, tornando-a um ponto de encontro e um convite à população para conhecer o Jardim Público, para onde o Centro Cultural terá vista panorâmica. “Queremos que as pessoas tenham um lugar completo para passar o dia e conhecer a história da cidade”, falou Jesus, pedindo agilidade aos seus secretários.

Os vereadores presentes, Paulo Mário Arruda de Vasconcellos, Sidiney Guedes, Marco Antônio Marcolino, Ditinho Bueno e Basílio Zecchini Filho, elogiaram a ação, ressaltando a importância da obra, tanto para a revitalização de um espaço grandioso que está abandonado, como para resgatar a história do povo bragantino. Eles afirmaram, ainda, que acompanharão os desdobramentos do processo. A próxima fase é a nova licitação, a Concorrência Pública nº 16/2018, a ocorrer no dia 17, às 9h30. O certame visa a contratar empresa especializada para obras de reforma e restauração do prédio – Fase 3, com o objetivo de dar continuidade nas obras iniciadas nas fases 1 e 2 e que foram paralisadas. Segundo explicou o Setor de Convênios, as duas primeiras fases da obra tinham recursos oriundos de convênios assinados em 2009 e 2010 com a Secretaria de Estado de Turismo, por meio do Dadetur.

Em virtude da não entrega das obras, que vêm se arrastando nos últimos anos sem avanços ou conclusão, no final de 2016, o governo cancelou os empenhos dos convênios, deixando-os sem lastro financeiro para continuidade da obra. A Administração informou que, apesar das tentativas em recuperá-los, o estado queria que o município devolvesse R$ 8 milhões com juros e correções monetárias, pleito que foi superado nas tratativas da Prefeitura de Bragança Paulista, por intermédio do trabalho do deputado estadual Edmir Chedid.

Segundo o secretário de Obras, Paulo Armando, a pasta adequou a metodologia executiva e fará um acompanhamento rígido nas obras, adotando o sistema de medição e cronograma de acordo com os critérios utilizados pela Companhia Paulista de Obras e Serviços (CPOS), órgão vinculado ao Dadetur. De acordo com o edital da Concorrência Pública, a obra está orçada em R$ 7.997.300,83, sendo 86,17% de recursos do Dadetur 2018 (R$ 6.891.570,00) e 13,83% de contrapartida da Prefeitura (R$ 1.105.730,83). O prazo estipulado para a entrega dessa fase é de nove meses.

O prefeito afirmou que na última quarta-feira, 2, a Administração fechou com a Flasa Engenharia a negociação dos restos a pagar apurados pelo Tribunal de Contas, oriundos da rescisão contratual feita com a empresa que realizava a obra. “A Prefeitura pagará em torno de R$ 750 mil, sendo 400 mil agora em fevereiro e o saldo em 12 parcelas, evitando que a empresa, eventualmente, no futuro prejudicasse o andamento da obra com ações judiciais nesse sentido”, explicou.

Além de salientarem o trabalho de Jesus, os convidados falaram da importância do deputado estadual Edmir Chedid nesse processo e seu trabalho na recuperação de recursos perdidos. Segundo o prefeito, Edmir está se empenhando para trazer investimentos de grandes empresas para o empreendimento.

Jesus explicou que essa realização se deu a partir da conquista da credibilidade do município. “Bragança se recuperou financeiramente, pagamos todos os nossos compromissos religiosamente em dia, até adiantando pagamentos como o 13º salário dos funcionários. O rating (nota de crédito) da cidade subiu, e a Caixa Econômica Federal aprovou crédito de até R$ 10 milhões para qualquer projeto. Isso tem nome: credibilidade”, observou, pontuando grandes empreendimentos recentes, como a compra de novos veículos e maquinários, estimada em quase R$ 9 milhões, oriundos de financiamento e recursos próprios do município e as obras no Lago do Taboão, nas quais, segundo ele, serão investidos cerca de R$ 10 milhões. “Esta verba também estava perdida. Mais do que recursos, é preciso ter coragem para realizar esses projetos”, complementou.

Um dos convidados presentes, o ex-prefeito Gonza (gestão 2009-2012), responsável por contratar o arquiteto na época, ao fazer uso da palavra, falou sobre o momento que considera “histórico” para a cidade. “Sinto uma emoção muito grande hoje, essa obra está enraizada na cidade – um pedaço da história de valor inestimável. A criação desse grande Centro Cultural não é obra para qualquer prefeito, mas para aquele que tem sensibilidade, pois mais do que saúde, segurança e educação, as pessoas precisam de arte, de cultura. A cidade só não perdeu mais por conta da atuação do deputado Edmir Chedid, em conseguir essa articulação na disponibilização de recursos”, afirmou. “Jesus é um homem de realizar coisas em prol das pessoas”, acrescentou.

A atual secretária de Cultura e Turismo, Vanessa Nogueira, emocionada, também deixou seu depoimento. “Esse projeto vem ao encontro do pensamento do Jesus, que é pensar grande. Farei o possível para trazer a arte e a cultura de volta para a cidade e será um prazer que nossa secretaria esteja nesse grande Centro Cultural”, declarou.

Diversos convidados elogiaram o projeto de Afonso Risi, ressaltando seu conhecimento e suas experiências internacionais. Afonso explicou que, apesar de os recursos deverem ser usados com consciência, o projeto deve ser executado com excelência. “Não podemos usar com leviandade, mas temos que pensar bem alto, o projeto tem que ser bem feito para ser reconhecido como referência nacional”, defendeu.

O prefeito agradeceu a todos os presentes, enfatizando o trabalho dos secretários e dos vereadores, que vêm aprovando os projetos do Executivo, desejando-lhes votos de Feliz Ano Novo. Ele também informou que a previsão da finalização das obras do Centro Cultural é dezembro de 2020, ano em que ocorrem as próximas eleições municipais, as quais ele ressaltou que seu grupo político irá disputar, demonstrando-se otimista quanto à reeleição.

HISTÓRICO DO PRÉDIO 

Foto antiga da época em que o imóvel já abrigava o Colégio São Luiz - Foto: Divulgação

No final do século XIX, Bragança Paulista respirava e vivia o progresso de uma cidade bem localizada – uma rota de riqueza e desenvolvimento, com iniciativas significativas, como a Estrada de Ferro Bragantina (inaugurada em 1884) e o escoamento das grandes produções de café da região. Nessa época próspera, alguns cavalheiros da cidade, tendo à frente os cidadãos Felippe Rodrigues de Siqueira e Izidro Gomes Teixeira, resolveram construir um teatro a frente do seu tempo, que se tornaria um dos prédios mais emblemáticos de Bragança.

A riqueza dos fazendeiros do café financiou a construção, entre 1892 e 1894, do prédio que retratava e refletia a importância e a abundância da cidade naquele período da história. A inauguração do Teatro Carlos Gomes – primeiro do interior do estado – ocorreu com grande entusiasmo cultural com as apresentações das óperas Guarany e Bohème pela Companhia Lyrica ROTOLI E PERI. O majestoso prédio, de riqueza arquitetônica ímpar, ocupava uma área de quase quatro mil metros, com capacidade de receber mais de mil pessoas.

Por quase uma década, o Teatro Carlos Gomes trouxe grandes espetáculos e trabalhos de renomadas companhias à cidade, sendo também alvo de críticas quanto a sua localização (longe do então centro urbano, fazendo parte do entorno do cemitério da cidade e da Cadeia Pública) e baixo número de espectadores. Além disso, com o início do declínio da riqueza cafeeira, o imponente prédio enfrentava sua primeira crise e chegou a ser usado para bailes, chás da tarde da alta sociedade bragantina, ringue de patinação, espaço para tiro ao alvo, barracão carnavalesco, estabelecimento de lavagem de roupa e até fábrica de jacás para exportação de toucinho. Foram os primeiros anos de abandono e à mercê da ação do tempo, chegando à falência em meados de 1920.

Com isso, diversos coproprietários manifestaram interesse em transferirem suas partes do teatro à Câmara Municipal, para que essa zelasse pela manutenção do prédio. Por fim, a Câmara acabou adquirindo o local e adaptando-o para receber um colégio católico para a formação de meninos – uma das exigências para a criação da Diocese de Bragança. Assim, por volta de 1925 e após grandes intervenções na sua estrutura conferindo ao prédio seu desenho atual, o local se transformou no Colégio São Luiz, escola mantida pela Diocese de Bragança Paulista, tendo como fundador Dom José Maurício da Rocha, primeiro bispo da cidade, e primeiros professores os padres da paróquia. Depois da década de 30, vieram os agostinianos. Durante os anos de funcionamento, a instituição foi referência educacional e recebia jovens de toda a região e de São Paulo, além de atrair estudantes também para seu regime de internato. Suas atividades foram encerradas em 1968.

Dos anos 70 em diante, o prédio abrigou inúmeras outras escolas, instituições e atividades, com destaque para a primeira sede da Faculdade de Ciências e Letras de Bragança Paulista, hoje Fesb, e para o Colégio Técnico João Carrozzo (1980-2000).

Na gestão do prefeito Jesus Chedid, com o fechamento do colégio, o prédio foi tombado como patrimônio histórico e declarado, por meio do Decreto nº 12110/2002, de utilidade pública, para fins de desapropriação, sendo adquirido da Diocese de Bragança Paulista nas tratativas com o bispo Dom Bruno Gamberini. Ainda em sua gestão, Jesus também nomeou uma comissão específica com o objetivo de propor sugestões para a reforma e restauração do antigo prédio (Decreto nº 13.228, de 20 de abril de 2005).

Desde 2005, o imóvel se encontrava desativado, desprotegido, alvo de constantes invasões e da ação implacável do tempo. Em junho de 2010, sofreu avarias avassaladoras num grande incêndio que se alastrou pelo edifício. Por muitos anos, houve tentativas de realizar sua reforma e restauração, mas muito pouco se avançou.

Em 2019, a atual Administração retoma a reconstrução desse monumento, que depois de abrigar tantas atividades diversas, deve recuperar sua vocação original como um centro difusor de diversas manifestações culturais de referência nacional – um destino digno e à altura do primeiro teatro do interior paulista.

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