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Conheça a intensa jornada das mães que atuam na linha de frente de combate ao coronavírus

Elas conciliam as tarefas de ser mães e profissionais de saúde e contam os desafios e aprendizados de suas rotinas em meio à pandemia

Ser mãe não é tarefa fácil. Conciliar a maternidade e a vida profissional pode ser ainda mais desafiador. Agora, imagine enfrentar a dupla jornada de ser mãe e profissional da saúde – duas missões essenciais – em tempos de pandemia. Elas não param: são mulheres, mães, esposas, trabalhadoras, amigas e atuam na linha de frente de combate ao coronavírus.

Médicas, enfermeiras, profissionais da limpeza... e mães, que ao chegarem em casa após um dia exaustivo de trabalho, são recebidas pelos filhos não mais com um abraço, mas com carinho e compreensão, já que o distanciamento social priva o afeto – sobretudo às pessoas mais expostas ao vírus –, e porque agora se desdobram, mais do que nunca, para lutar contra a pandemia da Covid-19.

Para celebrar o Dia Das Mães, o Jornal Em Dia traz o depoimento de três “supermães”, que atuam como profissionais da saúde e desempenham papel fundamental diante da pandemia. Conheça as histórias da médica Yara Lúcia de Souza Machado, da técnica em enfermagem Regina Francinete e da agente de asseio Luciene Meneses da Silva Pedro.

YARA LÚCIA DE SOUZA MACHADO, 50 ANOS

Conciliar a rotina no hospital e os cuidados com o filho já era tarefa corriqueira para a médica Yara Lúcia de Souza Machado, de 50 anos, antes da pandemia. Especialista em Pediatria, Nutrologia e Terapia Intensiva de adultos, a mãe de Tiago, de 16 anos, atua na Unidade de Terapia Intensiva (U.T.I.) para adultos na Santa Casa de Bragança Paulista.

Mais do que nunca, seu trabalho é indispensável, pois ela atua na linha de frente de combate à pandemia com os pacientes que têm uma evolução mais grave da doença e necessitam de tratamento intensivo.

Apesar da intensificação do trabalho, devido à pandemia, hoje, ela conta que tem menos dificuldade na conciliação da maternidade e da vida profissional, já que seu filho é adolescente. “Na infância, esse equilíbrio é mais árduo devido à dependência das crianças. Sempre fiz questão de estar presente e ser atuante como mãe em todas as fases de crescimento do meu filho, auxiliando em todas as atividades escolares, no preparo da alimentação, na educação como um todo. Hoje, mesmo sendo um adolescente, procuro manter uma harmonia entre o trabalho e a vida pessoal, pois acredito muito na importância da união da família diante da pandemia e da necessidade do isolamento”, afirma.

Apesar de estar adaptada à rotina, Yara relata que, muitas vezes, se vê ausente da rotina de casa e do convívio com o filho. “Pensando como mãe, tenho a sensação de estar falhando com meu filho, por outro lado, como médica, me sinto bem, com a sensação de dever cumprido, pois sei que neste momento, o profissional da saúde tem uma missão fundamental a cumprir. A parte mais gratificante de tudo isso é que estive ausente por um motivo nobre. Meu filho compreende perfeitamente e me recebe com muito carinho ao final um longo dia de trabalho”, entrega.

No entanto, os riscos de contrair o coronavírus em seu local de trabalho a preocupam, sobretudo, pelo medo de transmitir a doença à família. “A preocupação é constante é sabido por todos o grande poder de contágio do vírus causador dessa pandemia. Sigo rigorosamente todos os cuidados necessários para a proteção da minha família: não entro em casa com os sapatos e vestimentas que usei em ambiente de trabalho, tomo banho em um banheiro externo, as roupas e sapatos são separados, realizo lavagem frequente das mãos e uso álcool em gel 70%, além da limpeza exaustiva, uso de máscara apropriada e os cuidados dentro do hospital. Usamos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) durante todo período de trabalho, que nos tranquiliza bastante pois são de extrema importância”, pontua.

Com todas as mudanças trazidas pela pandemia, Yara reconhece que este domingo será um Dia das Mães atípico. “Este ano, o Dia das Mães terá uma conotação diferente para mim. Muitas mães não poderão abraçar ou serem abraçadas pelos seus filhos, algumas infelizmente por definitivo, outras porque até o contato físico deve ser evitado. Acredito que nunca os seres humanos poderiam perceber tão bem como agora quanto faz falta um beijo, um abraço, enfim, carinho. Vou acordar agradecendo a Deus pela presença da minha mãe e do meu filho em minha vida”, diz.

Em seu trabalho, a médica já teve a alegria de ver filhos e mães voltando para suas famílias recuperados da doença, mas também já viveu a tristeza de muitas famílias que os perderam. “Para os filhos e mães que nesse momento estão enfrentando a doença, quero que saibam que nós, profissionais da saúde, estamos dando nosso melhor, firmes todos os dias na tentativa incansável da recuperação de todos os acometidos”, assegura.

Yara conclui com uma mensagem de esperança e conscientização a todos, em especial, a todas as mães: “Fica o nosso pedido – falo nosso pois esse é o pensamento de todos os profissionais da saúde – que façam sua parte seguindo com os cuidados pessoais de prevenção e mantendo o isolamento social. Nesse momento, lutamos juntos, cada um a seu modo. É uma tempestade e toda tempestade passa! Feliz Dia das Mães!”, encerra.

REGINA FRANCINETE, 40 ANOS

A técnica em enfermagem Regina Francinete, de 40 anos, que trabalha na Upa (Unidade de Pronto-Atendimento) da Vila Davi, enfrenta os desafios de ser mãe e profissional da saúde, agravados pela pandemia da Covid-19. Mãe de Laura, de 20 anos, e Isabella, de 7, ela define sua rotina como “corrida, mas gratificante”.

Desde que a pandemia teve início, Regina se desdobra para lidar de frente com o coronavírus. “Eu estava atuando exclusivamente na linha de frente até o dia 22 de abril, no atendimento aos possíveis contaminados, agora estamos fazendo todos os tipos de atendimento”, conta, afirmando que, no ambiente de trabalho, os cuidados têm de ser redobrados, com o uso de equipamentos de segurança e ações preventivas.

A partir de então, conciliar vida profissional e pessoal, adotando medidas de prevenção, vem sendo um desafio. “É difícil e preocupante, pois além de enfrentarmos de perto o risco da contaminação, podemos levar o vírus para casa e contaminar a família toda. Por isso, a rotina e os cuidados mudaram totalmente: não entro com a roupa do serviço dentro de casa, não tenho contato com minhas filhas antes de me higienizar adequadamente, para protegê-las, evitamos o contato e mantemos uma distância maior”, relata, entregando que essa adaptação não está sendo fácil, sobretudo para a filha mais nova. “A mais velha entende, já a mais nova não muito, ela quer ficar perto, quer dormir junto, chora. É bem complicado”.

Ao ser questionada sobre o que a maternidade representa em sua vida, ela afirma que se trata de um grande desafio, repleto de aprendizados. “Sou responsável por direcioná-las para o caminho certo”, aponta. Já o seu trabalho, define como “uma transformação diária e amor ao próximo”. “Só quem está dia a dia vendo o quão frágil é a vida percebe o que realmente é importante”, reflete.

Sobre este atípico Dia das Mães, que muitos filhos passarão longe de suas mães fisicamente devido ao distanciamento social, ela comenta: “Vejo isso com tristeza, mas ao mesmo tempo como um ato de amor, pois o distanciamento significa proteção, amor e cuidado. Espero que seja um dia especial, que as mães tenham saúde, paciência, que continuem sendo fortes e guerreiras, para passar por mais esta fase difícil”.

Se pudesse pedir um presente especial nessa data, ela entrega qual seria o desejo. “Que toda essa turbulência fosse embora e que a gente pudesse a voltar à rotina normal, dando mais valor as coisas pequenas e as pessoas que amamos”. E para as mães e filhos que estão enfrentando a Covid-19, deixa o recado. “Tenham fé, coragem, muita vontade de viver e que acreditem que tudo isso logo irá passar”.

Mais do que ter confiança em dias melhores, ela alerta para a importância da conscientização quanto às medidas protetivas, para que todas as famílias possam se prevenir da doença. “Mantenham o isolamento, tomando os devidos cuidados, usando máscaras, álcool em gel, lavando as mãos e seguindo as orientações da Organização Mundial da Saúde. Também é importante ter calma, respeitar o isolamento sempre que possível e principalmente evitar excessos”.

Como mãe e como filha, ela afirma que sua família a tem ajudado a enfrentar esse período. “Eles me ajudam me dando apoio e sabendo compreender que é um momento complicado e que ninguém esperava, mas todos os cuidados, riscos e renúncias são para um bem maior”.

Apesar do medo e das incertezas, Regina diz ter aprendido muito com a pandemia. “A gente se transforma, se sente impotente e forte ao mesmo tempo, descobre na dor o sentido e o valor das coisas, descobre que a rotina faz falta, as pessoas fazem falta”. Ela espera poder levar esse aprendizado às filhas. “Quero que elas entendam o valor das pequenas coisas, coisas simples que hoje não é possível realizar, que valorizem a saúde e a vida, os maiores e mais preciosos bens que temos”, pondera.

A todas as mães, ela deixa uma mensagem de otimismo e fé para enfrentar esse período delicado. “Antes de tudo, quero desejar um Feliz Dia das Mães, que Deus abençoe todas nós, que todas tenham muita saúde, fé e coragem para passar por esse momento difícil e que cada uma consiga passar pela transformação que esse vírus nos trouxe, mostrando que a igualdade existe para todos, independentemente de classe social, gênero ou raça e que o desfecho disso tudo, depende exclusivamente de cada um fazer a sua parte. Fiquem com Deus e se cuidem”, finaliza.

LUCIENE MENESES DA SILVA PEDRO, 51 ANOS

A agente de asseio Luciene Meneses da Silva Pedro, de 51 anos, que trabalha na Upa (Unidade de Pronto-Atendimento) da Vila Davi encara os desafios da vida profissional e da maternidade. Ela é mãe de Arlindo, de 26 anos, Matheus, de 20 anos, e Victor, de 15 anos.

Luciene trabalha no regime de escala “12x36”, o que lhe dá a oportunidade de organizar sua vida familiar. “Agora, consigo conciliar melhor minha vida familiar com minha rotina de trabalho, pois meus filhos já estão crescidos, mas já foi complicado no passado”, relata.

Atuando no segmento de limpeza, ela tem a plena consciência de sua responsabilidade no combate à pandemia. “Sei que tenho que estar muito atenta à higienização dos ambientes e à minha própria higienização, e que agindo com todos os cuidados, estarei me prevenindo e prevenindo meus colegas e minha família”, comenta, acrescentando que o medo da contaminação é a sua maior preocupação. “Sou fumante e asmática, sei o que é ficar sem ar, por isso, não quero contrair essa doença”.

Desde o início da pandemia, Luciene teve de se adaptar a uma nova rotina. “Além do isolamento social, tenho todos os cuidados ao entrar em casa, deixo um cesto de roupa na entrada de casa e, quando chego do trabalho, tiro a roupa e coloco no cesto para poder entrar pela porta lateral. Não posso correr o risco de levar contaminação para minha família, e meus filhos que trabalham também seguem o mesmo ritmo: eles tentam se prevenir não entrando em casa com suas vestimentas de trabalho, lavando sempre as mãos, cada um leva consigo um álcool em gel e me ajudam na limpeza da casa também”, entrega.

No entanto, ambas as tarefas são motivo de alegria para ela, o que a dá coragem para enfrentar essa dupla jornada. “Adoro ser profissional e adoro ser mãe, sou muito feliz e apesar do medo, sei que tenho que enfrentar e quero estar junto aos meus amigos, lutando para combater essa pandemia”, declara.

Quando questionada o que ser mãe representa em sua vida, ela define: “É se redescobrir, é ter plena noção do quanto somos fortes e necessárias, é ser profissional e ter a oportunidade de ser independente, no momento sou forte e necessária tanto na maternidade como no trabalho”.

Este Dia das Mães tem um significado diferente na vida de Lucilene, mas ela acredita que seja uma importante oportunidade para reflexão. “Neste Dia das Mães, vejo que as pessoas devem parar para rever suas vidas, abraçarem a causa de que estamos realmente no meio de uma pandemia e que se não nos isolarmos agora, seremos isolados eternamente. Neste Dia das Mães, espero que estejamos todos bem e com saúde”, diz, revelando qual seria o presente ideal para essa data. “Pediria a cura da Covid-19”.

Para filhos cujas mães estão enfrentando a doença e, o inverso, para mães cujos filhos estão contaminados pelo coronavírus, ela conta o seu desejo. “Peço para que eles tenham muita fé em Deus, assim como eu tenho de que tudo ficará bem”.

Luciene finaliza deixando a todas as mães uma mensagem de otimismo e esperança. “Desejo muita paz, muita saúde e muita fé a todas vocês. Mando de todo o meu coração a luz do amor e da fé em Deus”, conclui.

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