15 de outubro

O que são os professores, afinal?

Seres alados a quem o Altíssimo dotou do dom de ensinar?

Criaturas angelicais, sempre dispostas a submeterem-se às mais penosas situações, em nome de seu santo ofício?

Sacerdotes?

Ah, por favor, basta de tanta hipocrisia. Todo ano, quando se aproxima o 15 de outubro, eu fico inquieta, pensando qual será o título que nos darão agora e quão longe ele estará da realidade de quem somos.

E o pior é constatar a contradição que se faz presente nisso tudo, afinal, se somos assim tão extraordinariamente especiais, por que temos sido, ao longo dos anos, tratados tão indignamente?

Não se enganem, não somos nada disso que vocês insistem em dizer a cada novo 15 de outubro. Somos seres humanos, que como todo ser humano, carece do mínimo de dignidade para sobreviver alimentando seus sonhos.

E se somos seres humanos professores, é porque escolhemos assim. Não nos faltou opção nem muito menos capacidade para exercer outra função. Sim, porque absurdamente há quem diga que o professor o é por falta de opção. Agora, falta de capacidade é o que deve restar a esses acéfalos que afirmam tais barbaridades.

Somos seres humanos inseridos numa sociedade capitalista, então, sim, nós gostamos e precisamos de dinheiro, e só o amor pela profissão não quita nossas contas no fim do mês. Somos seres humanos e, se éticos, precisamos de tempo para preparar uma boa aula, e não podemos, como eu vejo muitos colegas fazerem, perder a saúde e a sanidade em nome de um sistema educacional fadado à falência por não respeitar a faceta humana de seus profissionais.

Nós, que amamos a sala de aula, andamos cansados de todo esse descaso. Andamos exaustos, em função do exorbitante número de aulas que somos obrigados a dar, se quisermos manter o mínimo em casa.

E aí, quando chega o esperado 15 de outubro, ainda somos obrigados a ouvir gente desinformada dizer o que somos.

Não, nós não somos nada disso. Nenhuma espécie modificada, nenhum grupo fanático pela piedade, nenhuma legião de santos.

Somos seres humanos, pensantes, que precisam parar de aceitar rótulos idiotas e assumir realmente aquilo que são, e exigir respeito por aquilo que são.

Eu sou Ana Raquel Fernandes, ser humano pensante, professora de Língua Portuguesa por opção, eterna inconformada, aluna da vida e da poesia que ele encerra.

Feliz Dia dos Professores!

 

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