A história que vou contar hoje é antiga, por isso, ao recontá-la a meu sobrinho de apenas dois anos incompletos, tomei a liberdade de fazer algumas adaptações, usando uma licença poética que de fato nem sei se possuo.
Mas foi assim, estávamos eu e ele contemplando a árvore de natal, que minha mãe, sua avó, havia corajosamente montado e adornado com a “ajuda” dele, o pequeno netinho. Eu não estava em casa nessa ocasião, mas posso imaginar a festa que foi.
Agora, ele estava sentado em meu colo e eu resolvi contar-lhe a história da estrela do Natal, já que no alto de nossa árvore havia uma.
E eu comecei assim...
Sabe, uma vez apareceu uma estrela láááááá no céu (e ele apontava pro alto), aí, três reis resolveram ir seguindo a estrela, aonde a estrela ia, eles iam também. E andaram, andaram, andaram atrás da estrela, até que... a estrela parou (E ele olhava atentamente para mim com seus olhinhos espertos). Daí, sabe o que tinha lá? Uma casinha (estrebaria), e sabe quem estava dentro da casinha? Um nenê! (E ele repetia: Nenê!). Tinha boizinho, vaquinha, ovelhinha, o nenê e o papai e a mamãe dele.
Os reis deram presentes pro nenê. Que que eles deram de presente?
(E ele respondeu: Tchupai!), que é como ele diz “batata”. As crianças têm isso de complicar além da conta algumas palavras.
E aqui eu faço uma pausa, porque concordei com a resposta dele e alguém pode achar que desrespeitei a sacralidade dos evangelhos ao agir assim, que devia dizer que não, que eles não deram “thcupai” ao nenê, mas ouro, incenso e mirra, e que inclusive devia tentar ainda que em vão explicar o significado de cada um daqueles elementos. Mas...ah...
Posso estar equivocada, mas nunca vi nada mais sagrado que a resposta daquele menininho esperto à minha pergunta. Aliás, que lição maravilhosa ele me ensinou com aquela resposta.
Ele me ensinou, na ingenuidade de seus dois anos incompletos que ao nenê em questão, devemos sempre oferecer o que nos é de mais precioso, de mais legal, aquilo de que mais gostamos. No caso dele, é a “tchupai”.
E eu consigo vislumbrar Jesus esboçando um sorriso ao ouvir essa resposta pueril e bendita.
O menino deitado na manjedoura não quer, nem merece nada além de nosso melhor, tudo o que somos, com todas as nossas forças, todo nosso talento e dedicação, toda nossa vontade e todo nosso amor. Ele é a estrela dessa história que mudou os rumos da humanidade.
É ele quem ainda nos guia nas noites sombrias pelas quais, vez por outra, tem de passar nossa alma.
E eu continuo, feito uma menininha, acreditando e vivendo a história daquela noite iluminada por aquela estrela, e é por isso, só por isso, que fiz questão de recontá-la ao meu pequeno e amado sobrinho.
O nenê deve ter ficado feliz, e ao invés do choro, comum aos recém-nascidos (choro que imitei pro meu pequeno), ele deve ter gargalhado uma gargalhada gostosa, daquelas que nos fazem quase perder o fôlego.
Que eu nunca me esqueça de que Ele, o nenê, merece que eu lhe oferte sempre o que me é mais querido. Que eu nunca me esqueça daquela maravilhosa noite em que três homens seguiram a luz de uma estrela que os conduziria à salvação!
Não façam barulho... Xiiiiuuuu! O pequeno dorme, a Eternidade repousa nas palhas de uma manjedoura. Deus está encarnado na figura frágil de uma criança recém-nascida!
Rendamos-lhe graça! Ofertemos-lhe o que de melhor há em nós!
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