Palestra realizada no Polo Universitário acontece mensalmente como critério obrigatório aos pretendentes à adoção
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Especial

A importância da adoção: Presidente do Grupo de Apoio à Adoção em Bragança Paulista fala sobre desafios e benefícios do processo

Mauro Roberto de Sene e Alessandra Queiroz da Silva Sene, ao lado da filha, Laura da Silva Sene, e do filho adotivo, Kauã Roberto da Silva Sene, que tem diagnóstico de autismo severo. Na ocasião, o casal ministrou uma palestra sobre problemas de saúde

Hoje, 25 de maio, é o Dia Nacional da Adoção. Instituída pela Lei 10.447, sancionada em 2002, a data visa a chamar a atenção das pessoas para crianças e adolescentes que aguardam serem acolhidos por uma nova família em todo o Brasil.

Para dar mais visibilidade ao tema o Jornal Em Dia Bragança conversou com a presidente do Grupo de Apoio à Adoção (GAA) Aconchego, Mirian Eloísa Mezzanotte Barneze.

O Aconchego é uma associação de apoio à adoção sem fins lucrativos fundada em 17 de abril de 2001, por Neusa e Camargo Silva e mais alguns colaboradores, com o intuito de prevenir o abandono, estimular a adoção, apoiar os que adotam e educar a comunidade sobre o assunto. O grupo não tem sede própria e realiza as reuniões mensais em locais gentilmente cedidos. “Inicialmente os encontros eram realizados no extinto Canguru. Depois passaram a acontecer na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), na extinta Escola Augusto Mezzanotte, na Câmara Municipal, e, atualmente, realizamos nossas reuniões na Universidade Aberta conhecida como Polo Universitário, no Jardim São Lourenço, local cedido pelo secretário da educação Adilson Condesso, por intermédio da vereadora Rita Leme”, conta a presidente.

Mirian relata que, em Bragança Paulista, há três abrigos que recebem crianças vítimas de violência doméstica, abandono, violência sexual, negligência e pobreza entre outros problemas. E que o maior desafio enfrentado pelas crianças que aguardam adoção é a idade. “Quanto maior mais difícil de ser adotado(a). Hoje a grande maioria dos casais optam em adotar crianças de até 6 anos. Grupos de irmãos também são de difícil colocação, porque muitos preferem apenas uma criança”.

Conforme explica, para poder adotar é necessário estar habilitado e para isso acontecer as pessoas interessadas precisam frequentar as reuniões do Aconchego. Existe um cronograma anual com datas e temas pré-determinados. Depois de juntar cinco certificados de participação, elas podem dar entrada no fórum, juntamente com vários documentos que são solicitados, para, a partir daí, iniciar o processo de habilitação, no qual os pretendentes passam por entrevistas com as técnicas que avaliam quem pode ou não adotar juntamente com o aval do juiz da Vara da Infância.

É importante destacar que qualquer pessoa acima de 18 anos pode adotar, desde que haja a diferença de idade de no mínimo 16 anos entre o adotante e o adotado. “Pessoas solteiras e casais homoafetivos também podem adotar. Todos precisam passar pelo processo de habilitação que leva em torno de 6 a 12 meses. Após ser dada a entrada ao processo, o tempo varia de acordo com a disponibilidade das técnicas do fórum e da quantidade de pretendentes inscritos”, declara Mirian.

De acordo com a presidente do Aconchego, o perfil escolhido para a adoção é um dos principais motivos pelo tempo de espera para o processo ser concluído. “Infelizmente a maioria ainda prefere meninas brancas e abaixo de 6 anos. Outra questão são os problemas de saúde. Quanto mais restringir, mais tempo ficará aguardando”.

Uma das maiores preocupações que acabam afastando muitas pessoas do desejo de adoção é o medo de ter de entregar a criança de volta para os pais biológicos. Sobre esse assunto, Mirian afirma que, em Bragança Paulista, antes de uma criança ou adolescente ser entregue para a adoção eles são destituídos. Isso significa que os pais biológicos perdem o pátrio poder. “Essa situação é irrevogável, portanto, não precisam se preocupar”, explica.

Mirian conta que ela e o marido começaram a frequentar o Aconchego eu em abril de 2001como pretendentes e foram habilitados em setembro do mesmo ano, no entanto a filha do casal chegou somente em junho de 2005. Ressalta que praticamente começou a frequentar as reuniões no mesmo mês de fundação do grupo. Assumiu a presidência em 2009 e até hoje segue fazendo esse trabalho com muito orgulho. “Precisamos olhar para a Adoção com muito carinho, pois para muitas crianças essa é a única maneira de conseguir seguir com sua vida de forma digna! Sem sofrimento, dor e abandono! Precisamos refletir muito sobre esta questão social, sobre a qual infelizmente muitas pessoas ignoram”, enfatiza.

A orientadora aponta que a adoção ainda é vista como um tabu no Brasil, pois muitas pessoas acreditam que um filho não gerado, sangue de seu sangue, geneticamente puxa a outra família e vem com características ruins. Como exemplo de disseminação de preconceito, ela cita o caso recente do adolescente adotivo, que tirou a vida dos pais e da irmã por causa de um celular, para esclarecer que o acontecimento não tem nada a ver com adoção, enfatizando que há filhos biológicos que já cometeram crimes abomináveis contra a própria família. “Existe ainda muito preconceito, muita gente acha que não é capaz de amar um filho que não foi gerado por ela, mas isso tem que acabar. Quando a gente tem amor pra dar, quando existe muito amor dentro do nosso coração, não importa se a criança foi gerada pelo nosso ventre ou não”.

A presidente do Grupo Aconchego, Mirian Mezzanotte Barneze, e vereadora Rita Leme, grande apoiadora da causa

Para finalizar Mirian, afirma que “é importante deixar claro que a adoção é um ato de muita responsabilidade. Então é preciso se preparar muito bem para esse momento. Existem muitos desafios que com certeza são superados quando se tem muito amor para dar, muita paciência, dedicação, muito carinho e vontade de fazer dar certo. Costumamos dizer que família Doriana só existe na televisão. Criar expectativas e idealizar um filho não ajuda em nada no processo. O importante mesmo é estar muito bem-informado e seguro das suas decisões”, completa.

FILA DE ESPERA

Quando uma criança é apresentada a um casal ou pessoa habilitada, inicia-se o estágio de convivência, no qual, durante algumas semanas, o laço de afetividade começa a ser criado. Enquanto isso ocorre, o nome do casal permanece na fila, esclarece Mirian, acrescentando que, em Bragança Paulista, atualmente há uma média de 15 casais aguardando na fila de adoção, alguns deles já em aproximação.

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