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Crônicas de um Sol Nascente

A princesa e o plebeu

Nos últimos meses, um dos assuntos mais comentados pela mídia japonesa foi o casamento da princesa Mako, que, rompendo o protocolo, teve uma cerimônia sem grandes pompas, além de renunciar à “indenização” a que teria direito por estar se desligando da família imperial. Explico: no Japão, as mulheres da família real devem renunciar ao status de nobreza quando se casam com um plebeu – o que não se aplica aos príncipes. Pois bem: como pagamento pelo “sacrifício” da renúncia, as princesas recebem uma quantia em dinheiro (e aqui falo, claro, de uma verdadeira fortuna). Mako, porém, ao casar-se com o jovem Kei Komuro – a quem conhecera na faculdade, foi a primeira princesa japonesa a renunciar tanto aos ritos tradicionais quanto à referida indenização.

E por que ela fez isso? Talvez para evitar maiores pressões sobre o jovem casal, que, desde o dia em que tornaram pública a intenção de matrimônio, vem sendo criticado na Terra do Sol Nascente. E o leitor deve estar pensando: mas para quê tanta bronca pelo casamento de dois jovens? A história é longa, mas tudo basicamente começou com a mãe do rapaz, a qual, segundo se comenta, teria deixado de pagar um empréstimo feito a um ex-noivo, usando o dinheiro para que o filho fosse à universidade. O calote dado pela Sra. Komuro passaria despercebido, claro, se o filho desta não fosse o pretendente de uma princesa. De modo que, com o tempo, o escândalo tomou proporções inimagináveis, forçando mesmo o rapaz a ausentar-se do país por dois anos, sob o pretexto de estar estudando para tornar-se advogado em Nova Iorque. Infelizmente, ele falhou na primeira tentativa (novo teste ocorrerá em fevereiro de 2022), o que só aumentou o bombardeio de críticas à sua união com a princesinha – chegando ao absurdo de haver alguns incomodados até com o corte de cabelo do rapaz por ocasião de seu retorno ao Japão, dizendo que o rabo de cavalo seria “inapropriado” para alguém que estava noivo de uma princesa.
Quanto a mim, o que acho de tudo isso? Um disparate, lógico. Kei e Mako somente querem ficar em paz. Assim como Harry e... Não retiro o que disse: a ex-atriz de “Suits” gosta mesmo é de holofotes. Mako, porém, parece-me bem diferente da duquesa de Sussex, desejando apenas estar feliz ao lado de seu amado.

Bem, vou parar por aqui. Até porque a essa altura o leitor brasileiro já deve estar sonolento com esta crônica, que fala sobre princesas pertencentes a um mundo distante e inalcançável. E, de fato, o assunto deve ser mesmo maçante para os leitores da terra do rei Pelé. Afinal de contas, o Brasil já tem problemas em demasia: principalmente com um certo bobo da corte que, desde 2018, tenta posar de soberano. 

***

EDWEINE LOUREIRO nasceu em Manaus (Amazonas-Brasil) em 20 de setembro de 1975. É advogado e professor de idiomas, residente no Japão desde 2001. Premiado em mais de quatrocentos concursos literários no Brasil, na Espanha e em Portugal, é autor de nove livros, sendo o mais recente: “Crônicas de um latino sol nascente” (Telucazu Edições, 2020). É sócio correspondente no Japão da Associação de Escritores de Bragança Paulista (Ases).

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