Foto: Comandante Maestro
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Cultura

Aeroclube completa 80 anos de tradição e credibilidade

Conhecido em todo o país por ser uma tradicional escola de Aviação Civil, é responsável pela formação de milhares de pilotos

Nesta semana, o Aeroclube de Bragança Paulista (ACBP) completou 80 anos de história. Conhecido por formar alunos de todo o país e até da América Latina, é fruto de esforços de bragantinos apaixonados pela aviação que fizeram com que a entidade exista ainda hoje. O Jornal Em Dia foi recebido pelos secretários Geraldo Salaroli e João B. Turela e o gerente administrativo Adílson de Lima, que apresentaram a estrutura e falaram um pouco da história do aeroclube.

De acordo com informações publicadas no livro “Aeroclube de Bragança - Uma trajetória nas asas do tempo”, de Hen-riette Effenberger e Norberto de Moraes Alves, a história da aviação no município começou em 30 de julho de 1939, quando a Prefeitura inaugurou o Campo de Aviação, nos arredores do antigo Campo da Penha (hoje conhecido como Posto de Monta), para receber o governador do estado Adhe-mar de Barros. Desde então, a criação do aeroclube tomou forma e, em 1º de junho de 1940, foi fundado oficialmente por Dalmácio de Souza Ferraz, Jacintho Osório de Lócio e Silva, com o apoio do prefeito da época, Luiz Gonzaga de Aguiar Leme, e outros interessados.

A ideia de implantar um aeroclube no município surgiu após Delmácio convidar Jacin-tho para visitar o Campo de Marte, em São Paulo, onde tinha aula de voos. Os amigos ficaram entusiasmados com a ideia e buscaram apoio da população. Mais tarde, quando o aeroclube em Bragança havia se tornado realidade, Jacintho também se tornou piloto.

A fundação do aeroclube teve o apoio de personalidades conhecidas da área na época, tais como o piloto paulista Djalma Pompeu de Camargo e Ariovaldo Vilella, presidente do Aeroclube de São Paulo, que justificaram ao prefeito Luiz Gonzaga da Silva Leme a importância de se ter uma entidade filiada no município.

Anos mais tarde, a diretoria do clube procurou Arthur Rodrigues Siqueira, proprietário da Fazenda Caetê, para doação de parte da propriedade para ser campo de pouso. A doação foi formalizada em 1953 pelos seus herdeiros.

Um fato interessante tratado no livro “Aeroclube de Bragança - Uma trajetória nas asas do tempo”, revela que a falta de equipamentos adequados tornou a transformação de pasto em pista em um precário trabalho de terraplanagem. Os trabalhos foram executados com 30 burros que puxavam carroças carregadas com aproximadamente 1m³ de terra cada.

A primeira turma de pilotos se formou em 1942. Naquela época, os alunos precisavam apenas de 17 horas de voo para se formar. Os primeiros alunos foram: Delmácio de Souza Ferraz, Odilon Quadros, Mário Russo, Plínio de Araújo Braga, Dinorah Ramos e Luiz Lavander. Na segunda turma, formaram-se mais dez alunos, entre eles, a primeira piloto do aeroclube: Gladys Maringuerra Santos.

O ACBP passou por uma reorganização em 1955, após Delmácio e seu filho morrerem em um desastre envolvendo um avião de Araraquara, que caiu sobre a sede em 1953.

Outro momento difícil aconteceu entre as décadas de 80 e 90, período marcado por acidentes e dívidas. Em 1996, foi eleita a nova diretoria, que trabalhou incansavelmente para resgatar a credibilidade. Mais uma vez, a entidade teve apoio da população por meio do apoio da imprensa local. No mesmo ano, uma festa avia-tória foi realizada com o objetivo de colocar o local em evidência; cerca de dez mil pessoas presenciaram lançamentos de paraquedistas, Esquadrilha da Fumaça e balões.

Em 2019, foram registradas 12.435 horas de voo, superando as 10.300 horas do ano anterior. De acordo com Geraldo, neste ano, a instabilidade do clima em fevereiro e a pandemia do coronavírus fizeram com que o ritmo de aulas caísse, mas o espaço segue funcionando de acordo com as normas de higiene e distanciamento. “No início de maio, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) emitiu nota técnica, reconhecendo como essenciais as atividades de formação e adestramento de pessoal de aviação civil oferecidas pelos aeroclubes, escolas de aviação civil e centros de instrução de aviação civil, após pedido do Aeroclube de Bragança Paulista”, informou o secretário.

Atualmente, o Aeroclube de Bragança Paulista é responsável pela formação de mais de 2 mil pilotos, tem 30 instrutores, cerca de 200 alunos matriculados e 70 cursando aulas. Como não há prazo para os alunos concluírem o curso, alguns levam meses e até anos para se formar.

Os cursos oferecidos são: Piloto Privado (mínimo 35 horas); Piloto Comercial (mínimo 180 horas de voo); Instrutor de Voo - INVA (mínimo 25 horas de voo); Multimotor (mínimo 15 horas de voo); Voo por Instrumentos - IFR, (mínimo 20 horas de voo em aeronave e 20 horas de voo em simulador).

Passaram pela Escola de Aviação Civil alunos que mais tarde tiveram carreiras sólidas, como o presidente da entidade, Enzo Dall’ara e Pedro Itamar Ribeiro, comandantes de companhias aéreas e Píndaro Batagin, comandante de aeronaves de linhas internacionais.

Na estrutura, conta com dois hangares, 30 aeronaves, dentre elas, oficina de manutenção preventiva e corretiva homologada, alojamento com 30 vagas para alunos, área de lazer, secretaria, sala de briefing, onde são planejadas e estudadas as próximas aulas práticas e as manobras a serem realizadas e sala de simulador. Após a aula, aluno e instrutor analisam acertos e erros.

O aeroclube possui o maior número de aeronaves Paulistinha no país, muito utilizados na escola de aviação. Outros modelos são o Sêneca, Cherokee 140 e 180, Tupi e Corisco e Cessna 152 e 172.

Atualmente, o aeroclube funciona em área privatizada, ao lado do Aeroporto Arthur Siqueira, este mantido pelo Consórcio Voa SP.

A história se confunde com a de muitos bragantinos que cresceram visitando o aeroclube e participando dos eventos festivos, que traziam a Esquadrilha da Fumaça, exposições de arte, feiras, shows e demonstrações de voos. 

É o caso do João Turela, que contou que está há mais de 40 anos envolvido com a trajetória do aeroclube. Para ele, a história é um legado para todos e motivo de muito orgulho. “É um patrimônio de Bragança Paulista que devemos manter”, defendeu.

O gerente Adílson mora na região do Taboão desde criança e se orgulha do bairro em que cresceu, com as histórias do “bairro do repolho”. “Quando era menino, corria aqui no aeroclube ver as aeronaves pousarem, onde hoje tem loteamentos, não havia nada, e a garotada subia aqui para jogar bola e empinar pipa”, recordou.

Por fim, Geraldo Salaroli acrescentou que tem muito carinho pelo município e, para ele, todos os patrimônios que guardam a história local deveriam ser mantidos. “O Aeroclube de Bragança Paulista é um dos maiores do país, um dos grandes patrimônios da cidade que merece ser respeitado por todos. Carrega uma história linda”, concluiu.

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