A despeito do que possam imaginar alguns mal-intencionados, ainda estamos aqui, todos nós, os que defendem a democracia e o estado de direito, os que não se permitem esmorecer e seguem vigilantes em face às constantes ameaças do fascismo, afinal, o preço da liberdade é mesmo a eterna vigilância.
E porque sempre estivemos aqui, é que uma produção tão importante e emblemática como o filme “Ainda estou aqui” foi possível. Não fossem as muitas “Eunices” e sua incansável busca pela verdade, não fosse a ex-presidenta Dilma Rousseff, responsável por criar a Comissão da Verdade – que investigou os crimes cometidos pelo Estado entre 1937 e 1985 e em cujo relatório final o Brasil reconheceu que a prática de detenções ilegais e arbitrárias, tortura, violência sexual e execuções foi resultado de uma política estatal generalizada, resultando, assim, em crimes contra a humanidade –, o filme aclamado pelo público e pela crítica não seria possível.
Saí atordoada da sala de cinema, os olhos delineados de marrom, borrados pelo choro que simplesmente não consegui conter. Foi um misto de tristeza e insurreição, de contemplação do belo e do espanto diante do abominável, mas, sobretudo, foi um alerta, um novo alerta absolutamente oportuno para que não permitamos que algo assim se repita, jamais, em nosso país.
E porque a cadela do fascismo está sempre no cio, lembretes assim nunca são demais. Essa página sangrenta e odiosa da história recente de nosso país não pode ser simplesmente apagada ou diminuída, como sugerem alguns revisionistas. Não! É preciso revirar a imundície de nosso passado, a fim de que nada disso volte a acontecer. E não me diga que seria absurdo se acaso se repetisse, já que temos tidos claras amostras de que não.
Ocultar essa parte de nossa história é crime ainda mais inadmissível que todos os cometidos pelos militares, é desonrar duplamente a memória daqueles que foram retirados de suas famílias, torturados, executados, e cuja cova, se é que lhes coube alguma, nunca soubemos o paradeiro.
Mas ouso dizer que nem por isso nossos irmãos não tiveram descanso, porque aqueles que lutam por liberdade e se entregam a essa justa causa verdadeiramente já o fazem em vida.
Reviver, sob a ótica das relações familiares abruptamente interrompidas, o absurdo da Ditadura Militar no Brasil, foi, ao menos para mim, perturbador. O filme é um poema escrito com sangue e devoção, como devem ser escritos todos os poemas, ou ao menos, os melhores.
E foi também um convite para a resistência, para a persistência de seguirmos lutando pelo justo e pelo bom, pelo bem de todos.Em um momento em que se discute o fim da escala 6x1, esse convite faz-se ainda mais persuasivo.
Ainda estamos aqui, atentos, fortes e vigilantes, que isso fique claro!
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