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Crônicas de um Sol Nascente

Ainda estaremos aqui

Não, o texto de hoje não é somente sobre o filme que fez ressurgir a paixão dos brasileiros pelo cinema nacional. Mesmo porque ainda não tive a oportunidade de assistir à obra de Walter Salles – diretor, aliás, a quem muito admiro, desde o maravilhoso “Terra Estrangeira”.

Falando a verdade, sei muito pouco ou quase nada a respeito de “Ainda estou aqui”, além do que é noticiado nos sites especializados em cinema. Porém, mesmo sem vê-la (ainda), JÁ aplaudo um aspecto da obra: o tema, importantíssimo, do resgate (e denúncia) de um dos períodos mais cruéis da história de nosso país: a maldita ditadura militar (sim, é o que penso sobre os oficiais assassinos que nos torturaram por duas décadas... E não vou pedir desculpas a quem pensa diferente).

Porque esta crônica, mais do que a respeito de cinema, é sobre a resistência humana em tempos de intolerância e sangue jorrado.

Claro que tive a ideia de escrever sobre o tema também em virtude do filme – que, recebendo Oscars ou não, já conseguiu o maior prêmio a meu ver: o de fazer o público relembrar e refletir a respeito dos regimes totalitários. No entanto, a ideia para este texto surgiu principalmente de uma conversa que tive com um de meus alunos na semana passada.

Oriundo de uma família tipicamente de Tóquio, ele contou-me uma história que merece ser aqui registrada. Em 1942, durante o bombardeamento da capital japonesa, sua bisavó estava grávida. Apesar do perigo, porém, ela recusou-se a deixar sua casa com os filhos (tal qual Eunice Paiva, ela permaneceu ao lado dos pequenos, protegendo-os).

E aqui deixo para que interpretem como queiram (um milagre, sorte, chamem como quiserem...). Mas o fato é que, ao amanhecer, a casa onde a bisavó de meu estudante permanecera durante as explosões havia sido a única a manter-se em pé, tendo sofrido apenas pequenas danificações.

Teimosia humana diante do risco ou resistência diante das adversidades? De novo, denominem como acharem melhor. Para mim, isso é capacidade de resistência recompensada pelo destino ou por alguma outra força maior.

Essa mãe do bombardeio de Tóquio, ou Eunice Paiva, ou as mães de Gaza... Todas elas, seres humanos extraordinários, são merecedoras de nossas homenagens. Por isso, aqui, dedico esta crônica a elas. E as agradeço: por nos ensinarem que nada é mais poderoso que a capacidade humana de resistência. E que, não importa o quanto tentem nos fazer sofrer, ao final, ainda estaremos aqui: de pé... lutando.

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EDWEINE LOUREIRO nasceu em Manaus (Amazonas-Brasil) em 20 de setembro de 1975. É advogado e professor de idiomas, residente no Japão desde 2001. Premiado em mais de quinhentos concursos literários no Brasil, no Japão, na Espanha e em Portugal. Em 2024, seu livro obteve o primeiro lugar no Prêmio João do Rio (para “Livro de Crônicas”) da UBE-RJ. Também em 2024, foi o roteirista vencedor do “WriteMovies Script Pitch Contest”, nos Estados Unidos. É sócio correspondente no Japão da Associação de Escritores de Bragança Paulista (Ases).

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