Fotos: Jornal Em Dia
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Alunos do curso de Medicina da USF protestam contra mudanças

Dentre elas, está o aumento da mensalidade, em mais de 142%, e a redução da carga horária da grade curricular

Nesta quarta-feira, 22, alunos da USF (Universidade São Francisco), do curso de Medicina, protestaram no campus da faculdade e na área externa do Husf (Hospital Universitário São Francisco). O Jornal Em Dia esteve no local e acompanhou a manifestação, que foi pacífica.

Centenas de alunos exibiam vários cartazes, que diziam: “Tem tanta coisa errada que nem cabe no cartaz”; “Aluno não é mercadoria”; “Reajuste a gestão, mensalidade não”, dentre outras mensagens. Os alunos também entoaram frases de efeito durante o manifesto, como: “MEC nota 5, currículo nota 0”; “Ei, franciscanos, seus princípios estão indo pelo cano”; “O boleto foi aumentado, o ambulatório está abandonado”; e “Só quando convém, Paz e Bem”.




 

De acordo com Beatriz Figueiredo, aluna do 6º semestre de Medicina, os motivos do protesto são vários, como uma reforma curricular que está para ser implantada e que implicaria em redução de mil horas na grade do curso, com disciplinas a serem cursadas no formato EAD (Ensino à Distância). Além disso, ela informou que para o próximo semestre seriam abertas 95 novas vagas, mas apontou que a universidade não comporta esse aumento de estudantes.

Outro fator que motivou o protesto foi o anunciado aumento da mensalidade, que passaria de R$ 6.800,00 para R$ 9.700,00, o que representa mais de 142% de reajuste.

A estudante afirmou que, ao todo, são cerca de 700 alunos no curso de Medicina e que eles pretendem fazer novas paralisações caso não haja diálogo com a direção da USF.

Nesta quarta-feira, apenas os alunos que atuariam na urgência e emergência do Husf não paralisaram as atividades. Os demais, que atuariam em atendimentos ambulatoriais, por exemplo, participaram do protesto.



OUTRO LADO

O Jornal Em Dia procurou o Husf que, por meio do analista de comunicação Marcos Vieira Ribeiro, comentou que a direção do hospital respeita o manifesto e que não houve prejuízo do atendimento. A única preocupação seria com relação ao fluxo de ambulâncias, mas até o momento em que a reportagem esteve no local, também não havia registro de problemas nesse sentido.

A assessoria de imprensa da USF, por sua vez, afirmou, por meio de nota enviada à redação, que as mudanças aplicadas no curso de Medicina objetivam atender às diretrizes curriculares definidas pelo MEC (Ministério da Educação) e os novos instrumentos de avaliação do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).

“Para corresponder as demandas acima citadas, a instituição reposicionou o perfil pedagógico e atualizou as atividades formativas do curso, a partir de uma nova matriz curricular, visando à inovação, a preparação do formando para os avanços das práticas médicas e do mercado de trabalho, os progressos tecnológicos e a vivência prática-profissional, com investimentos em cenários de simulações realísticas e modernos laboratórios”, declarou a instituição.

De acordo com a USF, a nova matriz e o novo valor de mensalidade contemplarão os alunos ingressantes a partir do segundo semestre de 2019, ou seja, não serão aplicados aos estudantes que já estão matriculados na universidade. “Para os alunos matriculados em curso, não haverá alterações acadêmicas e financeiras, além das previstas em contrato”, garantiu a assessoria da USF.

Sobre o aumento no número de vagas, a universidade explicou que se trata de medida concedida pelo Ministério da Educação, após consulta ao Ministério da Saúde sobre as instituições que demonstram nível de excelência na prestação de serviço e qualidade de ensino reconhecida. Em outras palavras, o aumento das vagas não é uma decisão que pode ser tomada apenas pela instituição, depende de autorização do MEC, que antes de concedê-la, comprova a existência de condições para isso.

Com relação aos apontamentos dos estudantes sobre as condições de atendimento ambulatoriais, a USF esclareceu que os ambientes de prática profissional obrigatórios como parte da formação dos estudantes não são de responsabilidade de sua gestão.

A instituição ainda declarou que já compartilhou com os estudantes essas informações, em mais de uma ocasião, e que permanece à disposição.

Confira alguns vídeos que o Jornal Em Dia fez sobre o protesto:

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