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Especial

Ana Raquel Fernandes lança “Sub-versão em Versos” na sede da ASES

Neste sábado, 13 de abril, a sede da ASES - Associação dos Escritores de Bragança Paulista será o palco para um evento literário de destaque. A professora, poeta e colunista do Jornal Em Dia Bragança Ana Raquel Fernandes lançará seu tão aguardado livro de poesia intitulado “Sub-versão em Versos”. O lançamento promete ser um momento de celebração da arte e da literatura, aberto ao público e marcado pela leitura de poemas do primeiro livro da escritora bragantina.

O evento acontecerá na Rua Coronel Leme, 35, das 16h às 20h, com destaque para a leitura dos poemas por volta das 17h - 17h30. A ocasião será uma oportunidade única para os amantes da poesia conhecerem de perto o trabalho inspirador de Ana Raquel e celebrarem junto com ela essa conquista literária.

PERFIL DA ESCRITORA

Ana Raquel, de 39 anos, é uma figura com características variadas e peculiares: além de professora de Língua Portuguesa, ela é formada em Letras e Pedagogia, pós-graduada em Gestão Escolar, Transtornos Globais do Desenvolvimento e em Práticas de Alfabetização e Letramento.

Com uma carreira dedicada à educação, Ana Raquel leciona Língua Portuguesa na Escola Municipal de Ensino Fundamental Sargento Sebastião José Monteiro, no município de Vargem, demonstrando não só seu comprometimento com o ensino, mas também sua paixão pela transformação social por meio da educação.

Além de sua atuação como educadora, Ana Raquel também é reconhecida como uma talentosa escritora. Sua coluna “Sub-versão” no Jornal Em Dia Bragança é um espaço no qual ela expressa suas ideias, reflexões e poesias, conquistando leitores com sua escrita envolvente e provocativa.

Em 2019, foi a vencedora do concurso “Elas e as Letras”, promovido pela página de Facebook de mesmo nome, que buscava valorizar a escrita feminina como forma de resistência e diversidade. Esse reconhecimento reforça não apenas sua habilidade como escritora, mas também seu compromisso com a representatividade e o empoderamento das mulheres na literatura.

A reportagem do Jornal Em Dia Bragança conversou com a escritora, em uma entrevista exclusiva, para saber mais de sua trajetória e das inspirações por trás do seu primeiro livro “Sub-versão em Versos”. Acompanhe.

Jornal Em Dia Bragança: Com que idade começou o seu interesse pela literatura? A poesia a encantou de imediato? Conte um pouco sobre sua trajetória com a leitura e a paixão pela escrita.

Ana Raquel: Sempre que perguntada sobre minha “iniciação” no mundo das palavras, respondo que ela surgiu de uma experiência inusitada. Quando ainda criança, tive de ser internada por conta de uma pneumonia e passei uma semana ouvindo as mais variadas e criativas historinhas inventadas e contadas por minha mãe. A paixão pela poesia talvez venha desse desejo ou “habilidade nata” de enxergar o mundo com uma visão esquizofrênica, afinal, como já bem disse Adélia Prado: “De vez em quando Deus me tira a poesia. Olho pedra, vejo pedra mesmo”. Ele nunca me tirou a poesia, pasmem.

Jornal Em Dia Bragança: Como você concilia o trabalho com a escrita e a carreira como educadora?

Ana Raquel: Educar é um pouco como escrever também, os roteiros em branco são os seres em formação, o que, a meu ver é tão ou mais fascinante que a criação literária em si. Além do que, a sala de aula já serviu-me de inspiração para muitos de meus textos.

Jornal Em Dia Bragança: Durante sua vida acadêmica, considera que algum professor ou alguma professora teve influência no seu encantamento pelas letras?

Ana Raquel: Por incrível que pareça minha disciplina favorita na escola sempre foi História, aliás, quando do vestibular, aos 17 anos, meu grande dilema foi escolher entre Letras e essa outra disciplina. A paixão pelas palavras acabou direcionando minha escolha, mas se tem uma figura a quem devo minha paixão pela humanidade e pela luta por transformações sociais é a do já falecido Prof. Neivaldo, que lecionou História para mim no Ensino Médio. Se hoje tenho uma escrita militante, e não consigo ver o ato de escrever de outra forma, se não a política, devo isso à influência desse magistral professor.

Jornal Em Dia Bragança: Quais foram as maiores influências literárias ao longo de sua vida?

Ana Raquel: Difícil listar... mas amo Guimarães Rosa e sua língua; Drummond, Clarice... Castro Alves também é uma referência e tanto.

Jornal Em Dia Bragança: No Sub-versão em versos, você escreve sobre não ter um poeta favorito, isso é verdadeiro?

 Ana Raquel: É verdade, apesar de o poeta ser um fingidor (risos). Acho mesmo que tenho vários favoritos, e cada um cumpre sua função de encantamento e indignação.

Jornal Em Dia Bragança: Qual é o papel da poesia em sua vida? E no mundo?

 Ana Raquel: Honestamente, não sei ser sem poesia. Talvez o Altíssimo tenha desejado assim, porque até mesmo quando tenho de me dedicar a escritas acadêmicas, como o fiz em minha última pós-gradução, em cujo texto defendia, que pretensão a minha, a figura de Paulo Freire, que vinha sofrendo ataques absurdos, não consigo me desvencilhar dela. Meu orientador, inclusive, uma vez me alertou: Ana, o texto tem de ser científico, está muito poético (risos).

Agora, no mundo... Qual o papel da poesia no mundo? Torná-lo digerível, talvez? Modificá-lo à medida que sensibiliza e promove mudanças profundas no Homem? Acho que é isso. Enxergo a poesia como um meio de encantamento e transformação.

Jornal Em Dia Bragança: Você acredita que a literatura tem o poder de mudar a sociedade? De que forma? 

Ana Raquel: Acredito! Afinal, se ela tem o poder de transformar os homens... Existe algo mais poderoso que isso?

Jornal Em Dia Bragança:  Por que você se intitula uma autora “sub-versiva”?

Ana Raquel: Porque, e isso pode soar um tanto absurdo, em nossos dias, defender o óbvio, a justiça social, as minorias, a paz, é tentar subverter a ordem imposta. Além do mais, meu “apelido” desde a infância sempre foi “A do contra”, e sigo sendo assim, contra tudo que desumaniza, fere a liberdade, aprisiona e rouba a dignidade do ser humano. Subversão para mim, é isso! E é claro, subverti a escrita da palavra também.

Jornal Em Dia Bragança: Quais são seus planos e expectativas para o futuro, tanto na literatura quanto na educação?

Ana Raquel: Quero continuar em sala de aula enquanto puder, acredite, é um lugar mágico, palco de infinitas possibilidades. O contato com seres humanos absolutamente únicos é algo que me fascina.

Quanto à literatura, não posso simplesmente, um belo dia, desvencilhar-me dela, nasci com ela, morrerei com ela, sou um pouco poesia, quero continuar assim, só assim minha existência faz algum sentido. Em breve, um livro reunindo algumas das crônicas publicadas aqui, editado pela Gráfica Bra-gança, é claro.

Jornal Em Dia Bragança: Por que as pessoas devem ler Sub-versão em versos?

Ana Raquel: Para ajudar uma professorinha-poeta (risos). Brincadeiras à parte, as pessoas não devem ler Sub-versão em versos, elas devem aceitar meu convite para o encantamento, e junto comigo, se emocionar, se indignar, rir ou chorar, não importa. Sentir! Sentir importa!

 

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