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Editorial

Arte e cultura reinventadas

Após quase um ano e meio de pandemia do coronavírus, tudo mudou: o modo de nos relacionarmos com as pessoas, os hábitos de higiene, os cuidados com a saúde, os formatos de trabalho e de ensino, o dia a dia de sociedades em todo o mundo. Com a cultura, não foi diferente. Um dos setores mais impactados pelas restrições sanitárias viu o número de eventos despencar e teve de se reinventar para sobreviver.

Se, por um lado, é preciso evitar aglomerações na tentativa de frear a disseminação do vírus, por outro, artistas de todos os segmentos enfrentaram desafios financeiros, profissionais e até mesmo pessoais com a paralisação de suas atividades ou, pelo menos, a drástica redução delas.

Com a intensificação das campanhas de vacinação – que, no estado São Paulo, tem ocorrido em ritmo acelerado –, a vida começa a caminhar, aos poucos, para uma certa normalidade (ou para o “novo normal”). Os eventos que geram aglomerações ainda são proibidos, mas o setor da cultura já respira mais aliviado com o afrouxamento dos protocolos e, aos poucos, reinicia suas atividades presenciais, ainda seguindo todas as medidas preventivas.

Enquanto isso acontece, as atividades on-line se tornaram uma verdadeira sensação. Shows ao vivo transmitidos em redes sociais – as chamadas “lives” –, cursos digitais, exposições virtuais e tantas outras ações culturais tomaram conta da Internet, para atender a um público sedento por arte e entretenimento em meio a um duro confinamento. 

Unindo o melhor desses dois mundos, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo inovou e realizou, neste ano, seu tradicional Festival de Inverno, que termina neste final de semana, em formato híbrido. Ou seja, as atrações podem ser acompanhadas presencialmente, com público limitado no Centro Cultural Teatro Carlos Gomes (mediante inscrição), ou por meio das redes sociais da Prefeitura e da secretaria.

A iniciativa vem tendo boa aceitação por parte do público, que tem a oportunidade de conferir shows musicais, exposições fotográficas e artísticas, workshops, apresentações de dança, peças teatrais e muitos outros atrativos, de forma remota ou presencial.

Além disso, a realização é um alento aos profissionais da cultura, já tão castigados pela pandemia. Por meio do evento, mais do que trabalhar, eles podem mostrar o melhor de sua arte e seu ofício, interagindo com as pessoas e levando inspiração e entusiasmo em tempos difíceis.

Aliás, o papel da arte tem sido ainda mais fundamental nos dias de hoje. Em meio a um bombardeamento de notícias ruins, ela é capaz de reanimar, surpreender e, ainda, levar esperança em dias melhores. Seja por meio da música, da dança ou da literatura, nos palcos ou da tela de um celular, a arte sempre inquieta e traz o novo.

Por isso, a realização de um evento tão tradicional, ainda que desafiadora em virtude do atual cenário, foi e é muito necessária a todos: à cidade, aos trabalhadores e à população. Bragança Paulista, a Cidade Poesia, demonstra, mais uma vez, o seu engajamento com a arte e a cultura que, mesmo quando fragilizadas, têm enorme potencial transformador.

Ainda é preciso que todos nós adotemos os cuidados para fugir de um inimigo invisível, que ceifou milhões de vida em todo mundo, abalou economias e propôs novas formas de se viver, mas ainda podemos encontrar, na arte e na cultura, conforto e otimismo para acreditar em um futuro diferente.

Parabéns a todos os organizadores do Festival de Inverno e vida longa ao evento! Confira a programação do último final de semana de atrações e não deixe de prestigiá-las!

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