Na última segunda-feira, 15, dando continuidade à decoração de Natal na cidade, foram colocadas árvores feitas com material reciclado na rotatória da Avenida Antônio Pires Pimentel, próximo ao Mercado Municipal.
Parte da população desaprovou a iniciativa e iniciou uma enxurrada de críticas, especialmente por meio da rede social Facebook. Com isso, no dia seguinte, as mostras de arte foram retiradas.
Os arranjos natalinos em Bragança Paulista estão a cargo da empresa Delduque Produções Culturais Ltda., que foi contratada pela Prefeitura por R$ 76 mil. A polêmica que se criou em torno das árvores foi tão grande que gerou reportagens em grandes mídias.
O artista Fábio Delduque, um dos responsáveis pelos enfeites de Natal que estão sendo colocados na cidade, declarou por meio de seu perfil no Facebook: “Agora a noite tivemos uma notícia no mínimo polêmica, pois disseram que uma parte da população não entendeu nossa proposta de decoração e portanto terão que remover essas árvores que fizemos reciclando centenas de materiais que estavam inutilizados. Uma pena pois além de ainda inacabadas tenho a completa convicção de que num trabalho de arte como esse deveríamos mostrar o belo porém também apontar novas possibilidades para expandir a consciência, a crítica e a cultura das pessoas, mesmo tratando apenas de uma decoração de Natal. Comprar um monte de coisas chinesas prontas na 25 de março não contribui em nada para nenhuma reflexão crítica e muito menos para a economia da cidade. E achar que Bragança não está preparada para o novo e para a arte é subestimar a inteligência e sensibilidade do povo bragantino. Nós da Serrinha trabalhamos duro há muitos anos pra colocar Bragança no mapa cultural do nosso país e apesar de todas essas adversidades continuaremos batalhando por isso. Fica aqui esse depoimento, não irei impedir nada, façam como quiserem!”.
Já o secretário municipal de Cultura e Turismo, Quique Brown, em conversa com o Jornal Em Dia, disse que a secretaria cumpriu seu papel de fomentar a arte. “Se historicamente a Secretaria de Cultura fez a decoração de Natal e nunca se preocupou em fomentar a arte, agiu como decoradora, animadora de torcida, aí sim, é para se repensar”, apontou.
O secretário ressaltou que a decoração que está sendo feita pela empresa Delduque Produções Culturais não consiste apenas nas árvores tão criticadas, mas nos arranjos de toda a cidade, que não receberam críticas, mas sim, elogios. Um dos exemplos citados por Quique foi o presépio colocado no pergolado da Praça Raul Leme, elogiado até pelo bispo Dom Sérgio Aparecido Colombo, que teria enaltecido o fato de a decoração natalina deste ano resgatar o foco principal da data: o nascimento do Menino Jesus.
Sobre as esculturas de animais, colocadas no Jardim Público, que correspondem ao tema “Floresta Encantada”, Quique Brown disse que a intenção foi chamar a atenção do público infantil e que as crianças ficam realmente encantadas quando vão ao local.
Questionado se a decisão de retirar as árvores feitas de material reciclado foi precipitada, o secretário considerou que o prefeito se livrou de uma dor de cabeça, afinal, as reclamações foram muitas. “Não foi uma decisão minha em primeiro lugar”, afirmou.
Por fim, Quique observou que o fato mostrou o poder da internet e destacou que os planos para a decoração de Natal não foram alterados devido ao episódio das árvores da rotatória do Mercadão. “Não existe radicalismo. A única peça mais radical eram as árvores. No restante, tudo foi feito de forma extremamente tradicional”, concluiu.
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