Em 2002, época em que Bragança Paulista era governada por Jesus Chedid, foram sorteadas 374 moradias populares. Elas, porém, não existiam, ainda seriam construídas. Agora, após 12 anos, a Administração Fernão Dias/Huguette entregou as chaves para parte das famílias contempladas.
A cerimônia aconteceu na Escola Municipal Maria Erci Ramos Valle, no Henedina Cortez. Com o sorteio dos endereços já realizado, na segunda-feira, 15, foram entregues as chaves para cada uma das 51 famílias contempladas e que ainda não haviam sido assistidas com moradias populares.
Em nome da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), Ivan Dias de Campos afirmou que estava feliz pela entrega das unidades. “Isso aconteceu graças à forte atuação da Prefeitura, por meio do prefeito Fernão Dias, que tem se mostrado um grande parceiro”, declarou.
O chefe da Divisão de Habitação, Márcio Juviniano Barros, disse que acompanha a situação do Bragança F2 desde 2007 e, portanto, conhece cada uma das pessoas contempladas. Assim, ele reforçou o conselho para que as famílias se mudem o mais rápido possível para suas casas, a fim de que possam cuidar delas, e também para que não comercializem as unidades. “Agora vocês podem dizer ‘tenho residência e condição de morar num lugar decente’. Daqui para frente, a jornada vai ser muito mais de vocês do que nossa. Não estamos dando sonho daquilo que não existe. A gente não sorteia documento e a gente acredita que vocês realmente precisam dessas casas”, disse Márcio, que se colocou à disposição de todos.
Os vereadores presentes, Leonel Pereira Arantes, José Gabriel Cintra Gonçalves, Natanael Ananias e Noy Camilo, discursaram. Todos reconheceram o empenho da atual Administração em concluir as obras do conjunto e enfim, após 12 anos, entregar as moradias às famílias contempladas.
O secretário municipal de Saúde, Eurico Aguiar e Silva, conhecido como frei Bento, afirmou que toda vez que se coloca o ser humano em primeiro lugar é Natal. De acordo com ele, a Administração Fernão Dias/Huguette faz isso sempre, “por isso é Natal todos os dias”. Assim, ele abençoou as moradias e iniciou uma oração.
Em seguida, discursou o prefeito Fernão Dias da Silva Leme, que considerou que a entrega das casas é um presente de Natal para as famílias. O prefeito opinou ainda que era uma vergonha os contemplados terem de esperar por 12 anos para terem suas moradias e afirmou que uma Administração não pode ser medida por uma árvore de Natal.
O prefeito, então, apresentou Josué Heraldo da Silva, que, de acordo com ele, é o responsável pela conclusão das obras do Bragança F2. Conforme contou Fernão Dias, Josué, que é empreiteiro, aceitou ter um prejuízo estimado em R$ 1,5 milhão para finalizar as casas. O prefeito se emocionou ao contar a história do empresário.
“A gente procura fazer o bem, o que é certo. E nunca falta nada e nunca há de faltar. Que esta casa seja a primeira grande conquista na vida de vocês. E que também nunca falte nada na vida de vocês”, disse Josué.
Por fim, o prefeito retomou a palavra, dizendo que talvez tenha empregado o dinheiro que gastaria na decoração de Natal da cidade no asfalto das ruas do conjunto habitacional que estava entregando, o que motivou aplausos dos presentes.
E então foi realizada a entrega das chaves. O Jornal Em Dia acompanhou a cerimônia e conversou com alguns dos contemplados. A emoção que estavam sentindo era nítida pelos olhares e sorrisos.
Benedita Ravanelli afirmou que mesmo com esse longo período de espera não desistiu, não perdeu as esperanças. “Hoje estou feliz, mas já passei muita raiva nesse tempo. Queria só que meu marido estivesse comigo neste dia, mas infelizmente ele morreu há quatro anos”, contou.
Nilza Batista disse que agora, enfim, poderá sair do aluguel e então poder se alimentar melhor. “Eu já tinha perdido a esperança. Para pagar aluguel nesse tempo todo, até fome nós passamos”, declarou.
Eliane Neri Rosa contou que quando foi sorteada, em 2002, pensava que sua casa própria iria ser entregue rápido. Ao longo desses 12 anos, ela pagou aluguel e, nessa sexta-feira, 19, estava muito feliz. “Não tem como expressar o que estou sentindo, é uma felicidade muito grande”, falou.
Já Nilza Camargo Rodrigues Tafula declarou que ela não poderia ganhar presente melhor neste Natal. “Quando fui sorteada, achei que já ia entrar na minha casa logo. Deu até vontade de desanimar nesses anos, mas hoje estou cantando vitória”, afirmou.
ENTENDA A HISTÓRIA DO BRAGANÇA F2
Denominado Bragança F2, o conjunto habitacional foi iniciado sob o sistema de mutirão, por meio do qual a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) fornecia o material e as famílias contempladas custeavam a mão de obra.
Os anos se passavam e o sistema de mutirão mostrava que não surtiria os resultados esperados. Em 2004, Jesus foi reeleito, porém, acabou sendo cassado e João Afonso Sólis (Jango) assumiu a Prefeitura, em 2005. Em sua gestão, foi contratada uma empresa com o objetivo de que as casas do Bragança F2 pudessem ser concluídas. A empresa contratada, entretanto, não cumpriu o contrato.
Em 2007, ainda sob a gestão de Jango, a Administração fechou contrato com a Associação Comunitária de Habitação Popular de Bragança Paulista (Acohab) para a correção e término de 84 moradias, as quais foram entregues em 2012.
A obra das 290 casas restantes ficou um ano e meio parada por decisão da Justiça, sendo necessária uma nova licitação em 2009, com início das construções em 2010.
Mas, durante todo esse tempo, o preço que fora estimado para a construção das unidades subiu consideravelmente, o que dificultou a continuidade das obras. O governo do estado e o município, então, acordaram, em 2013, já na gestão de Fernão Dias da Silva Leme, que das 290 casas restantes, o estado ficaria responsável por 84 e a Prefeitura por 206.
Dessas 206, 51 foram entregues na última sexta-feira, 19, e as demais, 155, serão concluídas até março de 2015.
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