Desde 2016, quando a Igreja Catedral de Bragança Paulista passou por reforma interna, o espaço da Cripta, no subsolo da edificação, mantém um Museu de Arte Sacra que muita gente desconhece. De acordo com o padre Marcelo Falsarella, “o intuito foi fazer um acervo das obras sacras que fazem parte da Igreja Catedral. Organizamos em um único espaço como forma de preservação”, explicou, ao Jornal Em Dia.
Ali, é possível encontrar peças que estavam expostas na igreja e que foram substituídas após algumas adaptações necessárias; peças que estavam espalhadas e que agora compõem um conjunto dentro do acervo, como os quadros pintados por artistas bragantinos; peças às quais o público não tinha acesso, como os rascunhos feitos por Justino da Redenção, artista que pintou os murais da Via Sacra e ainda relíquias, como o sino da antiga igreja, aquela que foi demolida, e a cruz de pedra feita por escravizados e que ficava nos fundos na Catedral.
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Quando a antiga igreja foi demolida por problemas na edificação, muitas peças foram preservadas e transferidas para outros espaços. “A pia de batismo está na Igreja do Rosário. Ela foi preservada e colocada debaixo do altar de Santa Paulina”, conta padre Marcelo. A imagem do Senhor Crucificado, talhada em madeira e que é a mais conhecida pelos fiéis, foi criada para esta igreja, quando ela passou pelo processo de construção, nos anos 1970. Hoje, também se encontra no acervo da Cripta. A que está agora no altar, desde a reforma há cinco anos, é a da antiga igreja.
“A imagem em madeira tirada do altar foi colocada no museu porque ela e as demais imagens não se encontram na arte. Para isso, foi trazido o Cristo Crucificado da igreja anterior. Assim, conseguimos compor o encontro da arte. Essa imagem foi entregue pela Paróquia da Vila Apa-recida, onde ficou por muito tempo. Se imaginava que essa imagem estivesse em Socorro”, explica o padre. Além da imagem, o revestimento em latão marchetizado que a acompanha também está no museu.
Outras peças que pertenceram à igreja antiga são as portas do hall da Igreja São Benedito. “É uma porta de entalhe, tinha até o brasão da Diocese. Já me disseram que os vitrais da Igreja de São Benedito também eram da Catedral, mas não consigo afirmar concretamente. Também já me foi mencionado que a Via Sacra que pertencia à Igreja Catedral está hoje na Matriz de Atibaia, mas também não posso confirmar”, diz o pároco.
Algumas outras peças se encontram no Museu Municipal, como a cabeça da imagem de Nossa Senhora, que ficava na torre da igreja, além de vestes litúrgicas usadas pelos padres e bispos da época.
Além disso, na época da demolição da igreja antiga e construção da atual, muitas das imagens dos santos foram deixadas aos cuidados das famílias dos fiéis. Com o passar do tempo e das gerações, algumas foram devolvidas, outras não. A criação do Museu de Arte Sacra é uma boa oportunidade para que as imagens que ainda não retornaram ao acervo da Catedral possam retornar, para que, assim, sejam preservadas em conjunto, como patrimônio histórico da Diocese de Bragança Paulista, o que de fato são.
Como disse o padre, algumas peças não combinam na arte por serem feitas em estilos diferentes. No entanto, dependendo da forma em que forem dispostas e expostas, elas se harmonizam, como é o caso dos quadros de Nossa Senhora pintados por artistas bragantinos. “Na passagem do milênio, foi feita uma campanha entre os artistas da cidade e, para cada um deles, foi solicitada a pintura da padroeira de um país da América”, conta padre Marcelo.
Os quadros estavam expostos, anteriormente, no fundo da igreja, o que dificultava que fossem vistos e apreciados devidamente. No salão da cripta, é possível vê-los assim que se entra. As cores chamam a atenção e mesmo com estilos diversos não destoam estando no museu, pois, mesmo sendo um acervo de arte sacra, não é necessária a sobriedade de onde se realizam as celebrações, por exemplo. Ali, eles estão fixados em um pedestal inspirado nos usados no Masp (Museu de Arte de São Paulo) e não simplesmente presos nas paredes. Toda a disposição e o suportes para as peças foi pensado de forma que traga beleza para o todo, que preserve as peças e que também seja funcional.
Uma outra seção do museu é formada por molduras e um compartimento inferior. Essa ala está reservada aos bispos que passaram pela Diocese. A intenção é que, além da foto de cada um deles, abaixo, seja também colocado algum pertence litúrgico. Algumas fotografias já estão ali, mas boa parte do material ainda precisa ser adquirido.
Há, ainda, dentro do salão, o sino que pertenceu à antiga Catedral, restaurado, e a cruz que foi esculpida em pedra por escravizados e que, durante muito tempo, ficou exposta na Praça José Bo-nifácio. A intenção, segundo o padre Marcelo, é que ambas as peças sejam transferidas para a entrada da igreja, no topo da escada, assim que se encerrarem as obras de restauro da fachada da Igreja do Rosário e sejam iniciadas a da Catedral.
Outra relíquia que integra o acervo do museu é o conjunto de rascunhos que Justino da Redenção fez dos murais que pintaria. Os desenhos estão mantidos juntos e em sequência, preservados em vidro, logo na entrada do salão. As pinturas realizadas pelo artista durante os anos 1970 escondem uma crítica social à ditadura militar e suas formas são influenciadas pelo trabalho de Cândido Portinari.
O horário de visitação do Museu de Arte Sacra da Cripta da Catedral é de segunda a sexta, das 9h às 15h, e aos sábados, das 9h às 14h30.
Além disso, o salão da Cripta também abriga um restaurante que serve almoço por R$ 17,00. A verba é destinada à restauração da Igreja do Rosário.
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