Conheça a Chapa Coletiva, do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) de Bragança Paulista, e a Teia Colaborativa, do Partido Verde de Atibaia
Buscando uma nova forma de fazer política, mais democrática e inclusiva, as chapas coletivas vêm ganhando cada vez mais força no país. Nas Eleições de 2018, por exemplo, uma candidatura coletiva foi eleita pela primeira vez no estado de São Paulo. A Bancada Ativista, formada por nove ativistas políticos de diversas áreas, recebeu 149.844 votos e foi a 10ª candidatura mais votada no estado no pleito para a Assembleia Legislativa.
De acordo com as normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não é possível se candidatar em grupo oficialmente. Apenas quem formalizar sua candidatura na Justiça Eleitoral poderá ser eleito e exercer sua função política na Câmara. Por isso, na candidatura coletiva, os membros da chapa fazem uma espécie de acordo, em que um representa oficialmente todo o grupo. Contudo, as decisões políticas, a definição de projetos de leis e a votação são feitas em conjunto.
Assim, a chapa conta com um porta-voz, que terá seu nome oficializado e poderá ser votado nas urnas, assumindo uma cadeira na Câmara caso seja eleito, mas, como o mandato é colaborativo, o resto da equipe vai participar nos bastidores, nas discussões e debates políticos.
Apostando na adesão e colaboração da sociedade civil com o poder público, as candidaturas coletivas querem ampliar o diálogo e obter mais visibilidade política e representatividade na Câmara. Desse modo, as chapas podem ser mais plurais e representativas, agregando maior diversidade de ideias.
Para saber mais sobre esse tipo de candidatura, o Jornal Em Dia conheceu melhor dois mandatos coletivos da região: a Chapa Coletiva, do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) de Bragança Paulista, e a Teia Colaborativa, do Partido Verde de Atibaia. Confira:
CHAPA COLETIVA

A Chapa Coletiva, do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) de Bragança Paulista, é um projeto composto por mulheres. Tendo como principal base a defesa dos direitos humanos, a Chapa será representada nas urnas por Dani Russo, mas também conta com as ativistas Sol Correia e Thay Godoy.
Dani é mãe e ativista pelos direitos humanos, direitos da criança, por mães na política, meio ambiente e saneamento básico. É formada em Relações Internacionais, Tradução e Interpretação, com experiências de imersão em diversos cantos do mundo.
Thay, também mãe, é cozinheira, com experiência em Dança e vivência em diversas comunidades tradicionais do Brasil profundo. Milita por alimentação e merenda escolar dignas, direitos das pessoas com deficiência, agroecologia, direitos animais e culturas periféricas.
Por fim, Sol é professora e coordenadora pedagógica na rede pública estadual, formada em Ciências Sociais e Educação. Milita por educação, direitos da juventude, luta antifascista e direitos das mulheres.
Elas decidiram se unir em 2019, “olhando para o cenário político que se configurou e com vontade de ser agentes e entrar na disputa de narrativa no nível local”. “Temos pessoas mais ligadas à militância partidária, outras que já atuaram na gestão pública e hoje estudam políticas públicas, e outras que são ativistas em diferentes pautas, como alimentação, educação, comunicação, desigualdade social, questões étnico-raciais, de gênero e LGBTQIA+, com diferentes intensidades. Em resumo, somos um coletivo plural, com trajetórias igualmente plurais, mas que compreende a importância de convergir forças para propor alternativas e dar voz às vozes que soam às margens nessa cidade. Temos nossas porta-vozes na linha de frente, mas somos muitas e muitos construindo essa chapa”, descrevem.
Segundo as integrantes, a Chapa Coletiva “é uma forma diferente de fazer política, muito mais perto das pessoas”. Elas defendem, sobretudo, um projeto totalmente oposto ao do conservador governo federal. “Quando a gente olha para os resultados das últimas eleições, a gente dá uma desanimada. Parece que foi a cidade toda que optou por esse projeto [do Governo Bolsonaro], que acha que tudo pode ser resolvido ao armar, retirar direito das pessoas e estimular discursos e ações de ódio. A Chapa Coletiva é uma candidatura coletiva que não se juntou com nenhuma pessoa ou partido que apoiam o atual governo”, ressaltam.
Assim, elas contam com o apoio das pessoas que votaram contra o governo eleito no pleito de 2018. “Foram 16.995 pessoas que saíram de casa para dizer “Ele não!” nas urnas. Mais de 16 mil pessoas, não é um número pequeno. Somos muitos e somos muitas, mais de 16 mil pessoas e, juntos e juntas, podemos fazer a diferença na cidade. A chapa coletiva quer dar voz a essas muitas pessoas que acreditam que é possível construir outros caminhos”, dizem, salientado, que para isso, nem precisam dos 16 mil votos, e sim, de cerca de ¼ desse total, ou seja, menos de 5 mil votos.
Apostando forte nas redes sociais, as integrantes reforçam que não concordam com o atual jeito de se fazer política. “Eu sinto muito incomodo ao não ver gente que lute pelo que eu acredito ali, por outro lado, eu penso: Vai adiantar clamar e esperar que outros façam o que eu ache ser o melhor? Com isso, me juntei com outras pessoas que acreditam que política não ‘tá’ fora da gente: É para ser ocupada”, dizem, em um vídeo, que conta com a presença de diversos apoiadores da causa.
Ao escolher a Chapa Coletiva, elas garantem que o eleitor “vota em uma candidatura progressista com a certeza de que não vai eleger junto nenhum bolsonarista”. Para saber mais sobre o projeto, acesse: facebook.com/chapacoletiva/ ou instagram.com/chapacoletiva/.
TEIA COLABORATIVA

Idealizada e representada pelo professor e antropólogo Paulo Malvasi, a Teia Colaborativa, do Partido Verde, em Atibaia, tem como base as causas humanas e sociais. Paulo é professor na cidade de Atibaia desde 2000, quando começou a lecionar em um cursinho comunitário. Iniciou sua carreira como professor universitário em 2004 na Unifaat, foi coordenador de Ações Comunitárias da Prefeitura Municipal de Atibaia de 2004 a 2006 e, durante toda a sua trajetória, participou de diversas ações sociais, culturais e de geração de renda na cidade. Reconhecido nacional e internacionalmente por seu trabalho como antropólogo, é consultor em políticas públicas para a juventude, assistência social e saúde pública.
Paulo conta que a ideia surgiu em 2018, quando ele sentiu “uma necessidade grande de fazer mais do que vinha fazendo como professor e pesquisador”. “Para mim, cada ato profissional, cada ato da minha vida é um ato político, mas eu cheguei a uma conclusão pessoal de que o mundo passa por uma transição séria, por uma crise grave, e que as pessoas que têm condições de se dedicar um pouco mais para causas sociais e humanas devem fazer isso nesse momento histórico”, explica.
Porém, ao invés de fazer isso sozinho, convocado pela “realidade, a consciência e a responsabilidade”, optou pelo mandato colaborativo. “Decidimos agir coletivamente, a partir do que sabemos fazer melhor, na terra onde vivemos, Atibaia. Por isso, formamos uma teia capaz de elaborar um programa de ações e projetos para que nossa cidade seja ainda mais bela, próspera, sustentável e segura”, relata.
Nesse sentido, buscou por pessoas que em quem confiava e pelas quais tinha admiração para formar uma chapa coletiva. “Começamos a levantar nossas competências, conhecimentos e afinidades. Nesse movimento, formamos uma rede composta por um grupo professores, artistas, produtores, profissionais da saúde, especialistas em diferentes áreas de políticas públicas, que cooperam para auxiliar a organização da cidade de Atibaia”, fala.
Desse modo, a Teia possui um conselho cidadão, composta pelos seguintes integrantes: Magda Venâncio, pedagoga e diretora de escola; Paulo Malvasi, antropólogo e professor; Paulo Rodrigues, agrônomo e organizador de hortas de alimentos orgânicos; Rita Bergo, médica e professora; Vitor Carvalho, fotógrafo e produtor cultural.
Assim, a chapa conta com cinco membros, cujo representante nas urnas será Malvasi. “A Teia surge para servir, se dedicar à comunidade de Atibaia como um polo de criação de políticas públicas, de articulação do setor público com a sociedade organizada, e contribuir para que Atibaia mantenha as suas qualidades e se desenvolva de uma maneira saudável”, comenta.
A médica Rita Bergo ressalta que “a Teia é aberta para a participação de todas as pessoas que têm também esse propósito, de discutir o coletivo, discutir o bem comum, discutir caminhos para melhorar ainda mais a nossa cidade”. Para a educadora Magda, “a proposta da Teia é trabalhar pelo cidadão, com o cidadão”.
Todos os integrantes possuem características em comum, dentro de suas áreas de atuação. “Temos dedicado nossas vidas para realizar em Atibaia tarefas necessárias para uma vida melhor: educar para a autonomia, cuidar da saúde individual e coletiva, produzir alimentos regenerando o ambiente, difundir a cultura, gerar oportunidades para os jovens, garantir a dignidade humana; abraçar de fato a cidadania”, entregam.
Paulo define a Teia Colaborativa como um movimento social, composto em sua maioria por professores, de todas as áreas do conhecimento, níveis da educação e esferas governamentais e privadas. “Sou educador político, pois minha principal tarefa é aprender e ensinar sobre política: apenas a cidadania pode cumprir esta tarefa”.
“Decidimos nos unir para estabelecer uma rede de relações voltada a estudar, elaborar e realizar um projeto de cidade viável, inovadora e humana”, concluem os integrantes da Teia Colaborativa. Conheça mais sobre a iniciativa em: facebook.com/teiacolaborativaatibaia ou envie uma mensagem para o WhatsApp: 9 3754-3447.
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