Cidade Poesia faz 252 anos e escritores se reúnem para contar um pouco de sua história

Bragança Paulista comemora, no dia 15 de dezembro de 2015, 252 anos de fundação. Desde a capelinha erguida no alto de uma colina à margem direita do Ribeirão Lavapés, para cumprimento de uma promessa a Nossa Senhora da Conceição, até os dias de hoje, muitos fatos entraram para a história do município.

E para recordar e contar a quem não sabe alguns deles, a UBT (União Brasileira de Trovadores) – seção de Bragança Paulista, a Ases (Associação de Escritores de Bragança Paulista) e o memorialista Luís Antônio Palombello se uniram e elaboraram vários cordéis, os quais serão publicados em forma de livretos e poderão ser adquiridos em uma exposição que será feita na sede da Ases, de 10 a 15 de dezembro, das 14h às 17h30.

Além dos poemas, a população poderá ver fotos antigas da cidade, as quais foram cedidas pelos cordelistas e por Antônio Sonsin.

“A ideia de retratar nossa cidade na modalidade cordel, poema popular setessilábico com rimas programadas, partiu da presidente da UBT Bragança Paulista, Lóla Prata. Para as capas, foi utilizada a técnica de xilogravura, com oficinas ministradas pelo artista plástico Tadeu Pannuncio. Muitos dos próprios cordelistas elaboraram as capas de seus cordéis e aqueles que não possuem talento artístico pediram aos demais para que os ajudassem. Assim, grande parte das capas foi elaborada por Lyrss Buoso e Myrthes Spina”, contou Henriette Effenberger, diretora de eventos da Ases.

O título da exposição será “Histórias da Cidade Poesia – Gente – Fatos – Memórias”. Alguns temas escolhidos pelos cordelistas são: Rio Jaguari, Educação em Bragança Paulista – A vaca que já foi turma (refere-se à chamada Turma da Vaca, que existiu em Bragança nas décadas de 50 e 60 e que reuniu dezenas de jovens para realização de festas beneficentes, bailinhos, espetáculos teatrais e musicais, entre outras coisas), o Ribeirão Lavapés, a Padaria Cacozzi, a Estrada de Ferro Bragantina, o histórico de Bragança Paulista, o Ferroviários Atlético Clube, a história da ASES e da UBT, a Capela de Santa Cruz dos Enforcados, as sete colinas de Bragança Paulista, a Montanha do Leite Sol, o Padre Aldo Bollini, o Jardim Público, a Igreja de Santa Terezinha, o Lago do Taboão, a ABCC (Associação Bragantina de Combate ao Câncer).

E o Jornal Em Dia se une aos escritores e divulga a partir desta edição até a do dia 15, do aniversário de Bragança Paulista, alguns cordéis selecionados para a exposição.

Para a estreia, os leitores conferem as obras de Maria Ignez Freitas Fonseca (Origem e evolução da cidade de Bragança Paulista) e de Norberto de Moraes Alves (O cemitério que virou jardim).

 

ORIGEM E EVOLUÇÃO DE BRAGANÇA PAULISTA

 Maria Ignez Freitas Fonseca

 

Vou falar dessa cidade,

pela qual tenho paixão,

linda Bragança Paulista,

que trago no coração,

é com orgulho que escrevo,

extravasando a emoção.

 

Bragança terra formosa,

feita de luz e magia,

por todos é conhecida,

como a cidade poesia,

ela é muito hospitaleira,

vivemos em harmonia.

 

Bem na entrada da cidade,

de quem vem da capital,

existe um lago lindo,

é o nosso cartão postal,

quem o conhece se encanta,

com sua paz natural.

 

Lá no alto da colina,

onde a cidade nasceu,

pra cumprir uma promessa,

foi que a história se deu,

foi erguida uma Capela,

e o vilarejo cresceu.

 

Dona Ignácia Pimentel.

vendo o marido doente.

rogou a Virgem Maria,

por uma graça urgente,

prometendo construir,

uma igreja de presente!

 

Seu Antônio foi curado,

o milagre aconteceu,

e Dona Ignácia feliz,

fervorosa agradeceu,

E cumprindo o prometido,

A capela ela ergueu...

 

Foi assim que se iniciou,

a cidade de Bragança,

pautada no amor e fé,

e também na esperança,

essa vida é um milagre,

quem acreditar alcança!

 

Hoje Bragança Paulista,

nada tem do povoado,

numa próspera cidade,

ela tem se transformado,

além de belas paisagens,

que vemos por todo lado.

 

Entre montanhas e vales,

Bragança está situada,

nossa cidade altaneira,

pelo seu povo é amada,

por mais longe que eu vá,

há de ser sempre lembrada.

 

Nossa Santa Padroeira,

que por todos é amada,

Senhora da Conceição,

Virgem mãe abençoada,

protegei nossa cidade,

Santíssima Imaculada!

 

Pela história singular,

e por poder escrever,

sobre a terra que nasci,

só tenho que agradecer,

aqui eu cresci e vivi

e um dia hei de morrer!

 

O CEMITÉRIO QUE VIROU JARDIM

Norberto de Moraes Alves

 

Trago ainda na memória

do meu tempo de menino

as histórias de mistério.

Os uivos de cão danado

e os miados de felinos

na porta do cemitério.

 

Esse era o meu trajeto

quando voltava da escola.

Meu pai dizia brincando:

– Ponha o medo na sacola,

mas nunca venha sozinho,

volte pra casa direto.

 

Saudade doce de ontem,

triste lembrança de agora.

Era tempo de pobreza

que trago preso à memória,

só dor em dias de guerra,

tempo de luto e vitória!

 

O que já foi cemitério

tornou-se um belo jardim,

flores por todos os lados.

muita sombra acolhedora

protegia os namorados

e as paixões imorredouras.

Lembro do velho coreto,

cartão postal da cidade,

músicas que encantavam

o povoado local...

Era só felicidade

qual festa de carnaval!

 

Lembro o Colégio São Luís

trazendo alegria e bonança,

formando tantos doutores,

representando a esperança

porque trazia o futuro

para a querida Bragança.

 

Também perto do Jardim

– recordação infeliz –

velho prédio da cadeia,

ao lado do São Luís,

na lembrança é só areia

preservá-lo ninguém quis.

 

Choro pelo meu passado

vendo em sonho meu jardim

com casais enamorados

numa alegria sem fim,

hoje tão abandonado

chorando dentro de mim...

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