Fotos: Divulgação
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Cultura

“Com um vinho honesto, vamos brindar estes 30 anos”: Ases celebra Jubileu de Pérola e Dia do Escritor

A Associação dos Escritores de Bragança Paulista é reconhecida pelos trabalhos culturais e concursos estudantis no município

Imprensado entre modernos prédios comerciais da Rua Coronel Leme, no Centro de Bragança Paulista, se encontra um modesto imóvel amarelo de bordas brancas e arquitetura antiga. A inerte coruja de concreto, vigilante, no alto da fachada, e o logotipo que, diferente do que muitos imaginam, não é um sol, mas pessoas que partilham uma mesma cabeça, denuncia: estamos na sede da Associação dos Escritores de Bragança Paulista, a Ases. Neste sábado, 23, às 20h, dois dias antes do Dia do Escritor, a entidade encerra, no Centro Cultural, as comemorações por seu Jubileu de Pérola, uma história que começou em 1992 graças à dedicação de pessoas que acreditaram no título de “Cidade Poesia”.

Dentro da sede, sentada à mesa e com um caderninho de anotações, a diretora de comunicação da entidade, Maria Inês de Oliveira Chiarion Zecchini, conta que a associação é formada exclusivamente por pessoas que não têm nenhum tipo de vaidade pessoal, mas cultivam o gosto pela leitura e a vontade de aprender e partilhar seus saberes. E foi assim desde o início, quando Lóla Prata, inspirada na Academia de Santos, chegou a Bragança e encontrou apoio na Universidade São Francisco e, posteriormente, nos sócios pioneiros. Juntos, fundaram a Ases.

Os primeiros integrantes, como conta Zecchini, realizaram um impressionante trabalho de documentação da história bragantina, da qual a geração atual se beneficia até hoje: “Muitos deles eram antigos ferroviários ou descendentes desses ferroviários, então eles têm muitos registros e escrevem muito sobre a Bragança ‘raiz’. São pessoas que realmente viveram essa história”.

Até 2003, no entanto, a Ases não tinha uma sede fixa, mas realizava suas reuniões mensais numa sala, localizada na “Sinfônica”, hoje a Casa de Cultura. O imóvel atual foi cedido por meio de comodato pela Prefeitura em 1998, com contrato assinado em 2000 e a inauguração oficial em 2004, no Dia do Escritor. Apesar da alegria, demorou para que um desejo antigo da associação se tornasse realidade: o investimento do município no título de “Cidade Poesia”.

Foi apenas nos últimos anos que a cidade realmente se voltou para essa manifestação cultural, que é a arte de escrever: a inauguração da Praça da Poesia “Poeta Oswaldo de Camargo”, em 2021, e a estátua em tamanho natural do próprio poeta, foram alguns dos reconhecimentos.

“Esse nome na verdade surgiu há muito tempo e o grupo aqui sempre batalhou para trabalhar essa Bragança como uma cidade de poesia. [As pessoas] Achavam que culturalmente ou turisticamente não tinha retorno, que era melhor investir na ‘terra da linguiça’, quando na verdade poderia e deveria ser como agora, mesclar mais [as atribuições] e fortalecer a parte cultural da cidade”, relata Maria Inês.

ASES JOVEM E CONCURSOS ESTUDANTIS

Um dos grandes orgulhos da instituição foi a Ases Jovem, coordenada pelo casal Maria e Antônio Cestari, em meados de 2008, e que foi berço de inúmeros talentos na cidade. Os jovens que compuseram este departamento estavam na faixa etária dos 11 aos 21 anos: uma vez na semana, todos se encontravam na sede para a realização de atividades de estímulo à escrita. Lembranças da época ainda podem ser encontradas no site da Ases, na seção “Ases Jovem”, que além de fotos, traz também produções dessas pessoas que hoje já são adultas.

Maria Inês recorda com nostalgia este período único e afirma que o projeto pode renascer no futuro, desta vez com os jovens atuais, uma geração nascida em meio à internet, mas que, com o direcionamento adequado, pode se mostrar muito capaz no meio literário.

Embora o departamento juvenil não exista mais, o grupo nunca deixou de trabalhar com a juventude bragantina. Os concursos literários são a grande vitrine da Associação dos Escritores, tendo o concurso estudantil 24 anos de história. A edição de 2022, por exemplo, já ficou marcada pela modernização nos envios dos trabalhos pela internet, sem necessidade do habitual montante de papéis. Ao todo, 22 escolas participaram e 327 inscrições foram feitas, número baixo se comparado ao período pré-pandemia. Visto a crise educacional deixada pela Covid-19, os escritores, entre eles alguns professores, entenderam as justificativas de algumas escolas que ainda tentam recuperar o tempo perdido.

A pandemia, aliás, também foi um grande obstáculo para os associados, uma vez que impediu a realização de todos os trabalhos desenvolvidos presencialmente. Até mesmo os membros mais idosos precisaram se acostumar com as lives e reuniões virtuais.

“Eles são muito intensos, então de vez em quando eles brincam de uma maneira com outro que você acaba rindo”, diz a diretora de comunicação, animada. “Eu sou de uma geração mais nova, então eu me divirto muito porque eles acabam se transformando numa grande família, mesmo no on-line. A gente se diverte demais”, completa.

A Ases aproveitou a reclusão do isolamento para produzir. Além de um sarau virtual, pelo Dia do Escritor de 2020, e o projeto de incentivo à leitura, por meio do qual foram depositadas caixas com livros em espaços públicos, nestes dois anos o grupo também lançou um livro de cartas e desenvolveu muitas ideias, que ainda devem ser colocadas em prática.

JUBILEU DE PÉROLA

Oficialmente, o aniversário da Ases é em 22 de fevereiro, mas como a associação não estava efetivamente liberada para tais comemorações, a celebração foi deixada para julho, justamente por conta do Dia do Escritor, data da qual os integrantes se orgulham de nunca ter passado em branco. O evento será dividido em duas partes: na primeira, como de costume, será realizado um cerimonial bastante formal, pautado no lançamento da Revista “Aqui tem literatura”, que conta a história da instituição sem fins lucrativos. Na sequência, os vencedores do concurso Cidade Poesia, que já soma seis anos de história, serão devidamente premiados.

Na segunda parte, os convidados participarão de um coquetel de comemoração. “Como diz a sócia pioneira e ex-presidente, Henriette Effenberger: ‘Com um vinho honesto, vamos brindar!’, entrega Maria Inês, aos risos.

“Eu acredito que a gente está trabalhando bastante para deixar raízes fortes, para a Ases permanecer por muito tempo. Quem sabe meus filhos e meus netos ainda continuem! Deixo o convite para todo mundo que realmente queira conhecer, estaremos sempre de portas abertas!”, conclui.

Atualmente, a diretoria da Ases é composta por Fábio Siqueira do Amaral (presidente); Myrthes Neusali Spina de Moraes (vice); Maria Cristina Capodeferro (finanças); Henriette Effenberger (eventos); Wadad Naief Kattar (social); Joarez de Oliveira Preto (patrimônio); Maria Inês de Oliveira Chiarion Zecchini (comunicação); Lyrss Cabral Buoso (adjunta de secretaria); Silvana Cardoso de Almeida (biblioteca) e Regina Maria Zanini Damázio (secretária).

Saiba mais sobre a entidade no site: https://www.asesbp.com.br/.

 

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