Nesta edição, os leitores poderão conhecer um pouco mais sobre a história de Bragança Paulista ao longo desses 252 anos.
Por meio de cordéis elaborados pela primeira turma de cordelistas da cidade, ligados a Ases (Associação de Escritores de Bragança Paulista) e a UBT (União Brasileira de Trovadores) – seção de Bragança Paulista, estão contadas as histórias do padre Aldo Bollini, cuja morte ocorreu há 32 anos (4/12/1983), da Paróquia de Santa Terezinha e São José, da Estrada de Ferro Bragantina e da Montanha Leite Sol.
Esse último poema foi escrito pela jovem Beatriz Lancellotti, de 15 anos, integrante da Ases Jovem.
Vale informar que começa na próxima quinta-feira, 10, a exposição “Histórias da Cidade Poesia – Gente – Fatos – Memórias”, que poderá ser vista na sede da Ases, até o dia 15, das 14h às 17h30. Além dos cordéis, o público poderá ver algumas fotos antigas da cidade.
Confira os poemas:
MONTANHA DO LEITESOL
Beatriz Lancellotti
Olhando aquela montanha,
com suas curvas como o mar
que me fazem expressar
a paz que sinto cantando,
tudo o que me passa amando
e que me faz encantar.
A vista de um lindo céu
no topo dessa montanha
livre de todas as manhas
neste paraíso imenso,
sou livre com o que penso
longe de todo escarcéu.
A beleza de suas flores
que formosas aparecem
na primavera florescem,
para mostrar todo encanto
que existe nesse recanto
celebrando os seus primores.
Montanha do Leitesol
suas encostas rochosas,
suas curvas luminosas,
refletindo tanto brilho,
permeando sobre o trilho
mostram os raios do sol.
Com suas pedras divididas
ambas fazem-se irmãs,
ao silêncio das manhãs
sobre suas cores que dançam
e seus perfumes que lançam
em meio a toda sua vida.
Inicio a subida
pelas curvas do caminho
posso caminhar sozinho
me escondo na quietude
que encontro na juventude,
ao enfrentar a partida.
Entre as árvores encontro
a inspiração procurada,
a paz tanto desejada
que reflete meu viver,
com o meu jeito de ser
nessa vida, ao florescer.
Me faz sentir tão poeta,
me faz vibrar de emoção
traz-me grande inspiração
e com tamanho vigor,
posso falar desse amor,
que existe em meu coração.
No luar da lua amiga
sou livre nessa subida
lembrando da despedida
que feriu meu coração
busco com minha emoção
curo e transformo a ferida.
Por aqui posso ficar
deixo as horas dissolverem,
meus olhos enriquecerem
nessa vista que fornece,
o silêncio prevalece,
belas horas sem cessar.
Junto a seu índio deitado
dormindo se faz real,
ora! Sua beleza ideal
o recobre mansamente
e deitado eternamente
guarda essa serra calado.
Linda montanha do índio,
o grupo eco de Bragança
encheu-nos com esperança,
porque pode te salvar
tua beleza exaltar,
para que eu possa falar
com tristeza e lamento
das agressões ambientais,
que ameaçam as naturais,
riquezas primordiais
belezas originais,
que encontramos no momento.
Na Serra da Mantiqueira,
vista de extrema beleza,
amantes da natureza,
amantes das aventuras
que envolvem as criaturas
cheias de paz, com certeza.
Montanha do Leitesol!
Patrimônio ambiental,
patrimônio cultural,
herança da natureza
exalto tua beleza,
Patrimônio Nacional!
SANTA TERESINHA, SUA IGREJA E EU
Odete Bin
No ano de mil novecentos
com mais oito e mais quarenta
faça a conta quanto dá;
a cidade ainda era lenta,
por essa data veio um padre
saciar alma sedenta.
Chegou padre Aldo da Itália
a trabalho missionário
no bairro do Matadouro;
era padre visionário
também assim o seu povo
um com o outro solidário.
Trouxe alegria, esperança
conduzindo sua igreja
sendo servidor da vida
e a idade bendita seja
como testemunha viva
se há história sem peleja.
Entrou na capela rústica
erigida no alto do morro
simples, pobre como quê,
precisada de socorro,
de fraternidade em dobro
desde o chão, parede e forro.
Tornou-se bela paróquia
com nome de Teresinha
e também de São José,
porque na cidade tinha
um bispo com esse nome
e em socorro ao padre vinha.
Aos domingos, lá na igreja,
Aldo, esse famoso padre
em latim rezava a missa
e eu falava para a madre:
- outra língua com latim?
- nessa missa não me enquadre!
Ele ali continuava
pois já era a sua igreja
e também paróquia minha;
o principiante peleja
mas busca consolação
e Teresa assim deseja.
Era padre de domínio
um presente pra Bragança;
tornou veloz a cidade,
criou creche pra criança,
profissões, bairros, igrejas
com poder fez aliança.
Padre Donato, como ele,
recém chegado da Itália
falava na mesma língua
também igual na sandália
isto querendo dizer,
viver de modo que valha!
Inversão do padre Aldo
era assim padre Donato:
“anjo ambulante de moto
imolado para o fato,
nas cerimônias, um místico
praticando o celibato”.
Tinham lemas em comum:
- pregar a religião
- bem saber ler e escrever
- se preparar na instrução;
por isso constroem escolas
para a mãe ter profissão.
Assim foi criado o ISE,
doado terreno à escola
com nome de “Assis Gonçalves”,
um teatro ali descola
com verba de deputados
tudo, tudo sem parola.
Ofereciam momentos
de lazer e aprendizado:
bar, salão de jogos, bocha,
sala de música ao lado,
além de corte e costura,
festa junina do agrado.
Para em Bragança morar
deixamos nossa cidade;
por ser morada dos sonhos
sonhei com felicidade
e também ver a santinha
que morrera em tenra idade.
Num sonho de asas abertas
parti com velocidade
ocupando todo o espaço
muito fora da verdade,
pois, reinar nada custava;
fiquei bastante à vontade.
Pensei encontrar um amor
gostaria vê-lo agora
para cair em seus braços
mas que fosse lá de fora
e contudo que eu depois
morresse na mesma hora.
Morrer não, por que morrer
e condenar-se novinha?
Vestir-me toda de noiva
ficaria bonitinha
e na mão buquê de flores
igual Santa Terezinha!
Se meu pai disso soubesse
roubaria a liberdade
não queria que eu gozasse
da distração da cidade;
de mim faria prisioneira
segurando a santidade.
Tudo não passou de um sonho
mas santos sonham também;
no convento Teresinha,
mas o meu foi mais além;
alguém me ensinou a olhá-la
nesse mundo de vai-e-vem...
Se pecados cometi
está bem esclarecido;
Deus é verdadeiro e pai
mesmo ficando escondido;
hoje quando penso nele
já me sinto arrependido.
O homem, mesmo sendo bom
muitas vezes é chamado
para pecados pagar
levando fardo pesado
sofrimento bate à porta,
é de espinhos coroado.
Críticas injustas doem,
doem mais que qualquer dor;
o melindre mexe n’alma
dando inveja, perde amor.
Dizia assim Teresinha:
- são poucas as que dão flor.
Após fixada em Bragança
ia à missa sempre ali
no bairro da Matadouro,
na linda igreja que vi
e desde que lá cheguei
dela nunca me esqueci.
Eu fiz com Donato Vaglio
a primeira comunhão;
quando histórias nos contava
com tanta satisfação,
em Deus fixava seus olhos
nos chamando à adoração.
Tateando, praticava
a língua com expressão
preparava como nunca
com Deus Pai no coração
o bê-á-bá com fervor
e o evangelho por lição.
Ensinava sobre o Pai,
como exemplo era Jesus;
viver na amizade deles
quer dizer andar na luz.
Ouvia, não entendia;
hoje entendo, faço jus!
O sábio padre Donato
com tudo que se imagine
fazendo papel de pai
dizia: “não se decline”
mostrando que Teresinha
para Jesus se define.
Encorajou-me a ensinar
catecismo à criançada;
eram almas caminhando
com Teresa, uma aliada
e Cristo também conosco
em cada manhã velada.
Eu falava com os santos
mais com santa Teresinha
sempre pedi-lhe favor
era de confiança minha,
servidora e missionária,
interceder por mim vinha.
Quando voltava da escola
de joelhos, com cautela
pedia cheia de amor,
a sua fiel donzela,
um futuro promissor
mas que fosse sem procela.
Eu lhe escrevi dois bilhetes
porque tinha precisão,
a respeito de mamãe
por causa do coração
e neles pus toda a fé,
precisava de atenção.
Em cada um sempre continha
para Teresa um pedido
implorando sua bênção
não havia me esquecido
da amiga de caminhada
daquele tempo florido.
Um era assim: - Teresinha,
amiga de caminhada
és modelo para mim
quando me vejo arranhada,
nunca me negue atenção,
mesmo sendo madrugada.
Com olhar de rogo vinha
Teresinha bem sabia
pela posição das mãos;
junto ao pedido do dia
soluçando de tristeza
prontamente me atendia.
Pela visão de Deus Pai
essa santa descobriu
a beleza do Evangelho.
Desse belo se vestiu
esse foi segredo seu
e como Deus lhe sorriu!
Ela fez experiência
pessoal de salvação
de sua alma fez pequena
e tamanha era a atenção
de somente a Deus louvar
por amor à criação.
A menina boazinha
vinha consolar criança
que cedo aprendera a amar
para deixar por lembrança,
o legado de seu pai
sua amorosa bonança.
Por causa de minha fé
recebi sua mensagem
e garanto à santidade
que não foi por malandragem,
também não invenção minha;
foi na esperança e coragem.
Passei minha adolescência
indo na igreja rezar;
não vi sem igual surpresa
a mocidade chegar,
mas Teresinha lá estava
no altar sempre a me esperar.
Rosa ofertei com espinhos
sem espinhos devolveu
por ser minha intercessora
com amor me recolheu
e cada ação praticada,
floresceu, não feneceu.
Tantos padres já passaram
na igreja de Teresinha
com veracidade e fé
buscando o povo que tinha
e continuam buscando;
hoje é Tião: eis a vinha.
Desde menino sentia
tanta alegria em servir
crescendo em amor e fé;
tinha Deus a lhe instruir
qual a estrada preferida
pra plantar e produzir.
Vindo a Bragança servir
traz história do seu povo
e ouvindo sua palavra
a aurora se faz de novo,
pois testemunha a verdade
e eu, junto ao povo o promovo.
Entregando-se ao trabalho
vive a Páscoa de Jesus
na expressão maior do amor;
evangeliza sob luz
o caminho que escolheu;
toda a igreja ele conduz.
E Teresinha nos olha
consciente à nossa dor
transformando toda em rosa
muitas bênçãos do Senhor.
Que saibamos cada dia
partilhar do nosso amor.
Enfim, ao chegar a morte
para vermos o Senhor,
Teresinha de Jesus
nossas falhas nos releve
e em nosso final suspiro
leve-nos hino de amor.
ESTRADA DE FERRO BRAGANTINA – OS TRILHOS SAEM DO CHÃO E VIRAM RECORDAÇÃO
Henriette Effenberger
I
Trago aqui estes meus versos,
escritos de coração
e relembro esta história,
de amor e dedicação.
Pois não me sai da memória,
o seu derradeiro apito
na estação do Taboão,
que soou tal qual um grito
no meio da multidão,
naquela noite inglória.
II
Na praça Nove de Julho,
Eis que ali jaz o trenzinho,
– nossa Maria Fumaça –
Escondida em um cantinho,
quase perde sua graça,
suja, presa, abandonada,
longe dos dias de glória,
a infeliz Número Três,
em condição vexatória,
perdeu aquela altivez.
III
Talvez recorde, saudosa,
dos anos de servidão,
da lenha que a alimentava,
que transformava em carvão,
e no ar se esfumaçava.
Saudades tem do foguista,
enchendo sempre a fornalha,
e do antigo maquinista,
salpicado de limalha...
ao som de ca-fé -com -pão...
IV
O século? Dezenove!
Empresários com visão
e fazendeiros respeitáveis
acertaram em reunião,
propostas admiráveis
de inovar a região,
facilitando o transporte
do nosso café em grão.
E a partir desse suporte,
das ideias fez-se a ação.
V
Ela se lembra tão bem...
Foi em abril – dia seis
do ano setenta e dois,
e se chamou trinta e seis,
a lei que veio depois.
A Provincial que dizia:
– inicie a construção
do trecho da ferrovia:
Campo Limpo – Taboão.
E se instaurou a alegria!
VI
Com o nome bem pomposo:
Companhia Bragantina
ela foi iniciada
e chegou nesta colina
de esperança renovada.
Era dezembro e o ano
da graça, setenta e oito.
E assim, sem desengano,
o progresso chega afoito
pelos trilhos desta estrada...
VII
No ano de oitenta e quatro
deu-se a inauguração
da linha da Bragantina
Campo Limpo – Taboão.
Esse trecho inicial,
era parte da extensão,
prevista no original
traçado da construção,
que, enfim, chegou ao final,
sem nenhuma confusão.
VIII
O trenzinho apita alegre
por uma década inteira
com a Maria Fumaça,
sempre lépida e faceira,
passando cheia de graça...
Mil novecentos e três:
eis que a nossa Bragantina
passa a ser de dono inglês.
Mais estações aglutina,
com seu jeito tão cortês.
IX
No novecentos e doze
a linha estava completa.
Quilômetros? cento e sete!
Fora atingida a meta
e mais progresso promete.
No ano quarenta e seis,
o governo federal
dá um tchau para o inglês,
devolve a linha central
pro governo estadual.
X
Durante sua existência
A Bragantina enfrentou
vários e graves problemas
quando o dinheiro faltou.
Foram muitos os dilemas:
por ter estreita bitola,
necessitar baldeações,
e a rodovia que a assola,
com potentes caminhões.
Enfim, o progresso a imola!
XI
O Governo do Adhemar,
que assumiu a Bragantina,
na década de cinquenta,
nova visão descortina
e um grande problema enfrenta:
a linha é deficitária,
manutenção onerosa,
e a classe ferroviária,
muito embora harmoniosa,
também era numerosa.
XII
O prejuízo viria
agravar-se a tal ponto
que o doutor Carvalho Pinto
logo após, no contraponto,
já declarou como extinto,
o ramal de Piracaia
e o trecho Vargem – Bragança.
E o povo, de atalaia,
foi perdendo a esperança,
prevendo maracutaia...
XIII
Porém foi no mês de junho
do ano sessenta sete,
bem no dia vinte e dois,
que a memória nos remete
para o que veio depois:
ao dar seu último apito,
foi trancada a Estação...
Conforme o que estava escrito,
os trilhos saem do chão,
e viram recordação...
XIV
Porém, ainda faltava
dar certa destinação
aos bens e aos funcionários.
Pois com sua extinção,
os nobres ferroviários
precisavam de atenção.
A administração e a guarda
de todo seu patrimônio,
ficou sob a retaguarda
deste empregado idôneo:
XV
o meu tio Flávio querido,
que com sua competência,
inventariou peça a peça,
com inteira transparência,
porém sem nenhuma pressa.
Enfim à Sorocabana
o relatório remete
num invólucro bem bacana.
No dia sete do sete
do ano setenta e sete.
XVI
Nunca mais se ouviu o apito,
nem som de ca-fé- com- pão:
em Canedos, Piracaia,
em Vargem ou no Taboão.
Fim da Estação de Atibaia,
Arpui, Guaripocaba,
Maracanã, Batatuba...
como também se acaba
a de Yara e Caetetuba,
reinando a desilusão...
XVII
Campo Largo e Campo Limpo,
Quarenta e quatro – a Parada–
mais Tanque e Maracanã
ficaram sem a Estrada
e também sem amanhã.
Nossa Estação de Bragança
ficava no Lavapés,
também perdeu a pujança,
ao receber o revés
ficou só desesperança...
XVIII
Ainda resta de pé,
mas perdeu sua função,
a velha Curitibanos.
– Deixou de ser estação –
e após o passar dos anos,
se transformou em morada.
Assim como outras tantas
que não foram derrubadas...
Me vem um nó na garganta:
as daqui viraram nada!
XIX
À família ferroviária,
deixo aqui minha homenagem
àqueles que co’ esperança
de Campo Limpo a Vargem,
de Piracaia a Bragança,
assentaram os dormentes
e logo em seguida os trilhos.
E aos outros que, infelizmente,
sem entusiasmo ou brilhos
os arrancaram, silentes...
XX
A benção, Flávio Rodrigues!
O relato aqui contado,
foi baseado no seu texto,
muitas vezes premiado.
Escrito em outro contexto,
muito mais elaborado.
Suas palavras colhi
e com a mesma emoção,
as transcrevo por aqui,
co’a ponta do coração.
PADRE ALDO BOLLINI – O VENERADO VIGÁRIO DA PARÓQUIA DE SANTA TEREZINHA
Myrthes Neusali Spina de Moraes
Dizia a mãe: É un bambino!
Vibrava o pai de alegria.
A família festejava,
o menino que nascia.
Sua mãe o abençoava
e ao bom Deus agradecia.
Com oito anos de idade,
o seu pai sempre ajudava,
como auxiliar de pedreiro,
Com vontade ele estudava,
buscando sempre ser o primeiro,
Em tudo o que praticava.
– Eu quero ser missionário!
Confessava à mãe com medo.
Mas o pai não percebia
do filho tão novo o enredo,
até que em um belo dia
descobriu o seu segredo.
Diz-lhe o pai: – Esqueça isso!
Escolha outra profissão!
Responde-lhe – Não desisto!
E afirma, com convicção:
– Quero as almas para Cristo!
Irei viver de oração.
Contudo não desistia,
e ao estrangeiro queria
pregar como missionário.
Isso a Deus ele pedia,
Ao dedilhar o rosário
à Santa Virgem Maria.
No dia de sua ordenação
toda família o abraçava
e o padre feliz sorria.
O povo então suspirava.
A emoção que ele sentia
a todos contagiava.
Em Monza, na bela Itália,
professor de Seminário,
da juventude assistente,
no santíssimo sacrário
Orava sempre contente,
num compromisso diário.
Sonhava em ir ao estrangeiro.
Mas a guerra começou,
impedindo sua viagem.
Com muita fé, aguardou
e refez sua bagagem,
até que a Itália deixou.
No porto a mãe acenava,
(e entre lágrimas sorria)
ao navio que se afastava.
pois, o seu filho queria,
abraçar o que ele amava.
Junto a Deus nada temia.
Venceram as suas preces!
O oceano ele cruzou.
Tinha força , lutaria!
E logo que aqui chegou,
Todo cheio de energia,
Ao trabalho se entregou.
Bragantinos logo foram
Espera-lo na estação.
Nesse encontro muito lindo,
o que causou emoção
foi ver crianças sorrindo
com bandeirinhas na mão.
Quando a cidade ficou
inteirada do ocorrido,
Padre Aldo foi aclamado,
muito abraçado e aplaudido.
Sentiu que seria amado,
porque foi bem acolhido.
Era plena primavera,
quando na capela entrou.
No altar da Virgem Maria,
logo ele se ajoelhou,
pedindo sabedoria.
E sua fé renovou.
1948. Em meados de abril,
numa manhã ensolarada
padre Aldo recebia
festas e até uma parada,
Santa Terezinha iria,
por ele ser transformada.
A capela era pequena,
apenas com sacristia.
Foi aí que pernoitou,
numa noite em que chovia.
Mas de nada reclamou.
E assim clareou o dia.
Não tinha quarto e cozinha
e nem sequer um banheiro.
Mas tudo estava perfeito.
Trabalhou o dia inteiro.
Para tudo dava um jeito,
pois era mesmo um guerreiro.
Na padaria Espanhola
fez primeira refeição.
Mais comida foi ganhando,
feitas com dedicação.
Pernil e vinho chegando
completavam a emoção.
Antes que a noite chegasse,
eis que surge um garotinho
Carregando um cobertor,
que entregou-lhe com jeitinho.
Abraçou o benfeitor,
que mostrou tanto carinho.
Porém, no dia seguinte,
vejam só quanta aflição:
ver a capela vazia
apertou-lhe o coração.
Rápido precisaria
reverter a situação.
Sentado em frente à capela,
o missionário pensava
na alegria das crianças:
- Um campinho planejava.
E repleto de esperanças
o trabalho começava.
Legionários foi o nome
que o time receberia.
No campo, com muita gente,
era só festa e alegria.
Ficava o padre contente,
quando o jogo acontecia.
A frequência à capela
aumentava dia a dia.
O padre Aldo emocionado,
sempre a sorrir de alegria,
com seu trabalho esmerado,
uma nova igreja erguia
Batina curta, surrada,
a barba sempre crescida.
Mas ele não se importava.
Vivia em constante lida,
no sacerdócio que amava,
aos pobres dando guarida.
Mas depois de muito tempo,
do ano certo não me lembro,
sol quente naquele dia,
em pleno mês de dezembro,
em pé, lá da escadaria,
padre Aldo muito sofria.
Com os olhos lacrimejantes,
com certeza ele previa,
que a carta que então chegava
notícia triste traria
O pai ao filho contava:
Sua mãe não mais vivia.
Num dia de carnaval,
ao ver um grupo passar
com trajes de cangaceiros,
pensou logo em convidar
os jovens para parceiros
e com o chefe foi falar.
Convidado pelo padre,
“ Lampião”, o “cangaceiro”,
pela Igreja se encantou.
Tornou-se grande parceiro
e em tudo colaborou,
doando-se por inteiro.
Para a reforma da Igreja,
o Abrigo lhe foi emprestado.
Recreio dominica,.
com cinema, foi criado.
Sempre havia festival,
Jogos e aula de bordado.
Nas lindas festas juninas
o povo todo ajudava.
Havia doces, comidas
e a fogueira crepitava.
Com barracas de bebidas
a festa se completava.
Para terminar a noite,
a quadrilha começava.
A noiva, toda bonita,
em suas mãos segurava
flores com laço de fita,
enquanto o noivo abraçava.
O filho de dona Brígida,
e de João, o grande pedreiro,
da paróquia o bom Vigário
doava-se por inteiro.
Trabalhava sem horário,
Fazendo tudo ligeiro.
As doações eram tantas!
As escolas aumentavam
nas vilas e na cidade.
As famílias se alegravam
ao ver tanta lealdade
e em tudo colaboravam.
O bairro do Matadouro
Mudou muito de aparência.
Tinha banda e até cinema,
além de toda assistência.
A Igreja adotava um lema:
“Trabalho e muita prudência”.
Cada vez mais conhecida,
a Igreja destacava.
Tinha até um jornalzinho,
que” Garotos” se chamava.
Textos com muito carinho
o padre Aldo elaborava.
Padre Donato chegou,
outro santo missionário,
que humildemente ajudou
em tudo que foi necessário.
A Igreja se transformou
em um belo santuário.
Tinha um nobre coração,
em tudo colaborava.
Ia aos sítios bem distantes
e por onde ele passava,
abençoava os andantes
e um rastro de amor deixava.
Nas festas religiosas,
muitos fogos e rojões.
Famílias entusiasmadas,
nas solenes procissões,
com janelas enfeitadas
cumpriam as tradições.
Crianças vestidas de anjos
junto ao andor de Maria,
davam um toque angelical.
Até a banda ( quem diria?)
tinha um destaque especial
na procissão que seguia.
Famosa,, a Paixão de Cristo
parecia de verdade,
ao vivo representada,
em procissão na cidade.
Era muita chicotada!
Santo Deus! Quanta maldade!
Com Jesus na manjedoura,
o presépio emocionava.
Tarcísio sempre sorrindo,
as mãozinhas agitava.
E hoje está a Deus servindo:
- Mostra a Luz que o acompanhava.
Também havia o Teatro.
Plateia sempre lotada,
com palco bem enfeitado
em cada peça encenada.
Até um palhaço engraçado
divertia a criançada.
Quando a Companhia Spina
no palco se apresentava,
causava muita alegria.
O padre Aldo se encantava!
o tempo todo sorria
e os atores abraçava.
O padre fez bons amigos,
moradores da cidade,
que o ajudavam com carinho,
por sua capacidade.
Pra tudo dava um jeitinho,
mostrando boa vontade
Cumpriu a nobre a missão,
até o fim de sua vida.
O padre Aldo adeus dizia...
Terminara sua lida.
O silêncio reinaria
m sua triste partida.
Os amigos, comovidos,
na despedida choravam.
E com tristeza e emoção
entre lágrimas rezavam.
- Padre Aldo alí no caixão...
Eles não acreditavam!
Padre Aldo, descansa em paz.
Dobram os sinos tristemente.
Choram adultos e crianças.
É uma cena comovente!
Guardaremos as lembranças,
na memoria eternamente!
E sob o altar de Maria,
seu corpo foi sepultado,
como havia sugerido,
há tempo, lá no passado.
Sendo assim foi atendido,
e para ali transladado.
Seus pertences recolhidos
e com carinho guardados,
relembram acontecimentos
de vários anos passados,
trazendo-nos bons momentos
que serão eternizados.
Fotos e apito, relíquias,
encontram-se em exposição.
Batinas e paramentos,
causando muita emoção,
misturam os sentimento
de saudade e gratidão.
Santa Terezinha, a Igreja
pelos padres conservada,
com pinturas muito lindas,
hoje tão bem decorada,
nos traz saudades infindas
de uma época abençoada.
O padre do Pontifício
Instituto das Missões,
que com trabalho e coragem,
conquistou os corações,
deixou uma santa imagem
a todas as gerações.
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