Presidente da Acohab conta detalhes sobre a realização do projeto
Filho de pai sindicalista e de família de mutirantes, Bruno Leme, presidente da Associação Comunitária de Habitação Popular (Acohab), é quem explica os próximos passos para a concretização do Conjunto Habitacional Elis Regina & Renato Russo. O projeto, que se encontra em fase de terraplanagem, está previsto para ser entregue em 2024 e deve abrigar cerca de 2.500 a 3 mil pessoas em Bragança Paulista.

Foto: Arquivo Bruno Leme
A história do condomínio, que leva o nome de duas grandes personalidades da música nacional e homenageia a cultura brasileira, se arrasta desde 2002, quando a Prefeitura doou para a associação o terreno de 32. 793,18 m², localizado no Jardim Águas Claras. Na época, a Acohab ainda não tinha um projeto para realizar no local, mas, anos depois, em 2013, novos obstáculos se apresentaram.
TAC DA ZONA NORTE
Após a chegada à presidência, Bruno reuniu a equipe e, dessa união, nasceu a ideia do conjunto habitacional. Contudo, o projeto foi barrado durante sete anos devido ao Termo de Ajustamento de Conduta, o chamado “Tac da Zona Norte”. Tratava-se de uma ação civil pública, movida pelo Ministério Público, que congelava a construção de empreendimentos na Zona Norte da cidade devido a um possível impacto populacional.
“Se você coloca ali mais 10 mil unidades habitacionais, imagina 10 mil pessoas saindo com o carro às 7h da manhã para ir trabalhar. Qual é o impacto viário que isso causa? Quantas crianças precisariam de creche e qual o impacto disso? Então, a Promotoria de Justiça entendia que Bragança tinha que fazer um estudo para demonstrar que aquela capacidade construtiva ali na região era viável”, explica Bruno.
Em 2020, após a revisão do Plano Diretor, a paralisação da área de mais de 10 milhões de metros quadrados, causada pelo TAC da Zona Norte, foi extinta. Em julho do ano seguinte, a Prefeitura liberou a construção dos 560 apartamentos do conjunto habitacional.
PROGRAMA TÉCNICO SOCIAL
Os trabalhos começaram em 6 de abril, quando foi realizada a limpeza do terreno. Após a terraplanagem, o foco é a segunda fase, que vai compreender drenagem, água e esgoto e a ligação definitiva de energia. Apenas depois, será iniciada de fato a construção dos apartamentos. Ao todo, a estrutura do condomínio contará com salão de festas, ginásio de esportes, playground e elevadores em todas as torres.
Mas se engana quem pensa que os moradores vão simplesmente esperar os dois anos de braços cruzados. O trabalho com os “associados”, como são chamados, é frequente: enquanto o condomínio vai tomando forma, os habitantes participam mensalmente do Programa Técnico Social, uma iniciativa que tem como base o trabalho que era realizado pelo extinto “Minha Casa, Minha Vida”.
O programa é obrigatório para todos os futuros moradores e engloba desde cursos de capacitação profissionais para geração de renda, como manicure, pedicure e cabeleireiro, até palestras que abordam temas como economia familiar, gestão de recursos, liderança comunitária, meio ambiente, etc.
“Nós fazemos reuniões todos os meses e elas são fundamentais pra gente criar nos nossos associados a ideia de coletividade. Isso você consegue enraizar nessas pessoas, esse trabalho comum, respeito ao próximo. Você consegue firmar lideranças que vão trabalhar dentro do condomínio”, conta o presidente da Acohab.
PROGRAMA NOSSA CASA

Os moradores, em sua maioria, são pessoas de baixa renda que contam exclusivamente com a possibilidade das moradias populares. No entanto, as mudanças realizadas nesse âmbito nos últimos anos têm atrapalhado a realização dos projetos como o Elis Regina & Renato Russo, diz Bruno:
“Hoje os critérios adotados pela Caixa são comerciais: se a pessoa tem nome limpo, renda de acordo com o esperado do perfil, e isso dificultou muito o nosso trabalho, porque a gente queria atender justamente aqueles mais vulneráveis. A partir disso, começamos a tentar viabilizar outras formas de subsídio para diminuir esse impacto”.
Em agosto de 2021, a Acohab conseguiu, após uma reunião com o deputado Edmir Chedid e por meio do Programa Nossa Casa, suporte de R$ 10 mil por unidade. A conquista é um respiro para as famílias, uma vez que elas não precisam arcar com 100% do valor de custo determinado pela Caixa.
Enquanto o Elis Regina e Renato Russo está em fase de construção, outros quatro projetos começam a ser planejados, a fim de atender cerca de 3.920 famílias que, por diferentes motivos, não foram beneficiadas pelo atual. Em maio, o saudoso prefeito Jesus Chedid já havia assinado o documento de desapropriação de vias públicas, junto à associação, para que novas moradias populares fossem viabilizadas.
“Acho que é um grande ganho, porque em duas áreas, uma do lado da outra, a Acohab vai construir nos próximos três, quatro anos, mil unidades habitacionais. Então é algo muito significativo pra uma associação sem vínculo com o poder público, algo feito em poucas mãos”.
Atualmente, além de Bruno, a Acohab conta com uma equipe formada pela assistente social Marilene Mendes, o assessor técnico Mateus Cruz, o arquiteto e urbanista Rodrigo Duarte, funcionários e a direção da associação.
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