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Saúde

Coordenadora do Programa IST/AIDS fala sobre campanha nacional

O Ministério da Saúde lançou, no dia 10 de fevereiro, a campanha “Usar camisinha é uma responsa de todos”. O objetivo é chamar atenção dos jovens de 15 a 29 anos, faixa etária que tem registrado aumento de casos de ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) para o uso do preservativo. “A campanha estará na mídia a cada três ou quatro meses, para não cair no esquecimento”, disse o ministro de Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Apesar do aumento de casos na população de 15 a 29 anos, a maioria dos casos de infecção pelo HIV no país é registrado na faixa de 20 a 34 anos (52,7%). Atualmente, a estimativa é de que 900 mil pessoas vivem com HIV no país. Dessas, 135 mil ainda não sabem que têm a doença.

O ministro reforça que o assunto deve ser conversado entre familiares e amigos e que é essencial procurar se informar. “Não embarca nessa, de que o ‘HIV não tem nada a ver, você toma remédio’. Teve um que falou para mim e disse ‘a carga viral cai’ porque olha lá no doutor Google e fala ‘Opa, a carga viral cai’. A gente ainda sonha com uma vacina, aí sim você ter o sistema imunológico e a gente enfrentar esse vírus, mas hoje ele é só remédio e controle ‘diretasso’. Se vacilar no controle o adoecimento é grave”.

Em entrevista com o Jornal Em Dia, a coordenadora do Programa de IST/AIDS, Dra. Mariana Quilici, endossou as declarações do ministro, e acrescentou que o problema está nas parcerias fixas, momento que os jovens abrem mão do uso do preservativo por confiar no parceiro. “A camisinha protege contra o HIV, mas ainda há o risco de contrair uma infecção sexualmente transmissível por meio de sexo oral”, enfatizou.

Dra. Mariana Quilici, durante entrevista na quarta-feira, 19.

Em Bragança Paulista, a faixa etária de pessoas infectadas com o vírus é de 30 anos, a maioria de homens heterossexuais. De janeiro até o dia 20 de fevereiro, 12 casos de AIDS foram evidenciados devido ao trabalho de testagem rápida oferecido pelo Programa. “Muitos nessa faixa etária estão com o vírus há anos e descobrem quando já estão com a AIDS” conta.

De acordo com as informações do Boletim Epidemiológico HIV/AIDS da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, Bragança Paulista está na 56ª posição entre os 150 municípios com números de casos de HIV. De 1980 a 2018, foram 707 casos na cidade, sendo que 506 fizeram uso da Terapia Antirretroviral.

O Brasil tem como meta eliminar o HIV até 2030 através do método 90-90-90, no qual 90% das pessoas com HIV saberão que tem o vírus, 90% de todas as pessoas com infecção pelo HIV, diagnosticadas, receberão terapia antirretroviral ininterruptamente e 90% de todas as pessoas em estágio terapia terão supressão viral (quando a quantidade do vírus no sangue fica tão baixa que o torna indetectável). Para que isso aconteça, Mariana explica que desde que assumiu a coordenação do Programa, em setembro de 2019, tem reforçado ações de testagem em diversos eventos e locais. No Centro de Testagem e Aconselhamento, que funciona provisoriamente na Rua Arthur Bernardes, nº 60, Vila Municipal, é oferecido o autoteste, que tem 99,6% de eficácia. Após o diagnóstico, o tratamento demora em média 10 dias para ser iniciado.

“Se alguém passar por alguma situação que acha que contraiu o vírus ou infecções sexualmente transmissíveis, procure o serviço médico em 72 horas”, orientou a coordenadora.

Ressalta-se ainda os crescentes casos de sífilis e hepatites virais. Segundo Dra. Mariana, o país vive uma epidemia de sífilis e o município acompanhou os números alarmantes: em 2018 foram 154 casos e 129 casos em 2019 na forma adquirida. Também há a transmissão vertical, quando as gestantes passam para seus bebês, com 27 casos em 2018 e 23 casos ano passado, e a sífilis congênita, com 11 e sete casos respectivamente. De acordo com dados do Boletim Epidemiológico de Sífilis 2019, foram notificados 158.051 casos de sífilis adquirida em todo o país em 2018, com aumento de 28,3% em relação ao ano anterior. Em gestantes, foram 62.599 casos – ampliação de 25,7% dos casos na comparação com 2017. Já em bebês, foram registrados 26.219 casos de sífilis congênita (transmitida da mãe para o bebê), representando aumento de 5,2% em relação a 2017.

O Ministério da Saúde vai distribuir, ao todo, 570 milhões de preservativos e géis lubrificantes para todo o Brasil. A quantidade representa um aumento de 12% em relação ao ano passado, quando foram enviados 509,9 milhões aos estados. Para o Carnaval, todo o país estará abastecido com 128,5 milhões de preservativos, garantindo a proteção dos foliões contra as ISTs.

As ISTs são causadas por mais de 30 vírus e bactérias. Elas são transmitidas, principalmente, por meio do contato sexual sem o uso de camisinha, com uma pessoa que esteja infectada.

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