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SUB-VERSÃO

Da necessidade do riso

“Eu não posso rir, Ana...” – disse ela, mas já era tarde demais, o riso já se formara em seu semblante. A mão segurando em vão o rosto, num impulso-tentativa de pará-lo, como? Já estava ali, quando a primeira dobrinha no canto da boca se formou.

Ah, o riso, tão sagrado e tão necessário quanto as taxas de exames em dia. As taxas estavam todas “animais”, mas engana-se quem pensa que fui elogiada por isso. Trabalhamos com valores de excelência, ela sempre diz. E essa palavra dita assim, em meio a um calhamaço de resultados de exames laboratoriais soa ainda mais célebre e bonita: EX-CE-LÊN-CI-A!

Viver com excelência, manifestando aquele que é Excelente através de nossas vidas. Comer bem, dormir, exercitar-se, perdoar, tenho aprendido sobre isso e sobre muito mais coisas com ela. Viver é tão extraordinário!

Não, não se trata do número mostrado na balança, nem naqueles impressos nos exames. Somos todos nós seres tão absurdamente complexos, que, como resumirmo-nos a meros números?

Tenho buscado a excelência, tenho cometido erros no processo, recomeçado, me reinventado e me divertido com essa travessia. Afinal, quem elegeu a busca não pode recusá-la, não é mesmo?

Do medo e da insegurança que me acompanharam nas primeiras consultas, nada resta hoje. Ela me ensinou que ambos devem ser deixados de lado ou, por vezes, encarados. Tenho feito isso, a cada consulta-aprendizado com ela. Sim, porque aprendo muito, e não apenas sobre nutrição, já que esta é apenas uma faceta do que sou e do que meu corpo precisa. Porque sou um espírito habitando esse corpo é que preciso tratá-lo com o respeito que ele merece.

Estou armazenando músculos para uma velhice mais autônoma, estou diminuindo a gordura para uma saúde mais plena. Tenho rido mais e de mim mesma, que é sempre a melhor forma de rir. Tenho nadado, feito pilates e musculação, tenho exercitado também minha paciência, minha ansiedade e minha autocompaixão. Tenho diminuído medidas, na medida em que alargo meus horizontes e minha percepção para aquilo que posso ser, para mim mesma e para aqueles que me cercam.

Desculpa, eu esqueci que você não pode rir – disse eu, levando à mão à boca, como quem quer colocar de volta, garganta a dentro, as gracinhas que acabara de proferir.

Mas é sempre tão bom quando rimos juntas, celebrando a beleza desafiadora que há em viver e constatar perdas e ganhos na balança da vida. Nem todos os meses apresento resultados “excelentes” e, mesmo nisso, consigo enxergar alguma graça, motivo e reparação. E apesar disso, já não sou a mesma que iniciou esse processo, sou outra, diferente, reinventada, mais consciente e mais amável comigo mesma, mais conhecedora de mim, com todos os meus defeitos e qualidades. A propósito, uma delas parece ser fazer rir.

Obrigada por aceitar o desafio de rir comigo, querida, ao mesmo tempo em que me impulsiona, com seu extraordinário conhecimento, a viver com excelência!

Crônica dedicada à nutricionista Gabriela Moraes

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