Fotos: Shel Almeida
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Cultura

Dia da Consciência Negra será celebrado durante todo o sábado, no Centro Cultural

Neste sábado, 20, data em que se celebra o Dia da Consciência Negra, o Centro Cultural Teatro Carlos Gomes será palco de atividades que fomentam o debate sobre a importância do combate ao racismo e refletem a respeito da resistência e luta do povo negro ao longo dos séculos. 

A celebração terá início às 8h, com a concentração na Praça Princesa Isabel, em frente à Igreja do Rosário, para a tradicional Caminhada Zumbi dos Palmares, que sai às 9h rumo ao Centro Cultural, com previsão de chegada às 10h. 

A novidade deste ano é que o cortejo que marca a data passará pelo centro da cidade – das ruas com nomes de coronéis – ao invés de seguir pelo Bairro do Lavapés, rumo à Praça do Matadouro. E, além da habitual participação dos grupos de maracatu, Malungos do Baque e Nação Nagô Mirerê, neste ano, os pavilhões das escolas de samba também irão compor o cortejo. 

Às 10h, tem início a feira gastronômica e de vestimentas, que tem a intenção de proporcionar uma imersão na cultura africana a partir de produtos que estarão disponíveis para venda.  

Às 13h, acontece a roda de conversa “O Despertar da Consciência: O Brasil de vários tons”, com Izilda Toledo, pedagoga ativista e especialista em Educação Étnico-racial, Agnes Roberta de Cabral Ribeiro e Letícia Ferreira dos Santos, representantes da cadeira de Cultura Afro-Brasileira do CMPC (Conselho Municipal de Política Cultural) e Karine Elizabeth Rosa da Silva, advogada especializada em Direitos Humanos e Lutas Sociais pela Unifesp e coordenadora da Comissão da Verdade da Escravidão Negra no Brasil.

Dentro da programação da roda de conversa, cinco mulheres negras serão homenageadas pela Missionária Pokaia, também mulher negra, primeira a ser eleita vereadora em Bragança Paulista. Receberão a homenagem Izilda Toledo, Ana Francisca Pires, Maria da Penha Rodrigues Silva, Ya Danriju Mirerê e Benedita Pereira Gil. 

Em seguida, às 14h, o grupo Agô de Cambinda apresenta espetáculo de dança afro-brasileira contemporânea, que traz, em sua linguagem, bases e técnicas que valorizam o ritmo, pulso, senso de improvisação em grupo e forte energia de comunicação, promovendo provocação e reflexão ao despertar de memórias étnicas e instintivas. Consolida-se assim, uma ligação forte e ritual por meio do repetitivo ritmo dos tambores que remete aos corpos dos praticantes e aos espectadores uma relação com as tradições do continente africano, seja por memória ancestral ou por reflexo instintivamente mimético. O grupo foi fundado por meio da Associação Recreativa e Cultural Afro Brasileira (Arcab) e ganhou destaque nacional ao participar do “Cidade x Cidade” promovido pela TV Cultura. 

Às 14h30, o Mestre Enir ensinará, no Teatro Arena, os golpes e movimentos da capoeira por meio de movimentos corporais e características do esporte de grande expressividade dentro da cultura brasileira.

A partir das 15h, o palco do Teatro Carlos Gomes recebe as apresentações musicais com os músicos Zé da Gente, Patrick, Marcelo Eloquência, Renan Mazzola, Tiaguinho, Tadeu Moleke, Marcinho, João Magrini, Jeferson e Susana Nogueira.

Para encerrar as atividades do dia, às 18h30, acontece a palestra “A história da black music americana”, com Tony Santos. O trabalho destaca os ícones da música black e a sua contribuição para a história da música e para o desenvolvimento da cultura popular nos Estados Unidos, por meio da análise de trechos de músicas e os discursos de ordem proferidos por opressores e oprimidos.

Para Izilda Toledo, fundadora da Arcab, associação que foi a incubadora de muitos profissionais negros em Bragança Paulista, a partir do cursinho pré-vestibular que teve início em sua própria casa, em uma época em que as cotas raciais como  ação afirmativa e reparação histórica ainda eram uma utopia no país, a data de 20 de novembro é extremamente importante, pois remete à lembrança da resistência do povo negro no Brasil pós-escravidão, contra o racismo e a discriminação racial em todas as duas formas.  

“Ao comemorarmos os 326 anos da morte de nosso maior líder, Francisco Zumbi, Zumbi dos Palmares e de sua mulher, Dandara dos Palmares, lembramos que eles nos deixaram um legado de luta pela liberdade e igualdade de oportunidades entre negros e não-negros. Em todo o Brasil, acompanhamos as comemorações que, de dia passou a ser semana e, atualmente, temos o mês todo. Bragança se fará presente, por meio de uma extensa programação”, fala. 

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