Na quinta-feira, 29, comemorou-se o Dia Nacional do Livro. A escolha da data se deu em homenagem ao dia em que também foi fundada a Biblioteca Nacional do Brasil, localizada no Rio de Janeiro, quando a Real Biblioteca Portuguesa foi transferida para a colônia, em 1810. Porém, o acervo chegou ao Rio de Janeiro antes, em 1808. Além de livros, havia manuscritos, mapas, estampas, moedas e medalhas.
A data celebra a importância da leitura e, consequentemente, dos livros na vida dos seres humanos, que têm como funções transmitir conhecimento, enriquecer as pessoas culturalmente, divertir, relaxar e, entre outras coisas, ser uma boa companhia.
Inicialmente feito em materiais como argila e, posteriormente, papiro, o livro passou a ser impresso em papel na década de 1450, quando o alemão Gutemberg inventou a prensa e os tipos móveis, o que trouxe rapidez à produção. A primeira obra impressa por ele foi a Bíblia. De lá para cá, foram inúmeras as evoluções, até chegar aos dispositivos móveis nos dias de hoje, que permitem a leitura de forma rápida, fácil e digital.
Na vida acadêmica, os livros também têm fundamental importância. Por isso, o Jornal Em Dia conversou com duas profissionais que trabalham com livros nesse meio no dia a dia: Fabiana Natália Macedo de Camargo, bibliotecária documentalista do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), e Cleonice Aparecida de Souza, coordenadora do Sistema de Bibliotecas e docente na Universidade São Francisco (USF). Acompanhe:
FABIANA CAMARGO: “AS FORMAS DE LEITURA SE MODIFICARAM”
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Fabiana Natália Macedo de Camargo é bibliotecária documentalista do campus Bragança Paulista do IFSP e mestranda da Faculdade de Educação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). “Como bibliotecária, tenho como função principal tratar a informação e a tornar-se de fácil acesso aos usuários da biblioteca (alunos, servidores e comunidade externa). Independente do suporte informacional, o bibliotecário tem a responsabilidade de identificar a demanda de informação em diferentes contextos, considerando a diversidade do público que atende”, explica.
A biblioteca do IFSP-BRA funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 21h, e atualmente, seu acervo possui cerca de 9.900 exemplares de diversas obras, como livros, CDs e DVDs, periódicos, trabalhos de conclusão de curso dos discentes do campus, obras de referência, entre outras. “O acervo da biblioteca é constituído por meio de compras, doações ou permutas, e seu crescimento tem ocorrido de forma contínua, visando à disponibilização de obras específicas e relevantes para os cursos aqui ofertados”, conta.
Em virtude da pandemia de Covid-19, o espaço teve de passar por adaptações para evitar a proliferação do vírus. “No momento de pandemia, os empréstimos e o atendimento presencial aos usuários foram suspensos, não há segurança em realizar esse tipo de trabalho agora. O processo de empréstimo/devolução envolve locomoção e risco no deslocamento à biblioteca, tanto por parte dos usuários, bem como dos servidores. A rede de bibliotecas do IFSP tem disponibilizado para ajudar no processo treinamentos de utilização da Biblioteca Virtual Pearson, que conta com mais de 8 mil títulos, além do Portal de Periódicos da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) ou quaisquer outras fontes de informação. A ideia proposta neste momento de pandemia é de adaptação das atividades propostas para os alunos”, revela.
Bibliotecária há 12 anos, Fabiana diz que a procura por livros se manteve, mas as formas de leitura se transformaram. “Penso que hoje as pessoas leem mais, pois em grande parte do dia estão lendo mensagens encaminhadas por dispositivos móveis”, defende.
Mesmo com as novas tecnologias, ela acredita que ainda há espaço para as duas formas de leitura. “Penso como Roger Chartie, que indica em sua obra que ‘uma cultura não sobrepõe a outra’. No Brasil, os aparelhos para leitura desses livros ainda têm um valor elevado, o que dificulta a prática desse tipo de leitura, fazendo com que muitos ainda optem pelo livro impresso. Por um bom tempo, a procura pelos dois ainda será grande”, estima.
Na opinião da profissional, para incentivar que o brasileiro leia mais, é preciso que se invista em políticas públicas. “São necessárias políticas públicas nas escolas de nível infantil e fundamental que desenvolvam o hábito da leitura por prazer e não por obrigação, para que assim, se tornem adultos leitores – não que adultos não possam se tornar leitores, mas esse é um hábito que deve ser desenvolvido desde pequeno”, avalia.
Em sua visão, é fundamental ter um dia nacional dedicado ao livro. “O livro é algo que deveria ser lembrado todos os dias, mas um dia específico é importante sim, porque são nesses dias específicos que os olhos se voltam para as bibliotecas e livrarias e para as atividades que podem ser desenvolvidas dentro delas”, pondera.
A biblioteca do IFSP, Fabiana ressalta, é aberta para consulta e uso do acervo a toda a comunidade externa. “Não é preciso ser aluno ou servidor do IFSP, é um direito garantido a todos por lei “o livro é acesso à cultura’”, afirma. Os empréstimos, no entanto, são feitos somente apenas para alunos e servidores do instituto.

Por fim, a bibliotecária deixa uma mensagem acerca da importância da leitura e dos livros. “Precisamos enxergar a leitura com outro olhar, ela precisa deixar de ser apresentada a todos como algo obrigatório, maçante e enfadonho e passar a ser algo prazeroso. Uma boa leitura transmite conhecimento, te enriquece culturalmente, diverte, relaxa e o que acho mais importante: pode ser uma ótima companhia”, conclui.
Para saber mais sobre a biblioteca do IFSP-BRA, acesse o site: https://bra.ifsp.edu.br/biblioteca-ifsp/78-biblioteca-ifsp-bra, acompanhe as novidades na página do Instagram: @bibliote caifspbra ou escreva para o e-mail: cbi.bra@ifsp.edu.br.
CLEONICE SOUZA: “O FUNDAMENTAL É O ACESSO AO CONHECIMENTO”

Coordenadora do Sistema de Bibliotecas e docente na USF e PUC Campinas, Cleonice Aparecida de Souza acredita que a gestão da informação não pode ser tratada de modo isolado. “Principalmente na universidade, mediante o processo de ensino, pesquisa, extensão e lazer, que produz e transmite o saber, a cultura e a educação com o objetivo de socializar o indivíduo. Portanto, os sistemas de informação têm papel importante nas pesquisas para a realização dos negócios e outras atividades na sociedade atual”, defende.
Desse modo, ela ressalta que o profissional da informação tem como perfil ser facilitador da captação e do uso produtivo dos recursos da informação e do conhecimento, necessários principalmente nas atividades organizacionais. “O Sistema de Bibliotecas também exerce uma função social e cultural e deve ser visto como um sistema aberto, que se relaciona com um todo e dispõe de subsistemas com características próprias, devidamente coordenadas. Na gestão da informação e o seu compartilhamento, as bibliotecas desempenham papel preponderante”, comenta.
O Sistema de Bibliotecas da Universidade São Francisco (USF) é formado por uma rede que abrange os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, totalizando mais de 310 mil volumes. Todas as bibliotecas são interligadas por um catálogo on-line (http://perga mum.usf.edu.br), que possibilita ao pesquisador a busca nos diferentes locais. Assim, o acervo de uma biblioteca, ao oferecer referências das mais diversificadas, contempla as questões interdisciplinares e multidisciplinares. “As bibliotecas da USF procuram ter sempre qualidade e diversificação no seu acervo, pois hoje é cada vez maior a disseminação de informações oriundas de diferentes correntes de pensamento. Credenciada ao Portal de Periódicos da Capes em diversas bases, a USF disponibiliza, por meio desse convênio, mais 7.125 títulos em textos completos e seis bases de referência. É possível também o acesso on-line de bases de dados como Medline, Lilacs, Rebap, Scielo, entre outras”, pontua.
Com a pandemia do coronavírus, Cleonice explica que “o Sistema de Bibliotecas da USF segue os critérios e procedimentos embasados nas recomendações da American Library Association, do Conselho Regional de Biblioteconomia da 8ª Região, nos planos de retorno governamentais e nos protocolos desenvolvidos por bibliotecas de várias instituições brasileiras”. Há um protocolo com todos os detalhes disponível para consulta em: https://www.usf.edu.br/publicador/galeria/getImage/385/4129548697960531.pdf “As ações para o funcionamento focam na total proteção do nosso maior patrimônio institucional: as pessoas”, completa.
Cleonice ocupa a função de coordenadora do Sistema de Bibliotecas há 19 anos e, para ela, a leitura exerce papel essencial na vida humana. “A leitura é capaz de nos levar ao pranto, abrir nossa mente a novas ideias e entendimento, inspirar, exercitar a memória, instigar a imaginação, enfim, a leitura é para sempre”, acredita.
Os lançamentos de e-books, por exemplo, podem ter levado a uma mudança na procura por livros físicos, mas “independente do suporte, o fundamental é o acesso ao conhecimento. Também há de se considerar a praticidade do meio digital, e alguns leitores optam por consumir livros em versões digitais, pelo celular, computador, tablets, entre outros”, pondera.
Em sua visão, ter um dia nacional dedicado ao livro é importante “por ser um marco histórico relacionado à Biblioteca Nacional e também para refletir sobre a preservação das fontes históricas e da cultura”.
Além da utilização do acervo em sistema de livre acesso, o Sistema de Bibliotecas da USF disponibiliza serviços ao seu corpo social e à comunidade, oferecendo-lhes: acesso às bases de dados nacionais, internacionais e treinamento; consulta local do material; consulta on-line; empréstimo do material aos pesquisadores cadastrados no Sistema de Bibliotecas da Universidade São Francisco; empréstimo entre bibliotecas; empréstimo de chromebooks; orientação para normalização e catalogação na publicação; pesquisas em diversas fontes; renovação on-line; reserva on-line; disponibilidade de materiais para cópia (de acordo com a lei 9.610 de 19/02/1998 sobre Direitos Autorais); visitas orientadas agendadas pelos interessados.
Cleonice encerra com uma mensagem ressaltando a importância da leitura e dos livros. “Considero que a leitura desafia, capacita, mobiliza, toca, encanta e enriquece, por isso, a tendência é aumentar cada vez mais a procura pelo conhecimento. Uma das potencialidades para isso são os livros. Por fim, a leitura do mundo precede a leitura da palavra. Gostaria de concluir com Drummond:
Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.
Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.
Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.
Para saber mais sobre o Sistema de Bibliotecas da USF, bem como os locais, contatos e horários de atendimento de cada um dos campus/polos, acesse: www.usf.edu.br/biblioteca e, para acompanhar as novidades, siga a página no Instagram: @sibusf.
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