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Educação

Dia do Professor: data de valorização a uma das mais nobres profissões

Na próxima segunda-feira, 15, comemora-se o Dia do Professor. A origem desta data se deve ao fato de, em 15 de outubro de 1827, o imperador D. Pedro I ter instituído um decreto que criou o Ensino Elementar no Brasil, com a implantação das escolas de primeiras letras em todos os vilarejos e cidades do país. Além disso, estabeleceu a regulamentação dos conteúdos a serem ministrados e as condições trabalhistas dos professores.

Tempos depois, no ano de 1947, o professor paulista Salomão Becker, cujo discurso ficou famoso pela frase “Professor é profissão. Educador é missão”, em conjunto com três outros profissionais da educação, teve a ideia de criar, nessa data, um dia de confraternização em homenagem aos professores e também em razão da necessidade de uma pausa no segundo semestre, até então muito sobrecarregado de aulas.

Mais tarde, em 1963, a data foi oficializada pelo Decreto Federal nº 52.682, aprovado pelo então presidente, João Goulart, que, em seu Artigo 3º, diz que “para comemorar condignamente o dia do professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo delas participar os alunos e as famílias”.

Segundo dados deste ano do MEC, mais de 2,2 milhões de professores dão aulas na educação básica brasileira. Esse número representa a expressiva quantidade de profissionais que se especializaram em um dos mais nobres ofícios, responsável por formar milhares de outros profissionais nas mais diversas áreas.

Apesar de não ser tarefa fácil, lecionar ainda é a escolha de muitas pessoas, que acreditam na construção de um mundo melhor por meio da educação. É o caso da professora Ana Raquel Fernandes, de 34 anos, formada em Letras e pós-graduada em Gestão Escolar, Transtornos Globais do Desenvolvimento e pós-graduanda em Práticas de Alfabetização e Letramento. “Não vou mentir, minha veia idealista é que me conduziu à escolha dessa profissão. Acredito desde sempre que só a educação pode transformar a realidade. Não sou professora por falta de opção, como podem pensar alguns, ou tão pouco por comodismo, até porque escolher a educação é, antes de tudo, um ato de coragem”, diz.

Já  para o professor de Química Wilson Santos, de 34 anos, atuante em Bragança Paulista e Região Sul-Mineira, a identificação com o ofício veio desde cedo. “Escolhi ser professor porque sempre me encantei com a área. Quando adolescente, já ensinava meus amigos a estudarem para as avaliações no Ensino Médio. Peguei gosto, pois vi a importância da área, já que todos os profissionais dependem de um professor um dia. Daí parei e pensei: quero ser este profissional”, recorda-se.

Para Taína Machado, de 33 anos, pedagoga e professora de Português, Inglês e Espanhol, que possui experiência desde a Educação Infantil até o Ensino Médio e Educação de Jovens Adultos, o desejo de ensinar também veio desde a infância. “Quando pequena tinha vários sonhos sobre o que ser quando crescer, e um deles era ser professora. Eu achava lindo, chique, era inspirador achar que eles sabiam de tudo e eu, lógico, também queria saber de tudo assim como eles”, diverte-se.

Os três profissionais reconhecem que, com a escolha, vêm também as dificuldades de um cenário nem sempre favorável aos educadores, principalmente no que diz respeito às políticas públicas destinadas à classe. “Temos muitos desafios impostos por uma política cujo maior intento há anos é o de desvalorizar e aniquilar a classe dos professores”, opina Ana Raquel. Wilson também ressalta, além da falta de apoio do governo, o desestímulo de professores e alunos. “Temos um governo que não estimula a educação e não vê a importância deste segmento. Alunos não estão bem preparados, professores desvalorizados, desestimulados, desinteressados”, pondera. Nesse sentido, Taína avalia.Os problemas são muitos, principalmente, na educação pública. Desde alunos que se encontram no 6º ano do EFII que não dominam a habilidade de ler e escrever a professores frustrados por receberem um salário baixo, profissionais que não exercem seu trabalho com profissionalismo, as dificuldades diárias da realidade escolar, além dos pais que não participam na educação dos filhos”, argumenta.

Outra dificuldade está nas mudanças trazidas pelo mundo digital, principalmente no que tange às novas tecnologias. “Antigamente bastava só o professor falar e nada mais. Ele era o ‘detentor de todo o conhecimento’. Eram poucos aqueles que se atreviam a quebrar as regras rígidas da época. Hoje, com o advento da tecnologia, o acesso a informações é muito rápido, logo temos alunos mais questionadores - o que é muito bom - e que fazem várias atividades simultaneamente, mas isso, infelizmente, esta refletindo de forma negativa na escola. A tecnologia deveria ser uma grande aliada para o processo ensino-aprendizado, mas o uso equivocado e o excesso desse uso leva-os a terem dificuldade de prestar atenção à aula e a distraírem-se muito rápido”, explica Taína. Por isso, é preciso estar em constante formação e aprimoramento, conforme destaca Ana. “Hoje, enfrentamos o desafio de ensinar à moda antiga alunos completamente ligados às novas tecnologias. Mas, dos desafios, esse é o menor. Afinal, procuro sempre atualizar meus conhecimentos e me esbaldar de criatividade quando do preparo e da execução das aulas”, observa.

Por todos os desafios, é cada vez mais comum ver pessoas desistindo do sonho de exercer a profissão. “Pelos salários, pelos problemas às vezes encontrados durante o ofício, seja com alunos e a própria família – que às vezes exige demais ou não quer que cobremos demais - e a falta de política pública para melhorar o ensino público do país”, pontua Wilson. Contudo, para aqueles que ainda estão divididos entre o amor pela educação e com anseios em relação ao ofício, eles ressaltam que, apesar de árduo, trata-se de um caminho recompensador. “Ver que os alunos a cada dia estão em evolução, cada vez tendo a noção do todo, do que é aprender, e ver nos olhos dos alunos que estamos mudando e marcando a vida deles, não tem preço”, garante Wilson. Para Taína, as transformações promovidas por meio dessa missão também têm valor inestimável. “Saber que sou uma agente de transformação social que, além de conhecimentos acadêmicos, estou ajudando a formar um cidadão consciente e melhor para a sociedade não tem preço. As recompensas estão nos simples gestos: um abraço, um ‘muito obrigado’, no respeito”, enumera. Para Ana Raquel, professores não são necessariamente heróis, mas seu valor está justamente no poder de fazer a diferença na vida dos educandos. “Talvez o que nos diferencie dos demais profissionais é que lidamos direta e diariamente com a construção de outros seres humanos, ímpares, repletos de características que os torna únicos, sonhos e possibilidades de tornarem-se sujeitos-ativos de sua própria história e da história de seu país, fala.

Neste dia simbólico, os professores definem que presentes gostariam de receber. “Uma valorização maior dos professores, não financeira, mas por mérito. Gostaria que todos tivessem a mesma chance a uma universidade boa, e que todos tivessem mesmo nível de ensino”, diz Wilson. O reconhecimento de meus alunos. Saber que eu fiz a diferença na vida deles, por menor que tenha sido. Um ‘obrigado, aprendi com você’. Valorização e respeito é o que precisamos”, descreve Taína. Já para Ana, a lembrança ideal seria: “Chocolate! E, preferencialmente, que ele viesse acompanhado de luta, resistência e muita, muita subversão, porque nossos dias sombrios nos exigem”, declara.

À sociedade, que nem sempre lhes dá o merecido reconhecimento, eles deixam o recado. “É dos professores que precisamos para, juntos tentarmos mudar essa realidade de desvalorização e pouco caso. Pais, frequentem as escolas de seus filhos, conversem com os professores deles, cobrem, exijam e apoiem aqueles que diariamente contribuem para a educação dos seus”, enuncia Ana. “Valorize os professores. Eles são o pilar do conhecimento, são peças fundamentais na sociedade. Nós passamos conhecimento, valores, somos os espelhos destes alunos. Deste o Infantil até o Superior, precisam ser reconhecidos. Quem ensina a escrever e a ler o mundo? Quem ensina uma área para o aluno escolher a profissão? Quem ensina o aluno a ser um grande profissional? Acredito que todas as perguntas têm a resposta: o professor”, conclui Wilson.Ser professor é uma das profissões mais importantes que já existiu e existe, pois temos em nossas mãos o poder de formar uma sociedade mais humana e conhecedora, mas infelizmente vivemos com a falta de respeito, com descaso. Mesmo diante desse cenário, nós não desistimos e acreditamos que ainda podemos ajudar a construir um mundo melhor, pois muitos pais confiam plenamente seus filhos em nossas mãos e acreditam, assim como nós, que podemos formar juntos cidadãos dignos para viver em sociedade”, finaliza Taína.

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