Shel Almeida, Rafael Moreira e Alessandra Toledo falam de seu amor pela profissão
O Dia Mundial da Fotografia é comemorado anualmente em 19 de agosto. A fotografia é uma das invenções mais extraordinárias da história da humanidade, que revolucionou a sociedade a partir de meados do século XIX, bem como a cultura, a economia, as artes etc.
A escolha do dia 19 de agosto para celebrar esta data é uma homenagem à invenção do daguerreótipo, o antecessor das câmeras fotográficas. Em 19 de agosto de 1839, a Academia Francesa de Ciências anunciava mundialmente a invenção.
Normalmente, nessa data, acontecem palestras, workshops e demais atividades relacionadas ao tema. As fotografias podem ser utilizadas para informar, recordar ou simplesmente como uma expressão artística.
Para celebrar esse dia, o Jornal Em Dia traz a história de três fotógrafos em Bragança Paulista, que contaram a respeito de suas experiências, inspirações e ligações pessoais e profissionais com a fotografia. Confira.
SHEL ALMEIDA: “FOTOGRAFAR A CIDADE É FOTOGRAFAR NOSSAS PRÓPRIAS MEMÓRIAS”

A jornalista e fotógrafa Shel Almeida, de 40 anos, começou a ter contato mais aprofundado com a fotografia durante a faculdade de jornalismo. “Mas o interesse pela área começou anos depois, em 2011, de maneira espontânea, quando passei observar e fotografar a cidade”, relata.
Shel tem um trabalho pessoal chamado “Caminhando pela Cidade”, que começou como um simples registro diário, pelo celular, de lugares por onde ela passava. “Conforme meu olhar foi se aprimorando e ele foi se tornando um projeto de pesquisa, passei a realizar caminhadas fotográficas. Eu escolho um percurso, normalmente por um bairro, e saio com a câmera com o intuito de observar e fotografar os detalhes da cidade que encontro pelo caminho”, descreve.
Sobre o seu estilo fotográfico, ela afirma que, basicamente, fotografa a arquitetura da cidade para guardar memórias. “Não sei se tenho um estilo, mas gosto de brincar com enquadramentos, de observar e registrar detalhes que normalmente passam despercebidos por quem transita pela idade. Para mim, fotografar a cidade é fotografar nossas próprias memórias que, em algum momento, vão se tornar apenas lembranças. São memórias que ainda irão se compor, de lugares que um dia deixarão de existir como são”, diz.
Sua exposição, “Caminhando pela Cidade” foi aberta em setembro de 2018, na Universidade São Francisco. Em março de 2019, foi para a Fesb (Fundação do Ensino Superior de Bragança Paulista) e, em agosto e setembro do mesmo ano, esteve na Secretaria de Cultura e na Prefeitura. Em novembro, fez parte da programação de abertura do Ateliê Lagarta Sucateira e encerrou o ano na Garaginha, sede do Edith Cultura, coletivo do qual faz parte.
“Boa parte das obras que compuseram a exposição foi vendida. Restaram apenas algumas, que ainda podem ser adquiridas, diretamente comigo. Acredito que esta exposição já tenha encerrado seu ciclo. A escolha dos trabalhos aconteceu de forma mais abrangente, da cidade como um todo, até por ser a primeira. Penso, a médio prazo, em realizar outras exposições, mas de forma mais específica na escolha do tema, como por exemplo, uma só com fotos da Igreja do Rosário, que é um ponto da cidade que está muito presente em meus registros”, conta.
Segundo Shel, a intenção do projeto, de uma forma geral, e não apenas da exposição, é a de provocar nas pessoas o interesse por notar os detalhes, prestar a atenção na cidade em que vivem, para que notem que ela é um ser em constante construção e desconstrução. “A sensação é de pertencimento: essa é a minha cidade, aqui também está a minha história”, descreve, afirmando que suas fotos podem ser consideradas “memórias urbanas em forma de registro documental”.
Com a quarentena, ela explica que tem conseguido aprimorar outra vertente de seu trabalho, que chama de “Caminhando pela Casa”. “Sempre que eu ia na casa de amigues, eu observava detalhes da decoração e pedia para fazer uma foto. Normalmente, a pessoa se surpreendia quando eu mostrava. É a mesma lógica da fotografia da cidade. Você passa tantas vezes pelo mesmo lugar que já não enxerga mais os detalhes. Ficando mais tempo em casa, eu passei a observar e a praticar mais e comecei a perceber a minha casa de outra forma”, pondera.
Após a pandemia, Shel revela que tem a vontade e a ideia de realizar projetos voltados para a arte-educação. “Promover caminhadas fotográficas pela cidade, por escolas, projetos sociais, onde me for possível. Também quero levar o Caminhando pela Cidade para outros municípios, em especial, os da região. Já tive a oportunidade de fotografar Serra Negra, Amparo, Extrema e Nazaré Paulista. Gostaria de sair com a câmera por Piracaia, Bom Jesus dos Perdões e Atibaia também”, explica.
Para ela, o Dia Mundial da Fotografia é uma data marcante. “A maior importância da data, além de trazer a fotografia para o mesmo patamar de outras manifestações artísticas, como a pintura, por exemplo, é a de valorizar os profissionais da fotografia. Quem se dedica a isso precisa de um conhecimento prático e teórico que só o estudo proporciona. Não importa se a ou o profissional dedica sua carreira ao registro de eventos familiares, artísticos, ao jornalismo ou à pesquisa, como eu. Seu trabalho, sua obra, devem ser respeitados”, defende, ressaltando a importância de os profissionais receberem os créditos por suas obras como forma de respeito e valorização.
Por fim, Shel deixa uma mensagem aos seus colegas de profissão e os admiradores da arte da fotografia, como ela. “Usem todas as técnicas que conhecerem e acharem necessárias. Mas nunca deixem de observar. Descubram o seu próprio olhar e trabalhem, principalmente, com ele”, encerra.
Conheça mais sobre o trabalho de Shel no Instagram (@shel.almeida) ou contate a fotógrafa pelo WhastApp: (11) 9 9514-4085.
RAFAEL MOREIRA: “FOTOGRAFAR É ALGO QUE TRANSCENDE A PROFISSÃO”

O fotógrafo profissional Rafael Moreira, de 32 anos, começou a ter interesse por fotografia em 2010. “Mas comecei a fotografar mesmo em 2012, comprei uma câmera semiprofissional e comecei a fazer fotos sem compromisso, de natureza etc. Também nesse mesmo ano, comecei a fotografar na igreja e, cada vez mais, o meu amor por fotografia e também a qualidade de fotografia foram aumentando”, relembra.
O primeiro sonho profissional que teve quando criança era ser diretor de cinema, mas acabou se encontrando na fotografia. “Que tem um pouco a ver [com cinema], mas não diretamente. Isso influenciou no meu estilo, porque como gosto muito de cinema e vejo muitos filmes e séries, analiso a parte técnica, e o fato de eu ter feito cursos e ter me profissionalizado na fotografia levou-me a fazer comparativos entre o que é feito no cinema – porque todo filme tem um fotógrafo que ‘bola’ as cenas, cores, luz, e passa as ideias para o diretor de fotografia. Eu comecei a fazer isso nas minhas fotos, dirigindo minha foto, meu olhar, usando técnicas que são usadas no cinema, tento passar uma forma mais artística para as fotos, enquadramento, edição, posicionamento de luz...”, conta.
Profissionalmente, começou a fotografar e a se especializar em 2015, e o trabalho que mais impactou em sua carreira, ele garante, foi no Clube Atlético Bragantino. “Amo futebol, amo o Bragantino, sempre fui torcedor, fui fotógrafo do clube de meados de 2016 até março de 2019, foi um trabalho desafiador porque fotografia esportiva é bem diferente de fotografar um casamento ou uma festa. Minha passagem começou em 2016, nessa época, eu não tinha nenhuma experiência em fotografia esportiva, tive que aprender na marra, fotografando e aprendendo. Em 2017, além de fotógrafo, eu fui assessor do clube até 2019, ele não só me deu uma experiência diferente, mas também uma visão diferente das coisas. Foi uma experiência que mudou minha vida, um mix de emoções”, relata.
Mais do que trabalhar com a arte, Rafael conta que tem uma profunda relação pessoal com a fotografia. “Comecei fotografando na igreja de maneira totalmente amadora, era um trabalho voluntário. Hoje, passo 24h pensando em foto, como vou montar cada foto, na vida pessoal, sempre converso com amigos e parentes sobre fotografia, é uma relação que não se separa, nunca vou deixar de ser fotógrafo, de consumir fotografia, e sempre vou ter minha câmera. Para mim, é algo que transcende a profissão, está na minha mente e coração”, descreve.
A pandemia, segundo ele, impactou diretamente no trabalho dos fotógrafos. “O mercado fotográfico está literalmente congelado, são poucas coisas que dá para fazer, hoje, estou fazendo um ou outro ensaio, faço fotografia jornalística, cobrindo jogos de futebol por uma agência de São Paulo. É o tipo de trabalho que dá para fazer no momento, não sabemos quando vai voltar ao normal. O meu plano é continuar sobrevivendo dessa forma porque sou autônomo e todos os autônomos sofreram com a pandemia, e o mercado de fotografia sofreu mais ainda”, diz.
Para Rafael, considerando os desafios da profissão, é fundamental que haja um dia para valorizá-la. “A fotografia hoje está em desvalorização, praticamente ela migrou para fotografia digital e muita gente esquece que existe a profissão de fotógrafo. Mundialmente, a fotografia está em declínio, então, a gente tendo essa data para comemorar é a maneira de lembrar que a fotografia não é só uma imagem, é importante que essa data seja lembrada e valorize a profissão dos fotógrafos”, defende.
Por fim, ele deixa uma mensagem de otimismo a todos os profissionais do ramo e, claro, aos apaixonados por fotografia. “O recado que eu deixo para os fotógrafos é que não percam a esperança, continuem se preparando para o retorno do mercado fotográfico e para quem ama foto, que continue admirando, consumindo foto e que apoie o trabalho dos fotógrafos. O apoio do público em geral aos fotógrafos é essencial para a sobrevida desses profissionais”, encerra.
Saiba mais sobre o trabalho de Rafael em suas redes sociais: Instagram (@rafaelmoreirafotografo) e Facebook (facebook.com/rafaelmoreirafotos).
“FOTOGRAFAR É COLOCAR SENTIMENTO EM CADA CLICK”

A fotógrafa Alessandra Toledo registrou o momento em que a Lua e Júpiter nasciam entre as torres da Igreja do Rosário, em Bragança Paulista. A foto obteve mais de mil compartilhamentos nas redes sociais e foi apresentada no Jornal Bom Dia SP.
Alessandra de Toledo Santos, de 43 anos, é fotógrafa e coordenadora do setor audiovisual da Universidade São Francisco. O interesse pela arte veio cedo, na infância. “Desde os meus seis, sete anos, quando eu vi um anúncio na revista de um curso da Escola Instituto Universal Brasileiro, que era um curso a distância, mas o contato profissional mesmo foi aos 40 anos, quando iniciei os trabalhos numa casa noturna”, conta.
Hoje, Alessandra atua profissionalmente fotografando em casas noturnas, eventos, aniversários, fotos de gastronomia, still, moda e também para o Jornal Em Dia. Ela conta que, no momento, tem explorado vários estilos e ainda não se dedica a um específico.
Ela define sua experiência com fotografia como “muito gratificante”. “Ter a oportunidade de registrar um momento único é com certeza o maior prazer do fotógrafo. A fotografia para mim é muito mais do que um click, vai muito além disso... É arte, é cultura, é aquele momento único que envolve olhar, alma e coração”, afirma.
Dentre esses momentos, Alessandra menciona quais os trabalhos mais marcantes de sua carreira. “As fotos que mais marcaram na minha profissão são duas que fiz recentemente, quando registrei a Lua e Júpiter nascendo entre as torres da Igreja do Rosário – foto que obteve mais de mil compartilhamentos nas redes sociais e que foi apresentada no Jornal Bom Dia SP –, e as fotos do Cometa Neowise, que agora só vou poder registrá-lo novamente daqui 6.766 anos (risos)”.
Para ela, a fotografia tem a auxiliado durante o período de pandemia. “Tem me ajudado e muito. Com alguns eventos parados, tenho me dedicado à fotografia still e de gastronomia e isso tem suprido as outras áreas que ficaram prejudicadas”, revela. Mesmo diante desse cenário, ela mantém seus planos para a área. “Continuo na mesma meta, que é a de me aprofundar, estudar e melhorar cada dia mais”, completa.
Alessandra também aposta na importância de um dia para reconhecer a arte e a profissão da fotografia. “Cada dia mais tenho me dedicado a essa profissão com muito amor, estudo e dedicação, e tenho recebido o retorno em cada trabalho feito, através de cada elogio e carinho recebido na entrega do trabalho. Então, saber que temos um dia especial para celebrar essa data, é com certeza muito gratificante”, declara.
Por fim, ela deixa uma mensagem aos colegas fotógrafos durante esse período. “A mensagem que eu deixo é a de que não devemos desistir nunca, que por mais que as coisas estejam difíceis, esse é o momento de realmente se dedicar ao máximo e explorar o vasto leque que essa profissão nos oferece. Fotografar é colocar amor, sentimento, carinho em cada click, é colocar o que temos de melhor em cada olhar, em cada registro. Não desistam... É só uma fase ruim e ela vai passar”, conclui.
Acompanhe o trabalho de Alessandra em suas redes sociais: Instagram (@alessandra toledo_fotografia) e Facebook (Alessandra Toledo).
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