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SUB-VERSÃO

Dias chuvosos

Viver é mesmo perigoso. Viver é como constantemente trafegar em uma rodovia repleta de caminhões em um dia chuvoso. Por mais que você não tenha medo, algo instantaneamente te coloca em alerta. Será que eles não temem nada? Por que diabos se arriscam tanto e aos outros quando, imprudentemente surgem à nossa frente, como verdadeiros mamutes velozes na tentativa de ultrapassar outros iguais? E lavam a gente com os respingos que saltam de suas rodas...
A chuva parece aumentada pelo atrito com esses seres de aço. Na verdade, a chuva, com todo o seu volume sempre traz um peso a mais ao dia, que transcorre como ela, lento, mas consistente.
E isso porque simplesmente não podemos cancelar os compromissos que o dia nos impõe para, com o devido respeito e a devida calma contemplar o néctar divino.
Dias chuvosos, aliás, me fazem pensar a respeito dessa muito pouco verossímil possibilidade...
Quisera eu, ser um dia coroada a Rainha dos Dias Chuvosos. Fosse, trataria imediatamente, assim que começassem a surgir os primeiros pingos grossos e o ar começasse a se encher de seu delicioso aroma típico, de lançar meus primeiros decretos, os quais descrevo a seguir:

1.    Fica decretado feriado em dias de chuva, a fim de que todos os seres, e não apenas os animais, possam contemplar despreocupadamente a graça desse estado.
2.    Fica decretado que toda criança possa ficar em casa, na companhia de seus pais, irmãos, avós, em dias de chuva.
3.    Fica decretado que toda criança tenha uma casa, e independente do clima que fizer lá fora, sempre encontre abrigo e proteção no ambiente sagrado do lar.
4.    Fica decretado que, em dias chuvosos, todos aqueles a quem amamos e já partiram, visitem-nos para o café da tarde.
5.    Fica decretada a abolição das dietas restritivas em dias de chuva.
6.    Fica decretado o direito a comer bolinho de chuva, fresquinho, com muito açúcar e canela em dias chuvosos.
7.    Fica decretado o sagrado direito ao sono “fora de hora” em dias de chuva, debaixo de muita coberta e depois de uma bela caneca de chocolate quente.
8.    Fica decretado o direito absoluto ao ócio em dias de chuva, mas só depois de muito brincar-se ou rir-se.
9.    Fica decretado que não há a necessidade de se obedecer muitas regras em dias chuvosos.
E, por fim, me destituiria do cargo, por que a própria chuva seria sua senhora. Sim, ela que graciosamente nos presenteia, a nós, seres tão insensíveis e ingratos, com a generosidade da vida que provê.
Dias de chuvas deixariam de ser relacionados à tristeza e passariam a ser dias de celebração: da vida, do ócio, da poesia!

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