Fotos: Aline Zarur
news-details
Direto da Redação

DIRETO DA REDAÇÃO

Concha Acústica: 12 anos de um projeto perdido

A Concha Acústica, situada ao lado da Passarela Chico Zamper, nasceu fadada ao fracasso. Projetada para ser um palco de artistas renomados e outros inúmeros que deveriam utilizar o espaço para serem conhecidos pela população bragantina, não serviu ao seu propósito após 13 anos de inauguração.

Em 7 de julho de 2007, a estrutura foi inaugurada. O plano da Prefeitura era entregar a obra em grande estilo à população na abertura do Festival de Inverno. A banda Mutantes, composta pelos irmãos Arnaldo, Cláudio César e Sérgio Baptista, e a cantora Zélia Duncan (no lugar de Rita Lee), se apresentou após queima de fogos em uma noite fria que afastou o público e surpreendeu negativamente a Administração Municipal.

Logo depois da inauguração, percebeu-se que o lugar não fornecia estrutura adequada para os artistas se apresentarem e, desde então, os shows são marcados para acontecer em uma estrutura metálica montada ao lado, evidenciando a incapacidade da Concha Acústica em receber eventos.

Hoje, como é de conhecimento de todos, o espaço serve de abrigo às pessoas que fazem uso da rua, usuários de drogas e continua sendo alvo de vandalismo durante anos. A Prefeitura chegou a afirmar, em 2018, que estava estudando como reutilizar o espaço, possivelmente para base da Guarda Civil Municipal.

A Coluna Direto da Redação ouviu as pessoas envolvidas no projeto e, de acordo com os depoimentos, ele foi feito por engenheiros da Secretaria Municipal de Obras na gestão do prefeito Jesus Che-did, em 2006, e após sua cassação, a obra foi entregue faltando componentes que seriam fundamentais para o seu funcionamento.

O secretário de Cultura e Turismo da época, Antônio Sonsin, afirmou à reportagem que o projeto aprovado era diferente do que foi executado. “Saí da Secretaria de Cultura e Turismo alguns meses antes da Concha Acústica ficar pronta. O projeto original tinha espelho d’água, um elevador para levar os equipamentos ao palco e as telhas deveriam ser acústicas. O projeto foi deixado pela gestão do Jesus Chedid para ser feito com a verba do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias Turísticas (Dadetur), exatamente naquele local, antigo Bosque dos Eucaliptos”, informou.

Ainda segundo Sonsin, no dia da inauguração, a produção da banda Mutantes teve que instalar armações de ferro para instalar as caixas de som. “Fui proibido de entrar e de acessar o palco para ver como a obra foi entregue”, contou o ex-secretário.

Em 14 de maio de 2006, uma matéria do Jornal Em Dia informava o início das obras após reunião de assinatura de contrato com a empresa vencedora da licitação, EZC Serviços de Construção Civil Ltda. A descrição da obra revelava que haveria dois palcos, arquibancada com cinco degraus, pintura, parte elétrica e hidráulica, praça com paisagismo e o plantio de árvores, como ipês, entre outras variedades, pelo valor de R$ 740.027,77 e contrapartida da Prefeitura de R$ 173 mil.

O ex-prefeito João Afonso Sólis (Jango) reconheceu que a obra foi um erro da sua Administração e que na época foi “voto vencido” de seu partido – à época, o PSDB –, para executar a obra. “Como prefeito, na época, não tinha o objetivo de fazer, mas o partido e o secretário de Cultura acharam uma boa ideia. Minha intenção (caso seja eleito novamente) é dar outra destinação ao espaço”, disse Jango, que se declara pré-candidato ao Executivo.

Para o vereador e ex-secretário de Cultura e Turismo do governo Fernão Dias, Quique Brown, o projeto da Concha Acústica foi “megalomaníaco” e para funcionar bem, deveria ter sido menor. “Durante o ano, a Prefeitura não faz show para 20 mil pessoas, faz para cerca de cinco mil e outros bem menores. Para se ter uma ideia do que são apresentações de grande porte, em dez dias de Festa do Peão, com sorte, a empresa consegue três dias com esse tipo de público. Shows que agregam esse tipo de público custam muito, por isso para se manter a Concha movimentada com o orçamento que temos – que é ótimo se comparado com o resto das secretarias do Brasil –, daria para fazer uns três shows desse tipo por ano e mais nada”, analisou.

Como defensor da cultura, ele acrescentou que gostaria de ver o palco fechado com paredes de vidro, algumas colunas colocadas embaixo dele e uma rampa para acesso ao palco. “Adoraria ver aquele palco utilizado para shows e palestras de pequeno porte, seria lindo”, finalizou.

A Administração Municipal foi procurada para comentar a respeito da obra e esclareceu que há estudos para revitalização de todo o espaço, porém, não especificou quais são estes estudos. Questionada ainda sobre a possibilidade de demolir a Concha para construir outro espaço de cultura naquele local, informaram: “Todas as formas de mudança e destinação ao uso estão sendo consideradas. Levaremos em conta o custo do projeto e a melhor forma de aproveitar todo o recurso que ali já foi gasto em 2007 (por administração passada) e até o momento não aproveitado”, diz a nota que não foi assinada.

Enquanto isso, 12 anos depois, a estrutura continua conhecida como um “Elefante Branco”. Na manhã de quinta-feira, 28, a reportagem esteve no local e flagrou uma situação degradante: pessoas bebendo à sombra do palco, fiação exposta, muito lixo no entorno, indícios de que o espaço é utilizado por usuários de crack e cocaína, pichações e forte odor de urina.

Bowl poderá tomar o mesmo rumo

Praticantes de Skatismo do município ganharam uma pista de bowl em agosto de 2017, inaugurado pela gestão do prefeito Jesus Chedid. O equipamento esportivo recebe dezenas de praticantes e simpatizantes da modalidade. Atualmente, o espaço está restrito ao uso por conta da pandemia do coronavírus.

Em tempos normais, era comum presenciar jovens na pista de bowl. Contudo, apesar do constante uso, o espaço não tem recebido atenção necessária.

Construído próximo à Concha Acústica, a pista de bowl também coleciona problemas de zeladoria, como acúmulo de lixo (muitas garrafas de corote e vinho, papel e pinos de cocaína e vidro), além do forte odor de urina em toda parte.

A reportagem esteve no local e constatou a presença de pessoas consumindo bebida alcoólica na porta do banheiro, que deveria ser utilizado pelos praticantes de esportes.

O espaço também já ficou seis meses sem iluminação. O problema foi resolvido, mas foi objeto de indicações e inúmeras cobranças do vereador Quique Brown ao Executivo para manutenção.

Segundo o vereador Quique, a construção do bowl foi possível devido à destinação de emenda parlamentar da ex-deputada estadual Janete Pietá, para execução da obra no espaço de 500 m² no valor de R$ 596.008,27. A Administração Fernão Dias tinha a intenção de aumentar o projeto e acrescentar uma pista de street para deixar o espaço completo aos praticantes do esporte, mas o projeto nunca saiu do papel.

Após questionamento sobre a manutenção do banheiro e bebedouro, a Prefeitura informou que “está providenciando a instalação do bebedouro de alvenaria e verificando a manutenção do banheiro”, sem citar previsão.

Atualmente, a pista compõe, com a Concha Acústica, um cenário triste aos olhos dos bragantinos.

DO FUNDO DO BAÚ

Nesta semana, a Coluna Direto da Redação publica um dos momentos marcantes que entraram para a história de Bragança Paulista, ocorrido no ano de 1988, na então administração do prefeito José de Lima: a entrega das casas populares do Núcleo Residencial Padre Aldo Bollini, que hoje, é um dos principais bairros da cidade.  Foto: Acervo da página no Facebook: “Bragança ontem e hoje através de fotos e vídeos”

Você pode compartilhar essa notícia!

0 Comentários

Deixe um comentário


CAPTCHA Image
Reload Image