Em coletiva, Fernão Dias fala sobre operação do Ministério Público

Na tarde de terça-feira, 6, o prefeito Fernão Dias da Silva Leme e a primeira-dama Rosângela Leme receberam representantes de órgãos de imprensa para uma entrevista coletiva no gabinete da Prefeitura de Bragança Paulista.

Inicialmente, Fernão Dias contou detalhadamente sobre a ação do Ministério Público (MP), realizada na segunda-feira, 5, em sua casa e também na Prefeitura.

Na casa do prefeito, a ação começou por volta das 6h e durou cerca de uma hora e meia e, conforme seu relato, foi executada por cerca de 20 policiais militares, três promotores, pessoas em trajes civis e cachorros, além de apoio de helicóptero.

De acordo com Fernão Dias, a casa toda foi revirada, incluindo gavetas de roupas íntimas. O objeto de maior relevância encontrado foi uma lanterna de foco forte de luz acoplada a uma pistola. No meio dessa lanterna estaria a mira a laser que um policial teria questionado e afirmado que é de uso restrito das Forças Armadas.

Fernão Dias é delegado de polícia e sua esposa é escrivã da Polícia Civil. Ele disse que em 25 anos de profissão nunca registrou um flagrante de mira a laser.

A princípio, policiais e promotores se reuniram e disseram que iriam apreender a arma e abrir inquérito. Como a arma estava no nome de Rosângela, ela se prontificou a acompanhar os policiais até Campinas, onde, após duas horas no Distrito Policial, foi informada que o registro da ocorrência seria feito na Corregedoria da Polícia Civil. Quando chegou ao local, a primeira-dama bragantina recebeu voz de prisão por porte de arma com acessório ilegal, crime que é inafiançável.

Após ação jurídica, foi obtida determinação de liberdade provisória a Rosângela e ela foi liberada no fim da tarde de segunda-feira.

“O que foi feito na minha família é inacreditável. Ver a Rosângela ser presa em flagrante, uma mulher dessa estatura moral”, declarou o prefeito.

A primeira-dama também falou do ocorrido, afirmando que se sentiu um troféu de uma operação espetaculosa. Rosângela disse estar indignada com o tratamento que algumas mídias deram ao caso, tentando ligar a operação de Indaiatuba com a de Bragança e induzindo as pessoas a acharem que tudo o que foi encontrado na outra cidade tem a ver com Bragança.

Sobre a ação na Prefeitura, o prefeito contou que foram levados documentos e mais R$ 26 mil que estavam no gabinete. Do total, R$ 6 mil seriam de um projeto social que é mantido pelo empresário Rodrigo Morales, Carolina Andraus e por ele, além de secretários municipais e outras pessoas que não foram mencionadas. O projeto seria a manutenção de uma casa no município de Barretos-SP para tratamento de pacientes com câncer.

O prefeito explicou que os outros R$ 20 mil eram de propriedade do secretário chefe de Gabinete, José Maurício Brandão Leo, conhecido como Tuchê, que não participou da coletiva.

Sobre o carro apreendido na operação, um Tiguan, branco, Fernão Dias contou que comprou o veículo de Josué Heraldo da Silva, proprietário da Construtora Jacitara, de quem é amigo. Como parte do pagamento, ele afirmou que deu o carro recém-adquirido de seu irmão e completou o valor em dinheiro.

O Jornal Em Dia questionou o prefeito se ele acredita que tenha havido motivação política para a ação do Ministério Público. “O dia que eu acreditar que a Justiça se curva a pedidos de políticos, embora eles existam, tenho que desistir da vida”, respondeu o prefeito, apesar de caracterizar a operação como exagerada.

Rosângela disse que seria leviano apontar que houve armação política, mas questionou a ação do MP.

Fernão Dias também comentou que a Construtora Jacitara não realizou serviços diretamente para a Prefeitura em Bragança Paulista, mas sim, foi subcontratada pela CDM na obra de construção das casas do Bragança F2.

Ainda de acordo com o prefeito e a primeira-dama, durante a coletiva, não se sabia, até aquela tarde, o motivo das investigações do MP contra Fernão Dias.

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