Foto: Yasmin Godoy/Jornal Em Dia
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Em Dia com o Leitor: Mãe de paciente reclama sobre atendimento no Husf

O Jornal Em Dia recebeu, nessa sexta-feira, 24, um e-mail de uma leitora que reclama sobre o atendimento do Husf (Hospital Universitário São Francisco). Conforme o relato, ela procurou a unidade de saúde para que seus filhos fossem atendidos e, como um deles é autista, pegou senha prioritária. Ocorre que outro paciente, filho de um médico do hospital, foi passado na frente, o que lhe causou revolta.

A munícipe ainda contou que questionou a médica que atendeu seus filhos sobre o ocorrido e teve como resposta que ela fez uma gentileza ao colega de profissão, pois ele também já havia agido assim com ela.

Acompanhe o e-mail recebido na íntegra:

“Dia 20 de maio, estive com os meus três filhos no pronto-atendimento do Hospital Universitário São Francisco, em Bragança Paulista. Todos eles apresentavam quadro de tosse e “chiado” no peito. Cheguei por volta de 18h00 e peguei a senha de atendimento prioritário, devido ao autismo do meu filho, Heitor, e, logo, já estávamos na triagem. Enquanto os meus filhos eram examinados pela enfermeira, um pai, com a filha no colo, apareceu por cerca de três vezes na porta, impaciente. Ele bufou, pra deixar claro que tinha pressa em ser atendido. Aquilo, obviamente, me incomodou. Olhei para a criança e ela não me pareceu mais doente do que os meus filhos. Se naquele momento eu soubesse que esse pai é um médico do hospital, eu teria questionado o seu comportamento, mas descobri isso minutos depois.

Após a triagem, sentei com as crianças para aguardar o atendimento médico. Notei que o pai estava com a esposa e mais um filho. Ele cumprimentou vários médicos e entrou e saiu por uma porta, empurrando-a com os pés. Achei que fosse um típico barraqueiro, desses da periferia das grandes cidades, mas é um médico que se sente em casa em seu local de trabalho, embora, acredito que não abra a porta de sua casa da mesma forma.

A pediatra, então, chamou o próximo paciente, aliás, chamou os filhos do médico, pois os próximos pacientes seriam os meus filhos.

Em Belo Horizonte, eu e os demais pacientes do Hospital Mater Dei (onde Neymar operou o dedinho) e do infantil São Camilo, por exemplo, sempre fomos atendidos com total profis-sionalismo, até onde pude presenciar nunca me deparei com algo assim. Numa cidade grande, o profissionalismo e a ética são fundamentais para se obter destaque diante de tanta concorrência. No Husf, naquele dia, tive a sensação de que qualquer profissional sem profis-sionalismo é um ótimo profissional, capaz, inclusive, de atuar num hospital tido como referência na região.

Voltei para a sala de triagem e perguntei à enfermeira se aquelas crianças tinham necessidade de atendimento urgente. Não tinham.

Peguei uma folha de reclamações na parede e comecei a preencher. Após alguns minutos, o médico saiu de dentro do consultório e parou ao meu lado, observou a minha folha e Dra. Júlia chamou meus filhos. Já na sala, questionei o fato dela ter passado aquelas crianças na frente dos meus filhos, que chegaram primeiro. O argumento dela foi: GENTILEZA. Pois quando ela precisou, ele fez o mesmo por ela e seus parentes.

Gentileza seria se eu permitisse ele passar os seus filhos na frente dos meus, sem motivo algum. Se a Dra. Júlia quisesse fazer uma gentileza ao colega de trabalho que o tivesse convidado para degustar um Quinta do Vallado em sua casa. Dentro da arrogância do colega, quem sabe um Château Pétrus não seria mais adequado. Mas fazer gentileza desrespeitando os pacientes apenas retrata o baixíssimo nível de profissionalismo. Dra. Júlia garantiu que o ocorrido não voltaria a acontecer comigo novamente quando ela estivesse em atendimento, mas e com os demais pacientes, quantas vezes as tais gentilezas irão se repetir dentro do hospital?

Eu me senti desrespeitada, pois não estava na fila de um brinquedo de parque, estava aguardando pelo atendimento num hospital que, dentro da cidade e na região, é tido como referência e, mais relevante do que isso, é que eram os meus filhos, igualmente doentes e que chegaram primeiro.

Até o presente momento, não obtive retorno do hospital, com o qual entrei em contato através das redes sociais”.

Mayra Cristina do Carmo Matsuura

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