Os leitores acompanham nesta edição mais dois cordéis que estão sendo publicados em comemoração aos 252 anos de Bragança Paulista. Os poemas contam um pouco sobre a história do município e são de autoria de escritores que representam a UBT (União Brasileira de Trovadores) – seção de Bragança Paulista e a Ases (Associação de Escritores de Bragança Paulista).
Os cordéis e fotos antigas da cidade estarão em exposição de 10 a 15 de dezembro, das 14h às 17h30, na sede da Ases, sob o tema “Histórias da Cidade Poesia – Gente – Fatos – Memórias”.
Acompanhem as obras de Ana Maria Gazzaneo (Lamento pela morte do “Rio das Onças” – Jaguari), de Cida Moreira (Atravessando Bragança – Meu Ribeirão Lavapés), e de Antônio Cestari (A Educação em Bragança Paulista).
LAMENTO PELA MORTE DO “RIO DAS ONÇAS” JAGUARI
Ana Maria Gazzaneo
Em um passado esquecido,
Banhava desimpedido,
São Paulo e Minas Gerais.
Voltasse a ser o que era,
Desejo que não impera...
Esgoto só, nada mais!
Pode-se notar seu pranto,
Por tristeza e desencanto,
Nas vazantes fluviais...
Quando irritado se altera,
Toma a forma de uma fera,
Com enchentes infernais.
Se fosse limpo e bonito
Esse rio que agora é mito
Voltaria a nos encantar...
Seria então venerado,
Mas corre abandonado,
Só nos resta lamentar!
Nascentes são lá em Minas,
As suas faces meninas.
Nas cidades distritais,
Camanducaia e Itapeva
A sua presença enleva,
Grandioso em seus canais.
Com foz no Rio Tietê,
Tragédia que se antevê...
No Sistema Cantareira.
Mesmo sombra em meio às listas,
Está na vida dos paulistas,
Mas pena por desgraceira...
Foi vistoso e foi bonito,
Hoje é um rio esquecido.
Rio Jaguari hoje escorre,
Em sua devassidão,
A cortar Bragança em vão...
Abandonado ele morre...
Tão triste é presenciar,
Por descuido o seu penar...
Ao fim, um rio sem vida...
População que não pesa,
A beleza que o rio reza,
E que hoje está perdida...
Quem dera ressuscitasse,
Com certeza o desenlace,
Seria áureo, quem dera!
Mas hoje é só utopia...
Morto, ruge em agonia...
Voltasse a viver, quem dera!
ATRAVESSANDO BRAGANÇA MEU RIBEIRÃO LAVAPÉS
Cida Moreira
Bem ao leste de São Paulo
está a minha Bragança,
plena de verdes e serras
até onde a vista alcança,
terra de meus ancestrais
terra da nossa esperança.
Grande bacia hidrográfica
passa por ti através,
embora o que te enriquece
pode também ser revés
pois cito principalmente
o Ribeirão Lavapés.
Já se chamou Canivete,
eu não sei bem o porquê.
Recebeu nomes bem feios,
esgotos, não sei mais o quê.
Desse nosso ribeirão
vou contar o a-be-cê.
Na Fazenda Santa Helena,
ele já nasceu ali.
Foi descendo seu caminho
perto de onde nasci
e atravessando a cidade
chega ao Rio Jaguari.
Pois foi em dois mil e onze
o ano da grande enchente.
O Lavapés inundou
destruindo o ambiente,
prejudicando a cidade
e assustando toda gente.
A grande urbanização
feita sem estudo sério,
o crescer desordenado
com a falta de critério,
trouxe um progresso falso,
com um grande revertério.
Invadido pelo mato,
abandonado e tão triste,
marulhando de mansinho,
até ao lixo resiste,
acolhendo os passarinhos
pra lembrar que ainda existe!
Agora uma garça branca
faz renascer nossa fé,
renovando a esperança
de quem não esquece quem és,
pois atravessas Bragança,
meu Ribeirão Lavapés.
A EDUCAÇÃO EM BRAGANÇA PAULISTA
Antônio Cestari
A Educação é um processo
que faz a manutenção,
permite a perpetuação,
transmitindo à criatura
um arsenal de cultura
geração a geração.
Esse processo dinâmico
é bastante inovador,
método transformador,
forma a personalidade
que sustenta a sociedade
depois dos pais, com vigor.
A Educação é uma arte
de ensinar e aprender
um jeito especial de ser.
Um fenômeno social,
crescimento intelectual,
cabedal de um bom saber.
A Educação se forma
num conjunto de ações
por meio de situações,
costumes presenciados,
valores determinados
vividos nas relações.
Um conjunto de influências
voluntárias e exercidas
que iluminam as vidas
da criança ao ancião
e com determinação
sociedades são mantidas.
Ser Professor é uma arte
entre ensinar e aprender,
sobretudo compreender
nos alunos as diferenças
nas convivências e crenças
na maneira de entender.
Artista da Educação
que exige perseverança
propósito e esperança,
vontade, ideal, amor,
ser firme mantendo humor
para educar a criança.
Para ser educador
é preciso ter coragem,
crer no ensino-aprendizagem,
numa atuação efetiva,
na relação afetiva
entre Aluno-Professor.
O eterno aprendiz possui
mente aberta à informação,
surpreendente devoção
ao ensino ilimitado,
sendo bem estimulado
com sua própria evolução.
O processo educativo
nos espaços escolares,
em diferentes lugares
segue a forma intencional,
desenvolve o intelectual,
de uma maneira geral.
Só a Educação consegue
descentralizar poder
sufocante do saber
de um ser sem conhecimento
cuja vida é um tormento
sem condição de vencer!
Da Educação Infantil
chegando à Pós-Graduação
para formar cidadão
a prática educativa
mantém a mente ativa
com carinho e mansidão.
Educação vem ao lado:
da saúde, seguranças,
do orçamento, das finanças
junto à Assistência Social
com um programa ideal
para cuidar das crianças.
Guardo na minha memória
as escolas que passei
onde aprendi e ensinei,
semeei tanta esperança
na Educação em Bragança
descrita na trajetória.
O Jorge Tibiriçá
é o segundo altruísta
de nosso interior paulista!
Continua sua missão
divulgando a Educação
com nobreza e distinção.
Na Escola José Guilherme
uma árvore frondosa
ergue os braços orgulhosa
aplaudindo a educação
plantada com união
em parte, por minha mão...
Simbolizando um período
de trabalho, de atenção
de grande dedicação
nas Escolas de Bragança
com muita perseverança,
idealismo e retidão.
Projetos Estaduais
com Salim na liderança
fazem escolas de Bragança
terem algo de especial
com o incentivo essencial
à leitura e segurança.
A Rede Municipal
de Educação em Bragança
transborda-se em confiança
com o tempo integral,
um projeto genial
que favorece a criança.
Com muitas atividades
culturais, recreativas,
animações esportivas
no contraturno escolar
que deverá começar
com tamanha seriedade.
Com o projeto ampliado
valiosa contribuição
envolvendo a região,
com mestre especializado,
e alimento equilibrado.
Grandiosa realização!
A Escola da Vila Motta
escolhida a pioneira
desenvolve altaneira
com grande diferencial
e segurança total
“aluno em tempo integral”.
No Bairro das Águas Claras
com Assistência Social,
um centro referencial
de saúde, outra unidade
entrando em atividade
com eficiência total.
Neste Século XXI
o desafio inquietante
e esperança entusiasmante
provocam questionamentos,
exigem envolvimentos
e compromisso inerente
de toda a população
no setor da Educação
diante da dimensão
das lacunas pertinentes,
incertezas insistentes
que afligem o cidadão.
Aos Governantes dos povos
ouso pedir e animar,
advertir e implorar
sensatez e competência
com vigorosa abrangência
no sentido de educar.
“Reencantar a Educação
é sonho do educador”
que preza ensinar com amor,
ternura e compromisso.
Desperta Brasil pra isso!
Bragança cumpra a missão!
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