Primeiramente, para dar o exemplo a todo e qualquer membro da Igreja que vai instituir para continuar a sua missão. A salvação que Jesus trouxe ao mundo não termina com sua morte e ressurreição, mas continua no mundo por meio da Igreja. Dizendo: “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19), Jesus estabelece a ordem inicial: primeiro o anúncio da sua palavra e, em seguida, o Batismo para aqueles que a aceitam. São batizados todos que, ouvindo o anúncio, professam o Evangelho. Assim, o Batismo é o primeiro sacramento que o cristão recebe.
Batismo vem da palavra grega “baptízein” e significa mergulhar, imergir (CIC 1214). Nesse mergulho ou imersão, o novo cristão morre para o pecado e ressurge para a vida nova em Cristo. Torna-se, pois, filho de Deus e herdeiro do céu pelo novo nascimento da água e do Espírito Santo (Rm 8,15-17). O sacramento do Batismo apaga, no batizando, o pecado original e todos os demais pecados pessoais, pois eles são conse-quência do primeiro. E é condição essencial para a salvação do ser humano: “Aquele que crer e for batizado será salvo” (Mc 16,16); “Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus (Jo 3,5).
O Batismo é, pois, um banho de água no qual “a semente incorruptível” da Palavra de Deus produz seu efeito vivificante (1Pd 1,23). Santo Agostinho dirá do Batismo: “Une-se a palavra ao elemento, e acontece o sacramento” (CIC 1228).
Na Igreja Católica Apostólica Romana, são ministros do Batismo o bispo, o padre, ou o diácono, que são ministros ordenados, isto é, que receberam o sacramento da Ordem. Em caso de necessidade, porém, qualquer pessoa, mesmo não batizada, que tenha a intenção exigida, pode batizar, utilizando a fórmula batismal trinitária. A intenção requerida é fazer o que a Igreja faz quando batiza. A Igreja vê a razão dessa possibilidade na vontade salvífica universal de Deus (1Tm 2,4) e na necessidade do Batismo para a salvação (Mc 16,16; CIC 1256).
A fórmula utilizada é a seguinte: “Nome do batizando..., eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Enquanto se pronuncia a fórmula, ao dizer Pai, derrama-se um pouco de água na cabeça da criança ou do adulto. Esse gesto se repete ao dizer Filho e depois Espírito Santo.
Porque o próprio Jesus foi batizado com água, no Rio Jordão. A água é fonte de vida para os seres vivos. Simboliza a vida nova em Cristo. Por ela, o batizando renasce como filho adotivo de Deus Pai e irmão de Jesus (Rm 8,15). Tornando-se filho, é também herdeiro e recebe a vida nova em Cristo, renascendo do alto ou nascendo de novo (Jo 3, 1-7).
Durante o ano, no dia do Batismo, acende-se o círio pascal. Essa vela grande acesa no sábado santo representa Jesus ressuscitado. O ato de acender a vela do Batismo no círio pascal significa que o batizando recebe a vida nova em Cristo. Esta luz, que é Cristo, indica ao novo membro da Igreja que somente ao Mestre ele deve seguir e imitar. Jesus diz: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12). No dizer de Jesus o batizando se torna também luz para o mundo: “Vós sois a luz do mundo. (...). Brilhe do mesmo modo a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, eles glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,14-16). O cristão, portanto, está no mundo para ser luz para os outros homens e mulheres.
Nas ofertas ou oblações das primícias (primeiros frutos da colheita), o óleo devia ser esparramado sobre elas e oferecido em primeiro lugar ao Senhor (Lv 2, 1-6). Esse ato indicava que aqueles frutos da colheita eram para Deus. Aarão, ao ser instituído sacerdote, foi ungido com óleo (Ex 29,7). Assim também os profetas: “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu (Is 61,1). Os reis de Israel, iniciando por Saul (1Sm 10,1) e depois Davi (1Sm 16), foram ungidos. Essa unção indica que a pessoa estava separada, a serviço do Senhor para o bem do povo. Assim, também o batizado é ungido porque se torna uma pessoa a serviço do Senhor para o bem do povo. Os sacerdotes, os profetas e os reis são pessoas a serviço do Senhor para o bem de outras pessoas.
Essa unção imprime no cristão o caráter, o selo do Senhor e é símbolo de força, resistência e missão. Por ela, adquire o batizado as funções sacerdotal, profética e real. Como sacerdote, participa das celebrações; como profeta, se torna anunciador do Evangelho; e como rei, está a serviço da comunidade, pois rei é aquele que serve como Jesus o fez.
(continua)
Paulo Trujillo Moreno
Pastoral Familiar e Litúrgica da Paróquia de São Benedito
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