5º domingo da Páscoa – Ano C – 31Depois que Judas saiu do cenáculo, disse Jesus: “Agora foi glorificado o Filho do homem e Deus glorificado nele. 32Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo. 33Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco. 34Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. 35Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros”. – Palavra da salvação.
“Agora foi glorificado o Filho do Homem e Deus glorificado nele”. Este trecho do Evangelho, escrito por São João, nos relata o que se passou na Quinta-feira Santa, após a instituição da Eucaristia por Jesus Cristo. O Filho do Homem é Jesus Cristo. A dialética da frase repousa sobre o tempo verbal: foi glorificado é passado. O advérbio agora reflete o presente. A ação mencionada no presente – agora – mesmo expressa no passado – foi glorificado – reflete uma ação futura: será glorificado. Para Jesus, como Deus, não há passado nem futuro. A saída de Judas do cenáculo é o início da ação que se desencadeia e culmina no Calvário com a crucificação de Jesus. Essa ação não será interrompida até seu final. A glorificação de Jesus consiste em ter cumprido toda a missão que o Pai lhe deu. A glorificação de Deus consiste na caminhada de Jesus e sua ressurreição. O Pai é glorificado pela ação do Filho ressuscitado para cumprimento total das Escrituras.
“Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros”. Judas já saiu do local para consumar seu plano de traição a Jesus. Com Ele, estão apenas onze apóstolos. Jesus se despede chamando-os de “filhinhos”, tão grande é a estima que o Mestre tem por eles. Sua missão está cumprida: a salvação chegou à humanidade e as portas do céu serão abertas a todos os seres humanos – homens e mulheres. Nessa despedida, Jesus dá a seus apóstolos um novo mandamento, um novo modo de vida. Qual é a novidade? No livro da Bíblia chamado Levítico, que é o livro das leis judaicas, capítulo 19, versículo 18, está escrito este mandamento: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Jesus aperfeiçoa esta ordem e a torna nova de agora em diante: “Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros”.
Esta é a novidade: amar o próximo da mesma forma como Jesus nos amou. E como é o amor de Jesus por nós? O amor de Jesus por nós é um amor elevado ao máximo da capacidade humana, tão grande, tão intenso que Ele deu sua própria vida em nosso favor. O amor de Jesus por nós é um amor sem interesse próprio, sem egoísmo e centrado no interesse do ser humano. O amor de Jesus por nós está voltado para o nosso bem e nossa felicidade já nesta terra, mas, sobretudo, na felicidade eterna no céu, junto de Deus-Pai. De agora em diante, já não devemos amar o próximo como a nós mesmos, porque muitas vezes nos amamos com o egoísmo próprio do ser humano: tudo para nós e somente para nós. Jesus nos ama diferente: “tudo para o ser humano, até sua própria vida”. Jesus é doação total aos irmãos, é pão e vinho, a Eucaristia que sustenta a vida na terra. Jesus é oração que nos conduz ao Pai.
“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros”. A marca definitiva do cristão é o amor. Se nos dizemos cristãos e não temos o amor ao próximo, então não somos cristãos, por mais que o afirmemos de pés juntos. Sem amor ao próximo, tal afirmação é vã. Não vale nada. Porque Deus vê o fundo do nosso coração e verá o deserto que existe nele. O amor deve estar nas esmolas que damos, nos serviços que fazemos, nos auxílios que prestamos. Em casa, no trabalho, na escola, nas reuniões ou onde quer que estejamos o amor deve estar sempre diante de nós porque “nisto todos conhecerão que sois meus discípulos”.
Paulo Trujillo Moreno é professor licenciado pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, formado em Teologia para leigos pela Diocese de Bragança Paulista e participante das Pastorais Familiar e Litúrgica da Paróquia São Benedito.
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