19 – Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”.
20 – Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.
21 – Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”.
22 – E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo.
23 – A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.
Com este Evangelho de São João, a Igreja de Jesus Cristo celebra a festa de Pentecostes, ou seja, a festa da vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos, discípulos e também sobre as mulheres que acompanhavam Jesus.
São João e São Lucas apresentam perspectivas diferentes quanto a Pentecostes. Para São João, ele ocorre no próprio dia da ressurreição de Jesus, ao passo que São Lucas faz coincidir a vinda do Espírito Santo com a festa judaica de Pentecostes, cinquenta dias após a Páscoa. Embora as perspectivas sejam diferentes, a finalidade é a mesma, pois ambos mostram que o Espírito que sustentou a missão de Jesus na realização do projeto de Deus é o mesmo Espírito que agora anima as lutas da comunidade cristã.
(Cf. Pe. José Bortolini, in “Roteiros Homiléticos”, pág. 122, 2ª ed.)
A vinda do Espírito Santo sobre os discípulos marca o encerramento da missão de Jesus na preparação daqueles que, a partir de então, conduzirão o anúncio da Palavra de Deus ao mundo. No dia de Pentecostes nasce a Igreja de Jesus, que tem uma missão específica:
“Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei” (Mt 28,19).
Este é um momento muito especial, pois a partir dele os olhos e as mentes dos discípulos se abriram para que pudessem ver e compreender tudo o que antes lhes era obscuro. O Espírito lhes comunicou seus dons, e a luz divina iluminou suas vidas:
“Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava” (At 2,3-4).
Agora podiam, com segurança, assumir a missão de evangelizadores, conforme Jesus lhes ordenara:
“Como o Pai me enviou, também eu vos envio”.
Neste dia foi revelada plenamente a Santíssima Trindade. A partir dele, o Reino anunciado por Cristo está aberto aos que creem nele; na humildade da carne e na fé, eles participam já da comunhão da Santíssima Trindade. Por sua vinda — que não cessa —, o Espírito Santo faz o mundo entrar nos “últimos tempos”: o tempo da Igreja, o Reino já recebido em herança, mas ainda não consumado.
(Cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 732)
Tendo sido revestidos dos dons do Espírito Santo — Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor de Deus —, os discípulos saíram pelo mundo afora anunciando as Palavras de Jesus. Com sabedoria, entendimento e ciência, facilitaram aos que os ouviam o aprendizado dos Evangelhos. Diante das dificuldades da missão, tiveram a fortaleza necessária e o bom conselho para superá-las. O temor (respeito) a Deus e a piedade serviram de estímulo aos que os ouviam e acompanhavam.
Todo cristão é revestido da “força do Alto” (Lc 24,49) no dia de seu batismo, recebendo os dons do Espírito Santo para anunciar a Palavra de Deus. Se você crê em Jesus, receba o batismo e faça com que também sejam batizados seus filhos e entes queridos.
Paulo Trujillo Moreno, professor, bacharel em Direito, formado em Teologia para Leigos e participante das Pastorais Familiar e Litúrgica.
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