21º domingo do Tempo Comum – Ano C – Naquele tempo, 22Jesus atravessava cidades e povoados, ensinando e prosseguindo o caminho para Jerusalém. 23Alguém lhe perguntou: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?”. Jesus respondeu: 24“Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita. Porque eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão. 25Uma vez que o dono da casa se levantar e fechar a porta, vós, do lado de fora, começareis a bater, dizendo: ‘Senhor, abre-nos a porta!’ Ele responderá: ‘Não sei de onde sois’. 26Então começareis a dizer: ‘Nós comemos e bebemos diante de ti e tu ensinaste em nossas praças!’ 27Ele, porém, responderá: ‘Não sei de onde sois. Afastai-vos de mim todos vós que praticais a injustiça!’. 28Ali haverá choro e ranger de dentes quando virdes Abraão, Isaac e Jacó, junto com todos os profetas, no reino de Deus e vós, porém, sendo lançados fora. 29Virão homens do oriente e do ocidente, do Norte e do Sul e tomarão lugar à mesa no reino de Deus. 30E assim há últimos que serão primeiros e primeiros que serão últimos”. – Palavra da salvação.
“Jesus atravessava cidades e povoados, ensinando e prosseguindo o caminho para Jerusalém”. Jesus começa sua pregação, o anúncio da Palavra de Deus, pela Galileia, que fica ao norte de Israel. Era chamada de Galileia dos pagãos porque sua população era constituída por pagãos da região e israelitas, tendo estes se casado com aqueles. Começando o anúncio da Palavra por aí, Jesus demonstra que a salvação deve chegar a todos os povos sem distinção. Ele faz o caminho da periferia para o grande centro político e religioso que é Jerusalém, onde vai se defrontar com as autoridades. Denuncia o erro, indica a correção e é condenado à morte.
“Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?” . Jesus não responde sim nem não. Apenas ensina que a salvação é possível a todos, mas que é preciso esforço: “Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita”. O caminho e a porta do céu aparecem como estreitos porque, para se chegar à santidade, é preciso vencer muitas dificuldades. Por outro lado, o mundo apresenta como sedutor o caminho da perdição. É preciso vencer as tentações que sempre parecem boas, lindas e sedutoras. Contudo, salvar-se não é impossível, pois a vinda de Cristo nos deu essa possibilidade e, por meio de seu sacrifício na cruz, o homem e a mulher se tornaram novamente filhos de Deus e herdeiros do céu.
“Uma vez que o dono da casa se levantar e fechar a porta...”. Há um tempo para se conseguir a salvação. E esse tempo é o da vida de cada um. Não se pode deixá-lo escapar. O tempo da vida é a oportunidade de se fazer o bem, de ser bom, de praticar a caridade e distribuir o amor que se traz no coração. Todos têm algo de bom dentro de si para repartir. E não é preciso ir longe para a prática do bem. Atenda ao doente que está próximo. Olhe as crianças, abandonadas ou não, que precisam de uma palavra de carinho, de estímulo, de instrução para poderem se modelar neste mundo. Veja o idoso ou a idosa que vive no seu bairro e troque um dedo de conversa com ele ou com ela. Às vezes, sentem tanta falta de atenção e estão tão desprezados e esquecidos que ninguém lhes dirige uma palavra. Um dedo de prosa não custa nada e pode fazer tanto bem.
“Não sei de onde sois. Afastai-vos de mim todos vós que praticais a injustiça!” . Assim que terminar o tempo da salvação, começará o tempo do julgamento e o Senhor, justo juiz, dará a cada um segundo suas obras e sua fé. É preciso agir enquanto há tempo para que a sentença acima seja mudada para: “Vinde, benditos de meu Pai, recebei por herança o Reino preparado para vós desde a fundação do mundo” (Mt 25,34). A chave da salvação de cada um está nas palavras justiça e amor. Praticar a verdadeira Justiça e distribuir o amor fraterno.
Paulo Trujillo Moreno é professor licenciado pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, formado em Teologia para leigos pela Diocese de Bragança Paulista e participante das Pastorais Familiar e Litúrgica da Paróquia São Benedito.
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