Comemoração de todos os fiéis defuntos – Ano C – Naquele tempo, 11Jesus dirigiu-se a uma cidade chamada Naim. Com ele, iam seus discípulos e uma grande multidão. 12Quando chegou à porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único; e sua mãe era viúva. Grande multidão da cidade a acompanhava. 13Ao vê-la, o Senhor sentiu compaixão para com ela e lhe disse: “Não chore!”. 14Aproximou-se, tocou o caixão, e os que o carregavam pararam. Então, Jesus disse: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!”. 15O que estava morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe. 16Todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus dizendo: “Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo”. 17E a notícia do fato espalhou-se pela Judeia inteira e por toda a redondeza. – Palavra da salvação.
“Jesus dirigiu-se a uma cidade chamada Naim”. Dois cortejos se encontram às portas da cidade de Naim: um transpirando vida, alegria, confiança, junto com Jesus; o outro, envolto em morte, tristeza, solidão, conduz um defunto, filho único de uma mãe viúva. O primeiro representa a comunidade cristã e o segundo, a humanidade que ainda não é cristã. Jesus chegou, deu vida ao filho morto e o devolveu à sua mãe viúva. Quem está com Jesus possui vida e vida em abundância (Jo 10, 10), pois, para isso, Jesus veio ao mundo. A missão do cristão é a mesma de Jesus: levar vida, alegria e fé, anunciando a Palavra do Evangelho por onde passar.
“Ao vê-la (a mãe), o Senhor sentiu compaixão para com ela e lhe disse: ‘Não chore!’”. Quem é Jesus? Aquela mãe não sabe. Jesus não a conhece. Ele, seus discípulos e uma grande multidão que o acompanha, se dirigem para a cidade de Naim. O encontro é casual, embora na vida de Jesus nada seja casual. Ele, como Deus, conhece o que se passa no íntimo daquela mãe, sabe a falta que lhe faz o filho único. Ninguém lhe pede nada nem intercede pela mãe tão dolorida. Jesus não é insensível ao sofrimento e se comove diante daquela mãe, preparando, ao mesmo tempo, uma resposta aos enviados de João Batista (7, 22). Ele se aproxima daquela mulher e a consola: “Não chore”. Talvez ela tenha agradecido e pensado que se tratava de mais uma pessoa bondosa que a vinha consolar, mas não podia avaliar o tamanho de sua dor.
O amor de Jesus pelos que sofrem é tão grande que Ele intervém, mesmo sem ninguém pedir, por isso diz: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!”. Ó, encontro abençoado! Que alegria sentiu aquela mulher e mãe! O filho morto reviveu para sua mãe e a mãe, com certeza, renasceu para uma nova vida com Jesus Cristo. Jesus também caminha por onde cada um passa com suas dores, suas dúvidas e seus sofrimentos; Ele sabe o que se passa no íntimo de cada um. Jesus não é insensível ao seu sofrimento. Ele vai agir no tempo certo, mas, se você tem pressa, provoque a ação imediata de Jesus. Peça a bênção, o alívio de suas incertezas, a graça para curá-lo ou curar seus parentes e amigos. Dobre seus joelhos em oração confiante e se coloque nas mãos e à disposição do Senhor. Ele vai agir em sua vida, como agiu na vida daquela mãe viúva. Ele é o Senhor da vida e quer para seus filhos que “todos tenham vida em abundância” (Jo 10, 10).
“Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo”. Eis a grande verdade que responde à pergunta feita no início deste texto: Quem é Jesus? O povo, por inspiração divina, reconhece quem é Jesus: “um grande profeta”. Para aquele povo, profeta era sempre um homem de Deus. O adjetivo grande vem diferenciar Jesus. Ele não era apenas mais um profeta, mas sim um grande profeta. E na segunda parte da frase, a resposta à pergunta fica inteiramente clara: “Deus veio visitar o seu povo”. Jesus não é um profeta a mais. Jesus é Deus que veio visitar o seu povo para livrá-lo de todo o pecado e abrir-lhe as portas do céu. E, como Deus, Ele age em sua vida porque o ama. Desde antes da sua concepção, o Senhor já o conhecia e consagrava para ser seu enviado, para o anúncio do bem e a salvação de todos os seus irmãos (Jr 1, 5). Jesus é o Deus que ama e livra o homem e a mulher de todos os males porque Ele escolheu a cada pessoa batizada para ser seu missionário, seu profeta. Mas você precisa dizer sim ao chamado divino. Você nasceu para o bem. Para seu próprio bem, para o bem de seu irmão e de todo o povo de Deus.
Paulo Trujillo Moreno é professor licenciado pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, formado em Teologia para leigos pela Diocese de Bragança Paulista e participante das Pastorais Familiar e Litúrgica da Paróquia São Benedito.
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