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Crônicas de um Sol Nascente

EXPO 2025

Recentemente, nossa família visitou a Feira Mundial (também conhecida como Exposição Internacional ou simplesmente EXPO) que, desde abril, está ocorrendo na cidade japonesa de Osaka.

Para quem não conhece, trata-se de um evento organizado pelo Bureau International of Expositions (BIE ou “Oficina Internacional de Exposições”), que reúne países de todas as partes do globo para montar os seus “pavilhões” – espaços nos quais mostrarão um pouco de sua cultura e de seus produtos para os visitantes, estes também oriundos das mais diversas localidades. Tudo isso dentro do tema escolhido pela cidade-sede. No caso de Osaka, em 2025, o tema escolhido foi: “Projetar a Sociedade do Futuro para as nossas Vidas”. Um excelente tema, vale frisar.

Esta é a terceira vez que o Japão organiza uma EXPO, sendo que a primeira foi justamente em Osaka, no ano de 1970. A única outra cidade, além de Osaka, a receber uma EXPO no Japão foi Nagoia, no ano de 2005.

Pois bem, como as EXPOS ocorrem a cada cinco anos nos mais diversos países – o próximo será em 2030 na Arábia Saudita –, é natural que sempre atraiam multidões. E neste ano, claro, a coisa não foi diferente.

Já sentimos o drama tão logo o ônibus foi se aproximando do Parque de Bampaku, local da exibição. Há duas vias de entrada: os portões Leste e Oeste. E ambas estavam, como dizemos em Manaus, “entupidas de gente”. A do “Oeste” um pouco menos, é verdade. E foi por lá que conseguimos entrar.

Vale também registrar que, além das filas quilométricas, o calor estava de matar (o verão de Osaka, acreditem, costuma torrar até um amazonense como eu). Agora, imaginem tudo isso levando pelas mãos uma criança de seis anos como estávamos fazendo?

Pois é, foi uma verdadeira odisseia, mas que, no final, valeu muito a pena. Isso porque conseguimos visitar três pavilhões – Senegal, Chile e, yes, Brasil –; além de três prédios que reuniam pavilhões menores dos mais diversos países. Foi num desses prédios, aliás, que o Endi mais se divertiu, principalmente quando visitou o Pavilhão de Iémen. Lá, ao ver o maravilhoso artesanato desse povo, Endi encontrou uma pequena lâmpada de Aladim com a qual simplesmente se encantou. Tanto que foi logo fazendo o primeiro pedido: “Papai, compra?”.

Mas, percebendo pela minha cara que o preço estava, digamos, mais alto que um tapete voador, o que fez o meu pequeno comerciante? Negociou. Tanto que acabou conquistando a simpatia do vendedor, que praticamente lhe “deu” o produto pela metade do preço real. Isso porque, acredito, o Endi adotou a estratégia da pechincha, que é quase uma lei comercial no mundo islâmico. É, esse meu menino vai mesmo mais longe que o Aladim...

E, para fecharmos aquele dia tão especial de EXPO, claro, fomos ao meu Brasil. Um pavilhão muito bonito, aliás, ainda que a apresentação futurística tenha deixado confusos alguns visitantes que, como eu, esperavam um Brasil um pouco mais... agrário – mostrando, por exemplo, o café ou outros produtos que tanto fazem o nosso sucesso no mercado internacional.

Mas, como eu disse, o Brasil estava com um pavilhão belíssimo. Além do mais, com um espaço para a criançada se pintar – o que, claro, o Endi também adorou.

Lá, fomos atendidos por uma japonesa que crescera em São Paulo. Uma jovem simpatiquíssima, aliás, que muito me falou de sua saudade em relação a nosso país. Ela agora estuda Português em Osaka – e fala muito bem o nosso idioma, vale frisar.

E a conversa estava boa, nostálgica... Até que o Endi deixou todo mundo em pânico ao correr com a mão suja de tinta em direção ao telão que exibia trechos do nosso Carnaval!

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EDWEINE LOUREIRO nasceu em Manaus (Amazonas-Brasil) em 20 de setembro de 1975. É advogado e professor de idiomas, residente no Japão desde 2001. Premiado em mais de quinhentos concursos literários no Brasil, no Japão, na Espanha e em Portugal. Em 2024, seu livro obteve o Primeiro Lugar no Prêmio João do Rio (para “Livro de Crônicas”) da UBE-RJ. Também em 2024, foi o roteirista vencedor do “WriteMovies Script Pitch Contest”, nos Estados Unidos. É sócio correspondente no Japão da Associação de Escritores de Bragança Paulista (Ases).

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