Estreia nesta quinta-feira, 10, e vai até o dia 15 deste mês a exposição “Histórias da Cidade Poesia – Gente – Fatos – Memórias”, promovida pela Ases (Associação de Escritores de Bragança Paulista), pela UBT (União Brasileira de Trovadores) – seção de Bragança Paulista e pelo memorialista Luís Antônio Palombello.
Gratuita, a mostra reúne cordéis que abordam diversos personagens da história de Bragança Paulista ao longo desses 252 anos e fotos antigas. O público poderá conhecer os trabalhos na sede da Ases, que fica na Rua Coronel Leme, 35, no Centro, das 14h às 17h30.
Confira mais alguns cordéis elaborados por escritores especialmente para comemorar o aniversário da cidade.
AS SETE COLINAS DE BRAGANÇA PAULISTA
Maria Cestari
Pesquisei filosofia,
busquei na literatura
e descobri com ternura:
sete lembra a perfeição.
Consultei minha razão
e a eterna simbologia...
Porque gosto da poesia
numa nova dimensão.
Sete, minha inspiração!
Sete existe sem rival,
simbolismo universal,
é o número da criação!
Sete traz conhecimento!
Sete igrejas, sete altares,
sete bairros, sete mares...
Por ser número sagrado
setenta e sete é citado
lá no antigo testamento.
Sete dias da semana
em memória à criação:
O Templo de Salomão,
trombetas, taças, visões...
Sete milagres, menções
no Evangelho de São João.
Sete pétalas da rosa,
sete virtudes e dons,
sete estrelas, sete tons...
Candelabro dos Judeus,
proximidade com Deus,
plenitude gloriosa!
Há sete cordas na lira
e sete artes liberais,
sete notas musicais,
sete cordas no violão,
sete selos de São João,
sete ciências naturais.
Sete cores do arco-íris,
ilusões, encantamentos...
Sete são os sacramentos
e os pecados capitais.
Há sete graus celestiais,
plenitude em movimento!
Entre vales e colinas
qual Roma, nasce Bragança
construída com esperança
e um aspecto do sagrado.
Com as montanhas ao lado,
aconchego e segurança.
Foi nesta colina aqui,
talvez, por ser a mais bela,
construiu-se uma capela,
ao redor, um povoado
mais tarde denominado
Conceição do Jaguari.
Era Bragança menina
bailando sobre as colinas,
descendo as verdes campinas
às margens de um ribeirão,
entre acordes da canção
a religião predomina.
Como a expressão da poesia
a igreja se estabelece.
A comunidade cresce,
seu povo se fortalece
tendo no olhar uma prece,
no sorriso, a simpatia.
Paróquia de São Francisco
e o Coração de Maria,
São José, Santa Luzia,
Senhora da Aparecida,
também estabelecida
a de Santa Terezinha.
O bairro Santa Libânia
deixou-nos bela lembrança
como presente: a bonança
de uma festa organizada,
com carinho preparada
sempre no dia da criança.
Os habitantes do bairro
têm por santo protetor
São Francisco fundador
da grande ordem milenar
que nos ensina a cuidar
de nosso irmão sofredor.
Meu Santo Irmão de Assis!
Francisco Santo da Paz
serenidade eficaz!
Francisco homem do Bem,
da alegria que convém
ao ser, eterno aprendiz.
Em ressonâncias de paz
neste torrão brasileiro
São Francisco é medianeiro,
é um Conselheiro do Amor
de Jesus Nosso Senhor:
“Eu vos deixo a minha PAZ”.
No bairro Vila Maria
bem alto existe um cruzeiro.
Sebastião foi pioneiro
em pensar naquela cruz
que em silêncio nos conduz
à reunião com sintonia
ao Coração Imaculado
de Maria, mãe conselheira
e querida padroeira
desta igreja renovada,
com ternura exaltada
nossa eterna medianeira.
Há algum tempo nessa Vila
uma creche foi preciso.
Às vezes, com improviso
e muita dedicação,
liderou grande missão:
Comunidade Sorriso!
E na mais alta colina
com disposição e fé
a igreja de São José
e toda comunidade
unida pela amizade,
devoção e seriedade.
Com seu precioso labor
dá-nos exemplos do amor
de Jesus Nosso Senhor.
Busca o caminho da paz,
da mansidão que me apraz
e me conduz ao louvor!
O bairro do Taboão
sempre foi privilegiado
com as fazendas de gado,
grandes tulhas de café!
E o Bairro de São José
viu nascer sua Estação.
Abaixo um bonito lago
ponto chique da cidade,
a bela Universidade,
um Campo de Aviação,
um marco na região,
sensação de liberdade!
O bairro Santa Luzia
escolheu por padroeira
uma santa medianeira,
protetora da visão.
Comunidade em ação
com devoção e harmonia
À luz do conhecimento!
Sem luz não temos visão,
sem luz, plena escuridão.
Que brilhe a luz interior,
que irradie o Amor
dentro, em todo coração!
Lá na Vila Aparecida
tem samba, tem carnaval
quarenta anos, afinal
de uma garra persistente
que a população contente
participa embevecida.
Sábios Freis Agostinianos
com muita fé e devoção
trabalham na educação
dos fiéis e das crianças.
Vivem semeando esperanças
por muitos e longos anos.
Com infinita emoção
sobre a Vila Aparecida,
linda igreja foi erguida.
Comunidade altaneira
cuja santa padroeira
é a Senhora Aparecida.
Virgem Santa milagrosa
Padroeira do Brasil,
deste mar e céu de anil,
deste povo que oferece
tanta gratidão em prece:
Abençoa nosso Brasil!
Em cima de outra colina,
Bairro Santa Terezinha
tem por padroeira a irmãzinha,
exemplo de santidade,
de fé, bondade e humildade
uma santa, uma menina!
Uma Irmã de Caridade
-ações misericordiosas-
promete a chuva de rosas
do céu à população
e com santa devoção
nos ensina a santidade.
Padre Aldo, pulsos de aço,
Padre Donato também,
bondade e força do bem
com obras em construção,
rica evangelização,
movimentando o pedaço.
Igreja, Escola, Teatro,
comunidade reunida
registra a missão cumprida
catequizando criança
nesse bairro de Bragança
obra prima inesquecida!
Queridas Irmãs do PIME
defensoras das Missões,
que reconstroem corações.
Minha eterna gratidão
com justa e plena razão
Irmã Marinei do PIME.
E no centro mais antigo
no coração da cidade
entre a luminosidade:
prédios de rara beleza,
casarões lembram nobreza
dessa antiga sociedade.
Clube e Casa de Cultura,
Prédio do Cine Bragança,
a Orquestra formando aliança:
Teatros e recitais,
eventos Municipais
além de Escolas de Dança.
Sociedade Italiana,
praças, jardins naturais
entre os prédios comerciais,
bonita e monumental
escola tradicional:
Tibiriçá, primordial!
Outra Igreja, um manancial
com imenso relicário:
linda Igreja do Rosário.
Grande beleza interior
decorada com ardor
além do seu campanário!
E no lugar da capela
na colina primordial
uma rica Catedral
construída com emoção,
com ternura e gratidão,
Senhora da Conceição!
Nos idos sessenta e cinco
os sinos tristes clamaram,
suas vozes proclamaram
a breve demolição
traduzida em comoção
que os olhares revelaram.
A destruição nos comove
porque somos destrutíveis,
frágeis, mortais e falíveis...
Capazes de reconstruir
de se erguer, de reagir,
de pensar, amar e agir.
Veja a Catedral construída
em grande celebração.
Senhora da Conceição,
Padroeira de Bragança,
em Ti nossa confiança
em Teu Filho, Deus e Irmão!
Completando aniversário
a Diocese de Bragança.
Pastorais em segurança
e o “evangelho da alegria”
grandiosa soberania,
Dom Sérgio na liderança!
Ouvindo o Espírito Santo
resplandecente de luz,
com sobriedade conduz
nossas dezoito cidades,
em todas comunidades
testemunhando Jesus.
Registrando na memória
gratidão, perseverança...
Oh! Diocese de Bragança
com noventa anos de história,
são noventa anos de glória,
bênçãos, bem-aventurança!
A VACA JÁ QUE FOI TURMA
Célia Monteclaro Vasconcellos de Azevedo
Viva a vaca que foi turma...
encheu-nos de esperança...
durante os anos cinquenta
agitou nossa Bragança
e neste cordel agora
vem nos trazer a lembrança
Começou pequenininha...
nove, dez membros, talvez...
foi crescendo com o fermento
de amizade e polidez.
Davis, Edmir, Chico Solha...
Tânia, Célia, Maria Ignez...
Vaca mama era a Luzia...
Ana Maria, sua irmã...
Jovelty, trouxe Pitico,
Cafunga, Cléber Bedran.
Zeca Coelho trouxe o Yves,
Ruy Monte Claro o Osman...
Inezinha apresentou
pra turma que se formava:
Cleonice, Paulina, Sarti,
gente nova que chegava.
Com Maria Lúcia Aguiar
time completo ficava.
Flávios Vilches e Bertelli.
Silas Marçal, Cecílias
a Preta e a Vasconcellos...
Taito, Lico e André,
Iamara e Darlan,
Zé Solha, Juca e Maé.
Eta turma inesquecível...
que saudade da galera!
Lembrar das Porto Carvalho
Martha, Cândida e Vera...
da Marlene e Rosa Pen
que eram irmãs também...
Do Conrado e do Licínio...
Enir Acedo, Jordão,
Paulo Tucci, Wílson Faro,
Marcos Gianoni, Patão,
Roberto Leme, Sueli,
Anadir, Rita Galvão,
Da Lucinha Figueiredo!
Everaldo e o Ivan Risi
completam o time agora.
Maurão, Marília, a tal!
Eduardo Seixas, Jamil
também chegam afinal
Lembranças vêm desfilando,
e como era bom viver!
Júlio Colombi, Myriam,
Sueli Baúna, Gracy,
Eunice, Roberto Vasco,
Luiza Chied e Neuly.
Turma crescendo... não para.
Vida corria serena...
As Teixeira de Moraes,
Marias Cecília, Helena,
e Lúcia, Sérgio Martini.
a saudade é demais!
Aos sábados e domingos
a turma toda jovial
se reunia completa
no porão do Juvenal. (Juvenal Vasconcellos)
Aula de dança gratuita
era o programa ideal.
Várias casas se abriam
para a turma receber.
Nas brincadeiras dançantes
as mamães ditavam as leis:
- Dançar de rosto colado?
- Deus nos livre! – nem penseis.
Passeios e piqueniques
íamos acompanhadas.
Sempre bem orientadas
para não ficar faladas.
Ivan e Adarce eram
duas babás contratadas.
Sábados e sextas-feiras
eram dias de seresta.
Pandeiro, vozes, violão
e a cantoria era certa,
com as meninas dengosas
nas janelas sempre abertas.
Turma rica em artistas,
deles vamos já falar:
tocavam piano e sax,
harmônica sem errar.
No pandeiro e violão
era pegar e tocar.
Aberta, hospitaleira,
ninguém pode reclamar.
Era alegre, inesquecível...
nas férias aumentava mais,
pois recebia amigos
que não a esquecem jamais.
De Santos vinham Elaine
com a mana Vera Lúcia.
De São Paulo Yara e João
Roseles e Noemi. Há!
Antônio Augusto Certain
Sérgio Marun, Zidnah.
Lá no Clube Literário
portas estavam abertas.
Presidentes, diretores
adoravam nossas festas,
nos bailes e brincadeiras
namoros, muitas promessas...
No Hotel Central: chá dançante.
As sobras eram vendidas
em cestas bem decoradas:
bolos, doces, salgadinhos.
As campanhas eram constantes
pró-formatura e velhinhos.
Festa de Santo Antônio?
Quem a viu não esqueceu
Padre Ávila ensinou
que quem quer seguir Jesus
ama, louva, dança, canta
mas, foge do que seduz.
Essa lição importante
valeu até para os ateus.
Católicos, protestantes,
espíritas e judeus
estavam todos presentes
irmanados num só Deus.
Para a festa acontecer
contávamos com outros mais.
seu Otávio, João Ortiz,
martelo, pregos nas mãos
iam erguendo as barracas
com ajuda dos “irmãos”.
Naquele baile do esgoto
difícil era entender
o porquê de tanto agito.
Seu Zé Paulino pediu
a turma se animou,
e não é que o esgoto saiu?
Foi uma festa importante
Blue Boys garantiu o som.
Fez tanto sucesso o baile,
notícia repercutiu...
depois no ano seguinte
a festa se repetiu.
Do lindo caramanchão
nenhuma foto sobrou.
Seu Octávio Monte Claro,
Agni e outros mais
o idealizaram.
Era beleza demais!
Para a Vila São Vicente
tão carente q’era outrora,
Dona Jandira Colombi
dando exemplo de serviço
levou a turma toda
trabalhar sempre por isso.
E da Maria Fumaça
alguém já se esqueceu?
Pegava fogo a coitada
de tanto tocar, tocar...
Não descansava, ia de
zíngara ao chá, chá, chá.
Papais e mamães atentos
não perdoavam palavrões,
nem as brincadeiras tolas.
Era tempo de elegância,
obrigado, dá licença,
por favor e tolerância.
José Acedo, Cidinha,
Dona Dora e Nely, (Dora Bertelli, Nely Bonventi Leme)
Adolfo Pen, Dona Ana,
Joaninha e Tati. (Moacir Colombi)
Eram as pessoas presentes
na nossa vida aqui.
Vô Atílio, Vó Chiquita (Atílio Bertolaccini)
Juvenal e Tia Heddy.
Augusto, Maria do Carmo (Augusto Vasconcellos)
ora aqui ou ora ali
estavam sempre presentes,
conosco no “ti, ti, ti”.
No fim dos anos cinquenta
outros vieram cá morar
de Socorro chegou Êolo,
depois Agni e Marley
Nirceu, José Salvador,
Pádua Dantas e Zé Harlley.
Voltando a falar de artistas
vamos logo relembrar
que nos saraus literários
tínhamos até jogral
“porque hoje é sábado”...
“e agora José”. Que tal?
Outras também brilhavam!
Marilena e Maria Lúcia
sempre muito aplaudidas,
declamavam muito bem.
Quando pediam “meu homem”
Tera Megale também.
Yves cantava todas.
Éssio sempre “do, ré mi”.
Agni, Negue e Laura.
Marília vai de inglês,
Rosa de “Little Darling”.
Bossa nova? Nossa vez!
Toda turma que se preza
tem seu hino oficial
Yves, Fernando, Carvalho
saudosos das namoradas
compuseram o “adeus”
em toda festa cantada.
Passemos para o teatro,
muito curtido outrora
D. Leontina viu logo
que a turma é talentosa
e com ela realizou
muita coisa grandiosa
Alguns programas na rádio,
no palco do São Luiz,
na igreja em Moema
cinderela foi brilhante.
As artistas aplaudidas
procuraram ir adiante.
Inezinha, cinderela
que do gato tinha medo,
joga a vassoura de pelo
no palco. Ruído atroz!
- Que gato era aquele
que assustou todas nós?
José Solha, Edmir,
Yves, Éssio, Jovelty,
Maria Lúcia e Licínio,
Célia, Wolff, Maé
brilharam no T.B.C. (teatro bragantino de comédia)
que lembrado ainda é.
Muitos saíram daqui
para estudar lá fora.
Honraram nossa Bragança
por este mundo afora.
Jornais não noticiaram... mas
que orgulho nos dão agora!
Alguns amores nasceram
outros se foram com o ar
mas, os que se assumiram
pouco dão o que falar,
porque a lição sempre foi:
- Casou? Tem que aguentar.
Agni casou com Tânia
Davis casou com Gracy
Edmir com Maria Ignez
e o Jordão com a Neuly.
Êolo fisgou Cecília,
Roberto Leme a Sueli
Ado com Vera Ruth
Célia com Zé Harlley.
outros também casaram:
Paulo Tucci e Lucinha
quando se reencontraram.
E juntos estão, eu sei!
Muitos partiram depressa,
nem sequer disseram “adeus”
terminaram a jornada,
foram embora com Deus.
Os que aqui ficaram
seguem cantando “adeus”
Adeus, adeus, adeus
adeus amor, eu vou partir
um dia voltarei
relembrando os beijos teus
longe de ti, sofrerei todo amargor
da saudade que senti
em meu peito, oh! meu amor
ô, ô, ô, ô...
Adeus, adeus, adeus
adeus amor, adeus querida
não chores por favor
pois tu és a minha vida
ô, ô, ô, ô...
seguirei para bem longe
jamais te olvidarei
sei que vou voltar
para sempre te adorar
ô, ô, ô, ô...
Estão reunidos no céu: Francisco de Assis Solha, Marilena Brás, Flávio Bertelli, Cléber Bedran, Conrado Steffani, Luís Eduardo Seixas, José Osman Pinheiro, Jamil Tiozzi Huiby, Marcos Gianoni, Sérgio Martine, Adarce Acedo, Luiza Chied, Lúcia Marlene Cruz, Nicolino dos Santos (Juca), Benedito Aparecido Goulart (Cafunga), Tânia Regina de Oliveira Líbera, Roberto Leme, Evaristo Ferreira Cintra (Taito), Luiz Gonzaga Ferreira Cintra (Lico), Jovelty Archângelo.
LAGO DO TABOÃO: DO SONHO AO CARTÃO POSTAL
Regina Zanini
Na década de sessenta
do século que passou
prefeito Magrini Lisa
um lago idealizou:
no bairro do Taboão
seu sonho realizou.
Fizeram então a comporta
com ferros da ferrovia,
mas não pense que foi fácil,
deu trabalho noite e dia
tanta gente em todo lado
numa grande correria.
O banhado do local
foi bastante trabalhado:
tiraram muitas taboas,
surgindo um novo traçado,
que assim foi dar origem
àquele lago sonhado!
Com corpo de água formado
ao lado da ferrovia,
além da linda paisagem,
tinha também pescaria;
nenhum pescador ficava
com sua cesta vazia!
Quem passava com o carro
pela estrada do outro lado
ao ver nosso belo lago
ficava muito encantado:
água serena saudando
todo viajante cansado.
Porém, entre o lago e os trilhos
transitavam sempre a pé
mulheres com os seus filhos,
que iam apanhar café
na fazenda Santa Helena,
das casas com chaminé!
Conquistado pelo lago,
o povo do Taboão,
comandado pelo Naia,
ajudou de coração:
fez muita limpeza ali
sem receber um tostão.
Depois tudo ficou triste,
quando a ferrovia fechou:
o bairro todo em silêncio,
um trem não mais apitou;
o lago foi para o povo
todo o bem que lhe restou!
Pouco tempo decorrido,
chegaram ao Taboão
um clube e uma faculdade
que viraram sensação,
só que nem por isso o lago
perdeu sua tradição!
Nas margens do belo lago,
juntando-se aos pescadores,
vieram os esportistas,
os atletas amadores,
e, à noite, os namorados,
jurando ali seus amores!
Foram surgindo também
os pontos comerciais,
diversas casas noturnas
para encontros sociais,
um parquinho, restaurantes,
até banca de jornais!
Com a passagem do tempo
a fama foi confirmada:
área de esporte e lazer
por todos sempre lembrada,
alguns vão ao lago correr,
outros vão lá fazer nada!
Um órgão municipal
em consulta popular
perguntou para as pessoas
- Qual o mais belo lugar?
O lago foi vencedor,
nisso não há similar!
Diversão é garantida
também no mundo pueril,
brinquedos ficam lotados
lá no parquinho infantil:
crianças curtindo o lago
quando o céu tem cor de anil!
Produto orgânico bom,
qualidade de primeira,
você consegue encontrar
todo sábado na feira:
diversidade no lago,
não somente a brincadeira.
Tem também a feira livre
toda terça de manhã,
roupas, frutas, hortaliças,
pastel, banana, maçã,
com imensa variedade
e no preço campeã!
No domingo, o dia todo,
tem feira do artesanato,
onde o artesão expõe
produto bom e barato:
tem toalhas, agasalhos,
enfeite e pano de prato!
Função também importante
de tão famoso local
é seu uso nas campanhas
de caráter social:
a luta por causas nobres,
pelo interesse geral.
Problemas apareceram
junto com toda essa fama
quando desce muita terra
o lago fica só lama,
quando ocorre um grande evento
a sujeira se esparrama.
Os bandos de capivaras
vêm nos pregando uma peça:
mudaram-se para o lago,
nada existe que os impeça
e, se os levaram embora,
eles voltaram depressa.
Quando chega um novo ano
grandes palcos são montados:
saudando os dias futuros
os artistas consagrados
cantam junto com o povo
e os fogos são estourados!
Até nem faz tanto tempo
aconteceu no local
um concurso de fanfarras
padrão internacional,
tanta gente pôde ver
a disputa musical.
O sonho tornou-se um lago
de paisagem sem igual
e o local foi transformado
em parque municipal,
imagem sempre escolhida
para um cartão postal.
Agora quando se fala
do lago do Taboão
não se trata só da água
mas toda uma região,
pelo povo bragantino
frequentada com paixão!
ÀS DUAS FILHOTAS – ASSOCIAÇÃO DE ESCRITORES DE BRAGANÇA PAULISTA E SEÇÃO DA UNIÃO BRASILEIRA DE TROVADORES
Lóla Prata
Vou conservando as mãos firmes
de tanto treino na escrita,
pois sou da ASES, portanto,
a gente aqui se exercita...
vou avisando e garanto
ser do saber, bom recanto.
Há muitos ou poucos anos
(conforme o ponto de vista),
imaginei agrupar
bragantinos de uma lista
que a USF tinha a guardar
e me pus a planejar...
Porque (matutei sozinha)
eu precisava de amigos
dispostos a publicar
os literários artigos
que eu gostava de lavrar,
para meus dons externar.
Demos o primeiro passo,
eu e o marido Miguel,
aonde o Almeida encontramos
sob um belo azul do céu.
O pró-reitor disse: -Vamos!
e o Daólio contatamos.
Realizados com o projeto,
os quatro riam, felizes...
não houve um senão qualquer...
e as primeiras diretrizes
vinham como fecho-ecler:
receber bem quem vier.
Listamos os vencedores
do concurso literário
da USF, no ano em curso;
dos talentos, mostruário,
usamos deste recurso
pra iniciar o percurso.
Lóla convidou Norberto
e o Secretário, o Renê;
o chefão chama Henriette,
a Dulce e também Benê,
mais ou menos dezessete
e a turma se compromete.
Junho de 91
ao feverê de outro ano
criamos nosso estatuto,
o nome e, se não me engano,
o logotipo e o reduto.
Livro em pauta, mor produto.
Seleção de um logotipo:
em concurso é finalista
a criação de Pedro Prata.
Grava a mente idealista
e uma estrela se formata
sob os seres que retrata.
A Cida Moreira veio
nos trazendo a Therezinha.
As mestras de português
numa sábia dobradinha.
O Gentil, com solidez
aumentou nossa honradez.
A maioria “na ativa”
no início desta aventura;
eis a aposentadoria
como promessa futura
e mais dia, menos dia,
ela chegava sadia.
Baseamo-nos, então,
em estatutos afins
da AFCLAS e APEBS vindos
e inúmeros boletins
iluminando os infindos
“mil” itens. Foram bem-vindos!
Agradecemos o empenho
da Araújo e da Edith
que de Santos cá vieram,
nos atendendo o convite.
-Boa sorte! – predisseram.
Seus dotes nos dispuseram.
Estudamos 9 meses
o que é literatura
e nasce nossa entidade
no salão da Prefeitura
com apoio da sociedade
pras colinas da cidade.
Para a festa, escolhidos
os 3 nomes para honrar:
Maria Augusta, a Pacciti,
Clotilde a prestigiar.
Plateia grande, acredite,
pra que o Saber nos visite.
E em 22 do mês 2,
92, Salão Nobre,
sob o olhar de interessados,
a tertúlia se descobre.
Numa ata com cuidados,
empossamos os letrados.
Doutor Raul me ajudou
em todo aspecto legal.
Fim lucrativo? Nenhum.
Utilidade total
em objetivo comum:
literatura em show-room.
O Norba trouxe Marina,
a Wadad veio encantar.
Siriani nos ouviu
e aprovou nosso cantar.
A prosa nos reuniu
e a poesia evoluiu.
O maestro Frederico
ficou pouquinho conosco,
um artista de Bragança...
(meu lembrar parece fosco).
Para a alegria nos lança
Flávio, uma eterna criança...
Formávamos grupo errante
sem lugar certo, sem-teto...
até que um prefeito bom
cedeu chão “meio” incorreto.
Ninguém ficou no bem-bom,
em busca de algum jetom.
A reforma deu trabalho
aos valentes donatários,
deixando a sede habitável
em busca de abecedários.
Não é que alguém execrável
quis tirá-la? Imperdoável!
Na briga de gente grande,
ganha a causa Dr. Téia,
defendendo-nos com garra,
aliviando a assembleia.
Numa incontida algazarra,
cantamos como cigarras.
Quem ajudou com dinheiro,
quem doou material
ou fez preço camarada,
grande abraço fraternal,
que a emoção apalavrada
não fique nunca, calada!
Redentor 2004
bem no Dia do Escritor,
a sede nos abre a porta
e há discurso em seu louvor.
O teto claro conforta
e à gratidão nos transporta.
Da Senhora da Esperança
ganhamos a doce imagem
que fica em pequeno nicho,
orientando a linguagem
para escrever com capricho,
com respeito e sem cochicho.
Investimos em concursos
com patronos escolhidos
entre a gente bragantina
e vimos textos floridos
rompendo toda a neblina...
O saber se descortina!
É no Momento Poético
de cada encontro mensal
que o pessoal se supera,
voa ao mundo surreal,
às nuvens, à estratosfera,
onde reside a quimera.
A Leda marcou presença
e antes, o douto Escobar.
Vemos as suas pegadas
inda hoje no lugar!
E misturando as jornadas,
ASES fica de mãos-dadas.
Cândida tão responsável,
uma boa ex-presidente;
Dr. Renato morreu...
Que no céu nos represente
a todos deste ateneu.
Mais louvado seja Deus!
Os Servelhere nos dão
seu tempo e grande cultura;
Volpone, a voz e elegância
nos saraus. Bela figura!
Otacílio em ondulância,
Simone, em doce fragrância.
Vladimir, José Roberto,
pesquisadores da História,
dão orgulho a toda a ASES,
registrando a trajetória.
E o Solha e outros rapazes
têm sempre assuntos vivazes.
A postos, casal Cestari
e alguns jovens escritores
animam a associação,
afastando maus humores.
Joarez tem dura missão:
da sede, a manutenção.
Cláudia em fotografia
dá cliques memoriais;
Gazzaneo (na simpatia)
e Lyrss, são joviais,
cumprem a burocracia,
e esbanjam diplomacia.
Vimos, porém, ser difícil
pela falta de dinheiro,
publicar nossos escritos.
Como agulhas no palheiro,
Sérgio e Diaulas, expeditos,
fazem planos inauditos:
Lei de Incentivo à Cultura!
Maravilha! Bom começo.
Falta gerar a estrutura
a afastar todo tropeço.
Demorou tal escritura
e Jango audaz, a inaugura...
Discussões apareceram
entre os cérebros pensantes.
Opiniões divergentes!
Amizades conflitantes
e olhares impertinentes
sob os perdões indulgentes.
Então, teimosos saíram
(fiquei fora por 3 anos),
mas voltei com humildade,
a incomodar com meus planos.
ASES mantém a unidade
pra servir a sociedade.
Já fizemos parceria:
Exército, Aeroclube,
Sinfônica e revistas,
na Educação, cineclube,
mil jornais e desenhistas,
por nós sermos beletristas.
Participamos também
de ato inter-religioso,
Missa em trovas, oficinas
com requinte habilidoso.
Carnaval com serpentinas,
(novidades repentinas).
Zuzu é a declamadora,
pois tem memória invejável.
Saiu pra morar com a filha...
De Perdões, urbe notável,
eis o Fábio, que fervilha
e veio honrar a família.
Quero mencionar o Xixa,
mais o Geraldo e o Diego,
falta Rodrigo (e quem mais?)
Aqui todos têm achego
em porto seguro, um cais
e ninguém sobra, jamais...
A Thereza e a Leonilda
duas irmãs sorridentes.
... e veio escritor de monte
mais simples ou expoentes
que entre nós fizeram pontes,
descortinando horizontes...
Ora, entraram muitos outros:
Elza, Elenice, ao ofício
e muitos correspondentes.
Nicéa veio no início...
Inês, cronista influente...
Irmãos interdependentes.
Tem Gabriel de Campinas,
houve a Rosa jornalista,
Sadan nos dá cobertura
divulgando nossa lista:
títulos para leitura
em culta semeadura.
Nosso concurso anual
cativa toda a cidade;
certame simples, correto,
que premia a variedade
sempre em torno do alfabeto,
com troféus feitos de afeto...
Em meio a isso, nós mesmos
conquistamos mil destaques
no Brasil, em Portugal,
Itália, Israel, com claques,
em euforia geral
pelo dom artesanal.
Com lançamentos festivos,
alguns simples, familiares,
ou com pompa e cerimônia,
os livros têm patamares
após as noites de insônia
comuns à nossa colônia.
Tantos cantores e músicos
animando os festivais,
sem cachê... Merecedores
de aplausos e tudo o mais,
empolgam os escritores
que agradecem tais favores.
Aos 95, a Odete
e a bem mais jovem, a Mara,
nos deixaram nesses dias...
Nosso grupo lhes declara
grande amor nas travessias
pras celestes moradias.
2007! Surgiu
sob auspícios deste grupo,
uma extensão bem poética
(cuja direção ocupo...).
A Trova irrompe frenética
na exploração da fonética.
UBT e ASES se fundem,
se miram profundamente
e curtem a companhia
num trabalho eficiente.
Cultivamos poesia
e brota a sabedoria.
A Trova atraiu poetas
pra União dos Trovadores:
Cristina, Odete e Regina
da beleza produtores,
aumentam a adrenalina
na braganceira colina.
De modo solene eu falo
da Myrthes, e dos talentos
da poetisa Ignez Freitas...
Perdoem esquecimentos,
leiam linhas satisfeitas,
que à correção se sujeita.
É importante terminar
o cordel, (está compriiiiiido!)
e o leitor também se esgota
quanto mais o encomprido.
Há muita coisa na rota,
e esta musa me abarrota...
Desejo que a Associação
dê a Bragança Paulista,
bons motivos de alegria
juntinho à Trova humanista,
convivendo em harmonia,
em plena cidadania.
Tenham de Rita, o regato,
a coragem de Thereza,
a modéstia de Francisco,
de Conceição a beleza...*
De extenso, virou corisco,
esse cordel que eu rabisco...
*Santa Rita de Cássia meditava à margem de um regato. Santa Thereza d’Ávila, que reformou o Carmelo. São Francisco de Assis, o Homem do Milênio. Imaculada Conceição, padroeira de Bragança Paulista.
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