Nessa semana, o Folhetim Joaninha do Toró completou 200 edições. Seu proprietário e responsável pelas edições, João Baptista da Silva, conversou com o Jornal Em Dia na última sexta-feira, 19.
João contou que o Joaninha do Toró foi criado em dezembro de 2004, primeiramente como um blog, depois, um site. O custo alto da manutenção do site fez com que ele decidisse fazer o folhetim de forma impressa e assim vem sendo nos últimos cinco anos.
O nome escolhido, conforme contou, homenageia uma prostituta que era famosa na cidade na década de 80.
A distribuição do folhetim hoje é feita em praticamente toda a cidade, bancas, postos de gasolina, agências bancárias e estabelecimentos comerciais.
Conhecido por contar histórias cabeludas, João afirmou que todas elas são verídicas. “É tudo verdade. Omito os nomes, mas deixo pistas para o leitor descobrir quem é”, contou.
Ao explicar como fica sabendo de tantas informações, João disse que tem 69 anos e que desde 1961 exerce a função de contador em Bragança Paulista. “Conheço e convivo com muita gente da classe média e alta. Tenho contato com empresários e políticos, praticamente todos. E as histórias que conto são de personalidades porque ninguém quer saber de histórias de anônimos”, afirmou.
A reportagem perguntou, então, qual foi a reação de seus amigos quando ele começou a fazer o Joaninha do Toró, se eles ficaram com receio de que pudessem ter suas vidas expostas de alguma forma. João explicou que amigo não se condena, apenas se entende e que não conta histórias de pessoas do seu ciclo de amizade, apenas se tiver autorização.
Com tantas críticas que faz a personalidades da cidade, João tem inúmeros processos. “É difícil o mês que não vem um processo. Meu recorde é ter recebido sete processos no mesmo dia, mas os processos não me intimidam, de forma alguma”, garantiu.
Uma característica do folhetim Joaninha do Toró é a não observância às regras da Língua Portuguesa. A publicação é repleta de erros. “Não sou escritor nem jornalista. Escrevo do meu jeito e o importante é que as pessoas entendam o conteúdo. Dou o meu folhetim para minha neta ler e ela fica horrorizada, mais com os erros do que com o conteúdo”, declarou.
João também contou que seu folhetim aborda os assuntos que jornais da cidade não abordam. A escolha de fazer uma publicação nessa linha foi porque, em sua opinião, o leitor quer coisas diferentes, alegres, que o façam rir, além de estar cansado de ler as mesmas notícias. “Até hoje, só vi três exemplares do Joaninha jogados na rua. O povo gosta e tem gente que até coleciona meus folhetins”, apontou.
Ameaças pessoais João nunca recebeu, apenas por telefone, nesse caso, já foi ameaçado até de morte. Agressões físicas também não ocorreram. “Não vivo de propaganda, vivo de proteção política. Para falar bem, eu cobro, falar mal, eu falo de graça”, afirmou.
O responsável pelo Joaninha do Toró avaliou que “o prefeito Fernão Dias da Silva Leme é um dos melhores administradores que Bragança já teve porque está fazendo economia, moralizando a Prefeitura como nenhum outro prefeito fez”. Ele também considerou que as críticas que o prefeito recebe é porque está incomodando e porque “a oposição quer pegar o poder”.
João observou também que a principal medida tomada pelo prefeito Fernão Dias foi a regularização da parte financeira da Prefeitura, pois antes havia muito desperdício de dinheiro.
Já sobre a Câmara, João a classificou como a pior dos últimos 12 anos. “A Câmara é tão ruim que o Paulo Mário está se destacando como vereador”, disse, defendendo que os edis ganhassem o dobro, mas que fosse exigido um grau de formação mínimo. “O nível é muito ruim”, criticou.
João também falou sobre os grupos políticos do município e a eleição do ano que vem.
Na Câmara, ele avaliou que a tendência é piorar e que acredita na reeleição de sete ou oito vereadores apenas. Na Prefeitura, João opinou que o prefeito Fernão Dias se reelege, mas, caso não seja candidato, conseguirá eleger qualquer pessoa que indicar.
Sobre os demais grupos na cidade, ele afirmou que o Grupo Chedid não tem candidato. “O Frangini não será candidato porque não tem apoio do deputado Edmir e o Jesus não confia nele porque eles já brigaram há muito tempo”, comentou.
Para João, a união do ex-vereador João Carlos Carvalho e do ex-prefeito João Afonso Sólis (Jango) no PSDB é a maior vergonha na política da cidade e sobre Gustavo Sartori, ele observou que ele não deve ser candidato a prefeito na próxima eleição. “Se o Gustavo for candidato vai se tornar um Paulo Mário da vida”, declarou.
Para o futuro, João disse que espera passar o folhetim para colorido e que também deve lançar, em dezembro deste ano ou janeiro de 2016, seu segundo livro, “um guia turístico de verdade de Bragança”. O primeiro livro, “Para ler cagando”, lançado há cerca de três anos, esgotou, conforme contou.
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