FUROS
O Brasil é uma chaga aberta, uma ferida exposta a moscas varejeiras, cães, e vulnerável a toda espécie de praga e bactérias e seres nocivos.
E como a maioria das feridas, teve sua origem através de um ferimento.
Foi um golpe. Um golpe certeiro, tão milimetricamente pensado, que ao atingir o alvo, rompeu a pele, com aquele ardor que só as facas enferrujadas proporcionam, sim, porque as armas aqui são antigas, abriu um furo, e a ferida encontra-se aberta até hoje, não cicatrizou.
O Brasil é um paciente teimoso, daqueles que de forma alguma seguem as recomendações médicas, ainda que isto esteja a ponto de deixá-lo diante da própria morte. Sendo assim, a ferida não cicatrizou. Continua aberta, a pele exposta, o tecido contaminado, infeccionado, dói como doem também algumas outras feridas pelas quais essa primeira é diretamente responsável.
O Brasil, meus caros, é mesmo um país de muitos furos.
Oitenta resultantes dos oitenta disparos realizados pelo Exército contra o carro do músico Evaldo dos Santos Rosa.
Treze alvejando o carro onde estavam a vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Pedro Gomes.
Um único furo, resultado de uma suposta ação da PM, vitimando a menina Ágatha Vitória Salles, no Complexo do Alemão.
E como esquecer-nos do furo maldito, que manchou de sangue o uniforme escolar do garoto Marcos Vinícius, que atônito, em sua inocência, perguntava à mãe: “Eles não viram que eu estava com roupa de escola?”
Vivemos a era dos furos nesse país. Tantos, todos os dias, vitimando nossos irmãos... Tantos golpes, atingindo sempre, em primeiro lugar, os menos favorecidos.
Furos! A mentira do furo na previdência. O claro golpe da reforma da previdência...
Furos! Chagas abertas, um país banhado em sangue e vergonha.
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