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Redescobrindo

Geleia de mocotó

A geração atual e talvez a maioria das pessoas nascidas da década de 1990, que estão beirando os 35 anos de idade, certamente terão dificuldade em saber o que é geleia de mocotó.

Com certeza, os leitores mais antigos, que viveram nos anos 1970, se não experimentaram, ao menos ouviram falar não só da geleia, mas também do mocotó feito como prato salgado. Fomos as gerações em que não se comprava carnes em supermercados; havia os açougues de confiança que ofereciam para a venda essa e outras partes do boi, como o bucho (a famosa dobradinha), o miolo, a língua bovina, o fígado, além do mocotó.

Segundo o Google, o mocotó bovino é a parte inferior da pata do boi (do joelho para baixo), composta por ossos, tutano, tendões e cartilagens, sendo extremamente rico em colágeno, cálcio e fósforo. É uma excelente fonte de colágeno natural, importante para a saúde da pele, unhas, cabelos e articulações, ajudando na regeneração e proteção articular, além de ser um alimento nutritivo que fortalece o sistema imunológico e fornece energia, rico em cálcio, fósforo e vitaminas do complexo B.

Para o preparo dessa “iguaria”, que ninguém mais tem tempo, paciência e “expertise” para fazer, era preciso cozinhar muito bem para extrair do caldo sem tempero a gelatina que dá origem à geleia. Lembro que minhas avós preparavam esse caldo e deixavam, pela falta de geladeira para acomodar os panelões, descansando na madrugada para que o tempo mais frio ajudasse na separação da gordura que precisava ser retirada. E, a partir daí, se fazia um xarope com especiarias que juntava no caldo para, novamente, formar a gelatina de mocotó.

Ufa, só de descrever (e o leitor de ler) já deu para cansar e desistir de fazer essa tal geleia que tem tantos benefícios para a saúde. Mas o que poucos sabem – e não é novidade inventada agora – é que existe, há pelo menos uns 40 anos, o pó para geleia de mocotó, que aqui em nossa cidade encontramos em uma loja de produtos para sorveteria e afins chamada Ponto Certo, que fica na Avenida Pires Pimentel. Descobri essa loja através da minha sogra, a saudosa Maria Elisa Zecchini, que, desde antes de meu casamento, já preparava aqueles sorvetes de massa usando emulsificante e outros pós que adquiria no local, além do pó para a geleia de mocotó que preparava semanalmente nos copos de vidro para a família. Foi assim que meus filhos aprenderam a gostar tanto de mocotó quanto o pai deles e, nesta semana, relembraram o gostinho da culinária afetiva.

INGREDIENTES E MODO DE PREPARO

Comece preparando o xarope, que é o que dará sabor à sua geleia. A medida para o preparo da geleia obedece a seguinte proporção:

- Para cada litro de água, você vai usar:

 - 3 cravos da índia

 - 1 colher (sopa) de erva doce

 - 1 pau de canela

 - Casca de um limão (não use a parte branca para não amargar)

 - 1 xícara (chá) rasa de açúcar

Prepare o xarope numa panela, colocando na água todos os ingredientes acima, e leve ao fogo até começar a ferver. Depois de levantar fervura, deixe cozinhando por pelo menos 15 a 20 minutos, tampe a panela e deixe esfriar para amornar (o xarope fica mais fácil de coar pois as especiarias ficam no fundo da panela e você não corre o risco de se queimar).

Enquanto o xarope esfria, prepare o pó de mocotó.

Preparo da gelatina:

 - Para cada litro de água, você vai usar:

 - 2 colheres (sopa) do pó de mocotó

 - 50 ml de água para hidratar

Coloque numa tigela o pó e misture a água formando uma pasta, deixando descansar por uns 5 minutos. Depois, leve ao microondas por cerca de 30 a 40 segundos (ou em banho maria) para que a pasta fique líquida. Depois, junte essa gelatina no xarope já morno e peneirado, mexendo bem para agregar tudo.

Com uma concha, vá enchendo os copos (de vidro ou descartáveis) e leve para gelar por pelo menos 4 horas.

Aqui em casa, fiz com 3 litros de água, aumentando a proporção das especiarias 3 vezes e, para a geleia, usei 6 colheres (sopa) do pó de mocotó diluídos em 150 ml de água – pode usar um pouco mais se for necessário.

 

Maria Inês de Oliveira Chiarion Zecchini é professora de Educação Infantil nesta cidade e autora do livro “Redescobrindo – receitas da cozinha bragantina”. Faz parte da Associação dos Escritores de Bragança Pau- lista (Ases), foi membro fundadora da Academia Bragantina de Letras (ABL) de 2005 a 2008, e colunista do jornal Cidade de Bragança de 2005 até 2011.

Até nosso próximo encontro!

Para sugestões, críticas e temas para as próximas colunas, escreva para: miocz@yahoo.com.br.

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