Gestores da Saúde falam sobre problemas e apresentam soluções para as demandas da área

Um dos assuntos tratados foi a regionalização das farmácias dos postos de saúde. Serão fechadas 17 farmácias e os munícipes terão à disposição sete polos urbanos para buscar os medicamentos

Na tarde de terça-feira, 19, a Câmara Municipal realizou sessão ordinária durante a qual foram votados e aprovados quatro projetos. Antes disso, porém, ocorreram as participações na Tribuna Livre, com destaque para os pronunciamentos dos gestores de Saúde do município, Édson Dias Júnior, diretor da ABBC (Associação Brasileira de Beneficência Comunitária), e Grazielle dos Santos Bertolini, secretária interina de Saúde.

Desde a semana passada, a população está apreensiva quanto a informações que foram divulgadas, como a demissão de funcionários quarteirizados pela ABBC e o fechamento das farmácias dos postos de saúde.

Édson explicou que a empresa A. Ferreira demitiu, na semana passada, 110 funcionários, mas que desses, 70 serão recontratados pela nova empresa que passará a atuar a partir de 15 de junho. A ABBC rompeu o contrato com a A. Ferreira e contratará uma nova empresa para atuar na área.

Essas demissões se referem a funcionários da mão de obra meio, aqueles que não têm contato direto com o paciente, de acordo com o diretor da ABBC. Além disso, ele garantiu que nenhum dos funcionários demitidos será lesado. Todas as obrigações trabalhistas serão pagas pela ABBC em caso de a A. Ferreira se omitir do pagamento.

Édson ainda comentou que a ABBC está se readequando para cortar gastos em virtude da conjuntura nacional, mas enfatizou que não haverá cortes de medicamentos ou de plantões médicos.

O diretor da ABBC respondeu, então, a alguns questionamentos dos vereadores. Sobre falta de remédios e de médicos, Édson disse que quando assumiu a gestão da Saúde na cidade, a falta de medicamentos estava em 30% e agora é de 3%, e que havia furo de plantões na UPA (Unidade de Pronto-atendimento), o que não existe mais. Ele acrescentou que a ABBC informatizou todas as unidades de Saúde, o que facilita na organização e localização dos remédios nas unidades.

Édson afirmou também que a organização social está encontrando problemas financeiros nos oito projetos que administra, ou seja, que tais problemas não são exclusivos de Bragança Paulista.

Em seguida, fez uso da palavra a secretária interina de Saúde, Grazielle dos Santos Bertolini, que explicou que os repasses dos governos estadual e federal estão chegando, porém, com atrasos. Contudo, de acordo com Grazielle, o Ministério da Saúde cortou repasses retroativos. Ela exemplificou que o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) II, que funciona desde o ano passado, ainda não foi habilitado pelo órgão e que, assim, vem sendo mantido apenas pelo município. Outra situação é a do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que em novembro de 2014 foi qualificado pelo Ministério da Saúde, com previsão de aumento no repasse mensal de R$ 133 mil para R$ 177 mil, o que não ocorreu.

Grazielle esclareceu também que os postos de saúde não serão fechados, mas que havia previsão de expandir equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF), o que não vai mais acontecer devido à necessidade de contingenciamento. Assim, o município continuará com 20 equipes.

A secretária então abordou a questão da regionalização do atendimento farmacêutico. Conforme as informações divulgadas, serão fechadas as farmácias das seguintes unidades de saúde: Parque I; Parque II; Planejada I; São Lourenço; Henedina Cortez; Jardim do Cedro; Águas Claras; Jardim da Fraternidade; São Miguel; Jardim Iguatemi; São Vicente de Paula; Vila Bi-anchi; CDHU; Vila Motta; Pedro Megale; Nilda Colli e Saúde Mental.

Continuarão abertas e funcionarão como polos de atendimento farmacêutico as farmácias das unidades de saúde: Toró; Hípica Jaguari; Santa Luzia; Centro de Saúde do Lavapés; Vila Aparecida; Planejada II; Vila Davi e as que já funcionam na zona rural.

Grazielle disse que a proposta da regionalização das farmácias foi discutida com os profissionais da área e que os polos urbanos dispensarão remédios de componentes básicos, do alto custo e da Saúde Mental, que até então eram dispensados em apenas um local. A previsão é que esse novo modelo de atendimento farmacêutico comece a funcionar em 1º de junho deste ano. “São medidas que estamos tomando para passar o ano sem comprometer o financeiro”, disse Grazielle.

A mudança do CEO (Centro de Especialidades Odontológicas) para a USF (Universidade São Francisco) também foi detalhada pela secretária. De acordo com ela, a proposta partiu da USF, mas ainda está em fase de negociação. O CEO seria incorporado pela universidade e, com isso, poderia ser qualificado como CEO III, sendo que hoje é um CEO II. A mudança traria melhorias de atendimento à população, como a implantação de um laboratório regional de próteses.

Por fim, Grazielle afirmou que a esperança para resolver os problemas de espera por cirurgias e exames é a inauguração do AME (Ambulatório Médico de Especialidades) de Amparo, que está em construção e tem previsão de término no final de junho deste ano, e o Hospital Regional de Jundiaí.

A secretária foi, então, sabatinada por alguns vereadores, até que o presidente Tião do Fórum interveio e pediu que as perguntas fossem encerradas. Mas aí, já havia se passado cerca de duas horas para a Tribuna Livre que deveria ser de dez minutos.

Noy Camilo, que apresentou os participantes, agradeceu a presença do diretor da ABBC e da secretária interina e desejou-lhe boa sorte no cargo.

PAPO SÉRIO

A primeira participação na Tribuna Livre da sessão foi a de Camila Medeiros da Silva, que apresentou dados sobre o 2º Papo Sério de Jovens de Bragança Paulista.

Ela foi apresentada pelo vereador Jorge Luís Martin.

PROJETOS APROVADOS

Quando as participações da Tribuna Livre terminaram, a pauta foi invertida para que os projetos fossem votados. Confira as propostas que foram aprovadas por unanimidade:

- Projeto de Lei 08/2015, de autoria do prefeito Fernão Dias da Silva Leme, que dispõe sobre a abertura de crédito adicional especial na LOA (Lei Orçamentária Anual) para o exercício de 2015;

- Projeto de Lei 19/2015, de iniciativa do vereador Paulo Mário de Arruda Vasconcellos, que versa sobre a denominação da via pública que se inicia na Estrada Aurélio Frias Fernandes, trecho 01, como Rua Chrispiniano da Silva Leme (Nê Leme);

- Projeto de Resolução 03/2015, de autoria da Mesa Diretora do Legislativo, que diz respeito à alteração de dispositivo do Plano de Cargos e Carreiras dos Servidores da Câmara;

- Projeto de Resolução 04/2015, também de autoria da Mesa Diretora do Legislativo, que diz respeito à alteração de dispositivo do Plano de Cargos e Carreiras dos Servidores da Câmara e normas gerais de enquadramento dos servidores da Casa.

VEREADORES COMENTAM PARTICIPAÇÃO DE GESTORES DA SAÚDE

Durante a manifestação de vereadores, foram abordados assuntos diversos, mas vários edis ainda se posicionaram sobre as informações abordadas pelos gestores da Saúde na Tribuna Livre.

Vereadores como José Gabriel Cintra Gonçalves, Leonel Pereira Arantes e Paulo Mário Arruda de Vasconcellos se posicionaram contra o fechamento das 17 farmácias dos postos de saúde e a regionalização do atendimento farmacêutico.

Eles exemplificaram que os munícipes do Jardim São Miguel terão de atravessar a Rodovia Capitão Barduíno para pegar os remédios no posto da Vila Davi ou os que forem atendidos na Vila Bianchi terão de ir até o Toró para isso.

“E se chegar lá e ainda não encontrar o remédio, estiver em falta?”, questionou Leonel.

Já Rita Valle disse que a Saúde tem problemas infindáveis e nem mesmo o papa seria capaz de resolvê-los. Sobre a regionalização das farmácias, Rita afirmou que a cultura do povo brasileiro é assistencialista e paternalista, defendendo que é necessário pensar no todo. “Quando se mexe na zona de conforto do usuário, do cidadão, há reclamações mesmo”, observou.

Os vereadores Juzemildo Albino da Silva e Natanael Ananias solicitaram atenção do Poder Executivo para o Julieta Cristina, especificamente para as Ruas Elisário Eliseu de Oliveira e Arauto Villaça.

Mais segurança para a Praça da Bíblia foi o pedido do vereador Antônio Bugalu, que também falou sobre a negociação realizada entre o Sindicato do Papel e a empresa Santher, que culminou na manutenção de mais de 130 postos de trabalho.

Fabiana Alessandri agradeceu a Prefeitura pelo início do asfalto no Caetê e Rita Valle sugeriu que a Secretaria do Meio Ambiente se instale no Jardim Público.

Ao final da reunião, três requerimentos de urgência foram aprovados. Eles dizem respeito a projetos que tratam do reajuste salarial dos servidores da Câmara, da Prefeitura e da revisão anual do subsídio dos vereadores.

A sessão terminou às 19h50.

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