O trabalho foi publicado na prestigiada revista científica New England Journal of Medicine e deve orientar práticas médicas em todo o mundo
Entre os dias 29 e 31 de agosto, o Hospital Universitário São Francisco na Providência de Deus (Husf) marcou presença na reunião anual da Sociedade Europeia de Cardiologia, realizada na cidade de Madri, na Espanha. A motivação foi a participação do Centro de Pesquisa São Francisco em um estudo 100% brasileiro sobre a suspensão precoce da aspirina após o infarto, sendo o Husf a instituição que mais captou participantes para a pesquisa, totalizando 282 pacientes.
O trabalho teve o objetivo de testar se a suspensão precoce da aspirina, conservando apenas um medicamento no pós-infarto, seria eficiente no tratamento: ao mesmo tempo em que a aspirina é utilizada para “afinar o sangue” e prevenir novos infartos, ela pode ocasionar sangramentos. A conclusão do estudo revelou que, embora exista essa dualidade, a retirada da aspirina logo após o infarto não é segura, fato que deve guiar as práticas médicas em todo o mundo.

O estudo Neomindset foi realizado pelo Ministério da Saúde, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema único de Saúde (Proadi-SUS), sob a coordenação da Academic Research Organization (ARO), do Einstein Hospital Esraelita. A pesquisa contou com a participação de 50 centros de saúde brasileiros e avaliou, durante um ano, 3.400 pacientes que passaram pelo procedimento de angioplastia.
“Nós aqui do Hospital Universitário, junto com mais de 50 outros hospitais do Brasil, participamos ativamente, sendo o principal hospital com mais pacientes colocados nesse estudo [...] Nós demonstramos para o mundo que a utilização da aspirina nessa fase aguda do infarto ainda é muito importante, pois apesar de aumentar o risco de sangramento, previne novos eventos”, explicou o diretor médico do Centro de Pesquisa São Francisco, Murillo Antunes, que representou o Husf no congresso em Madri.
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