Foto: Ana Paula Estevam/Jornal Em Dia
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Igreja vai debater “Fraternidade e Políticas Públicas” durante a quaresma

Na próxima quarta-feira, 6, começa a quaresma e, com ela, a Igreja Católica dá início à Campanha da Fraternidade deste ano. O tema escolhido é “Fraternidade e Políticas Públicas”, com o lema: “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (cf Is 1,27).

Na manhã dessa quarta-feira, 27, o bispo diocesano Dom Sérgio Aparecido Colombo concedeu coletiva de imprensa para falar do assunto. Ele afirmou que o tempo da quaresma é favorável à conversão e que os cristãos precisam ter o desejo sincero de “voltar ao projeto amoroso de Deus, realizado em Jesus, o “Servo obediente e fiel” (cf Fl 2, 6-8) que, tendo amado os seus até o fim, glorificou o Pai e realizou a reconciliação de toda a humanidade. Com o evangelista Lucas nos unimos a ele, solidário com os pequenos e pobres, acolhedor e misericordioso, abrindo caminhos para a liberdade e a vida”.

Dom Sérgio continuou: “Desejamos nesta Quaresma estar com ele no deserto, para renovar nosso batismo, acolher no silêncio e na alegria a Palavra de Deus e, pela oração, jejum e  esmola – partilha, expressar nossa comunhão e solidariedade com aqueles que são os seus preferidos, os últimos e descartados de nossa sociedade”.

Com relação ao tema da Campanha da Fraternidade, ele explicou que as políticas públicas são ações e programas que são desenvolvidos pelo Estado para garantir e colocar em prática direitos que são previstos na Constituição Federal e em outras leis, como as necessidades vitais básicas de uma família: moradia, salário mínimo fixado em lei, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte, segurança, previdência social. “Portanto, tudo o que tem a ver com o cotidiano das pessoas e de toda a população”, apontou.

O bispo também esclareceu que as políticas públicas não se restringem a ações dos governos e que só são conquistadas com a efetiva participação de cada cidadão. “Se, por exemplo, no seu bairro falta um posto de saúde, este pode ser conseguido por meio de políticas públicas que envolvam todos os interessados daquele lugar. O que não podemos perder de vista é que as Políticas Públicas apenas são viáveis na compreensão dos cidadãos como partícipes e não como meros receptores de favores. Em se tratando de tais políticas, todos somos corresponsáveis”, comentou.

Questionado sobre como sensibilizar os fieis para a necessidade de participar da política nesse tempo em que o assunto está tão desgastado, o bispo Dom Sérgio defendeu que as pessoas não se omitam diante de problemas e situações desagradáveis, mesmo que não lhe afetem diretamente, ou seja, que participem mais na sua comunidade, adotando outro caminho que não o do individualismo. “O povo tem um pouco essa concepção de que política é coisa suja, por isso, política não se mistura com religião, e religião não se mistura com futebol. Mas essas coisas têm tudo a ver. Política pública é uma coisa, política pessoal é outra coisa. Política partidária é outra ainda. A política que a igreja fala é a organização do povo para o bem da comunidade, da polis, da cidade, a organização do povo para o bem dos cidadãos, da cidade, mas a coisa ficou tão desgastada, as políticas partidárias decepcionaram tanto, os que tiveram cargos nas várias esferas decepcionaram tanto que a política ficou como coisa suja. A igreja tem feito um esforço grande para dizer que a política não é uma coisa ruim, é uma coisa boa, que a política implica a nossa vida, o nosso dia a dia, então, ela precisa ser retomada na sua essência”, observou.

Para o bispo, a política verdadeira é a que ultrapassa a política partidária. “É dessa política que a igreja apresenta e fala, a igreja não tem como índole a política partidária, mas a política como serviço ao bem comum”, disse.

Dom Sérgio ainda comentou o fato de o povo acreditar em “salvadores da pátria”. “O povo tem sede do bem, do melhor, dos valores fundamentais para viver uma vida em comunidade. O povo sempre vai atrás de salvadores da pátria, mas salvadores da pátria, em qualquer lugar, deram em nada. Salvadores da pátria sempre são ditadores, sempre estão envolvidos com corrupção, pode olhar em toda a história. Pode olhar agora, precisamente agora. Então, a gente tem que trabalhar isso, uma vez que somos da igreja, com os olhos da fé, da palavra de Deus, da revelação. Queremos trabalhar, ajudar o nosso povo a pensar, seja na catequese, seja nos grupos de jovens, seja nos grupos de reflexão, seja na homilia, que é fundamental”, ressaltou.

Concluindo, o bispo diocesano declarou que as políticas públicas precisam melhorar, seja na saúde, segurança, educação, ou transporte, e que este é um trabalho que não pode ter o povo apenas como receptor, ou seja, ele reforçou a necessidade de maior participação popular nessas questões. “Como reza a Campanha da Fraternidade, cresça em nós a caridade sincera e o amor fraterno; a honestidade e o direito resplandeçam em nossa sociedade e sejamos verdadeiros cidadãos do novo céu e da nova terra”, encerrou.

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