Foto: Bonin Engenharia
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Marcelo Stéfani: parceria da Semads com empresa privada leva esperança para população de baixa renda

Trabalho será modelo para atuação em outros territórios da cidade

Se você acha que o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) é um lugar apenas para distribuição de cestas básicas, então talvez a parceria da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semads) com a empresa privada Bonin Engenharia seja capaz de mudar essa visão. Desde o início de maio, moradores dos conjuntos habitacionais Marcelo Stéfani I, II, III e IV ganharam, por meio dessa união, a chance de realizar cursos profissionalizantes e atividades sociais gratuitamente.

Trata-se de um “novo jeito de fazer política pública”, como explicaram Nando Fagundes, articulador de comunidades da secretaria, e a secretária da Semads, Sandra Teixeira. Em conversa com o Jornal Em Dia, eles explicaram que, ao contrário do que se esperava, o projeto nasceu quando a própria Bonin Engenharia, administradora dos conjuntos habitacionais Marcelo Stéfani, procurou o Cras Águas Claras em busca de fazer “algo a mais” para a população ali residente.

“[O Marcelo Stéfani] Não foi escolhido por nós, a oportunidade veio [...]. Nós temos um trabalho que vem sendo realizado há muitos anos pelo Cras, mas não tínhamos esse acesso. O município vai até um determinado espaço e dali em diante depende muito de você estar dentro do próprio condomínio. Foi quando surgiu a Bonin”, diz Sandra.


     Foto: Bonin Engenharia

No início de maio, o projeto foi colocado em prática. De um público de 15 mil pessoas, 200 foram selecionadas e uma fila de espera foi criada. O critério principal foi a baixa renda e, em segundo lugar, pessoas que já utilizavam o “equipamento” Cras. Entre os cursos oferecidos, estão aulas de basquetebol e muay thai, customização em camisetas, design de sobrancelhas, maquiagem, tranças, penteados, cachos e cabeleireiro, entre outras atividades.

As ações acontecem de segunda a sábado, a depender do curso escolhido. “Por que aos sábados? Porque a população já carrega toda essa responsabilidade de cumprir as suas tarefas. Ser mãe não é fácil, ser pai não é fácil, então a gente reserva também os sábados pra essa família que não tem tempo na semana”, conta Nando Fagundes.


     Foto: Bonin Engenharia

 

PROJETO MODELO

Desde o início, houve uma preocupação com relação às mulheres, uma vez que o Cras Águas Claras “diagnosticou” mais de 600 casos que precisam de políticas públicas direcionadas. A constatação foi comprovada quando, ainda na implantação do projeto, elas representaram a grande maioria dos interessados. Como Nando e Sandra gostam de dizer, o objetivo é que elas saiam dos cursos “empoderadas” e prontas para empreender, o que, consequentemente, traz maior qualidade de vida e autoestima.

“Os cursos dialogam na linha do que eles podem fazer com o amanhã dessa mulher”, inicia Nando. “Ela pode gerar renda através dessa capacitação, mas nós temos a questão do entretenimento que também é importante. Acho que uma sociedade se transforma quando ela consegue dialogar com esses territórios, o da cultura, da dança, do esporte e do próprio Cras que trabalha com a questão da assistência social”.


     Foto: Bonin Engenharia

Por isso, é fundamental que as atividades sejam oferecidas nas proximidades da comunidade, evitando, assim, gastos com transporte, por exemplo. Dessa forma, os inscritos não se sentem diminuídos pela condição financeira, ao contrário, se reconhecem parte e corresponsáveis do sucesso do trabalho. É o que explica Sandra Teixeira:

“O Cras Águas Claras entrou de fato dentro do apartamento dessas pessoas e do território que era meio fechado [...]. Todo esse trabalho que está sendo realizado, eu posso usá-lo como se fosse um modelo a ser adotado para os demais territórios. Então isso vem com calma, vem com cautela”.

O que começou no Conjunto Habitacional Marcelo Stéfani foi o “protótipo” de um trabalho que deve se estender também para os outros três Cras de Bragança, localizados nos bairros Santa Libânia, Planejada e Anchieta. “E tudo feito com muita adequação. Cada Cras tem a sua realidade e a sua cultura específica”, lembra o articulador.

O TRABALHO CONTINUA

Embora a primeira fase seja encerrada no fim do mês, isso não significa que a ação vai acabar. Ela continua no segundo semestre, mas agora nas mãos da própria comunidade, para que eles consigam caminhar sozinhos, com apoio do poder público que segue fazendo a “manutenção” do trabalho. Apesar das metas alcançadas, os entrevistados reconhecem que grande parte do sucesso do empreendimento aconteceu graças à parceria com a empresa privada:

“As políticas públicas funcionam muito melhor quando elas são vistas por empresas privadas ou por próprios voluntários [...]. Se houver essa parceria do município junto com as pessoas de organizações e de empresas privadas, o sucesso a ser alcançado é muito maior”, enfatiza Sandra.


     Foto: Bonin Engenharia

As ações, voltadas para a diminuição do número de famílias em situação de vulnerabilidade social na região, impactam diretamente em diversas áreas, prevenindo, por exemplo, a drogadição, o alcoolismo, a prostituição e até mesmo colaborando para a boa convivência entre os membros da comunidade.

Esse primeiro pequeno grupo de pessoas mostrou para os organizadores que a criação de políticas públicas voltadas para a população de baixa renda pode trazer resultados inimagináveis para quem, até pouco tempo antes, sequer tinha perspectiva de um futuro melhor.

“A gente conclui no dia 30 uma noite de confraternização da primeira fase, com entrega de certificado para o pessoal da beleza, com cases de sucesso das pessoas que participaram de oficinas. Vamos deixar esse legado pra população e, claro, homenagear todas as lideranças que abraçaram o Marcelo Stéfani I, II, III e IV”, conclui Nando Fagundes.

 

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