Yes, nós temos medalhas! Hoje, trinta e um de julho, data em que escrevo esta crônica, temos já na conta um total de quatro pódios em Paris (e mais um garantido no boxe). Vem mais por aí? Certamente. É rezar... ops, torcer.
Porque, yes, somos BRAZIL-ZIL-ZIL (com “z” mesmo, para fingirmos que somos internacionais). O país dos heróis olímpicos. Um país com fome de vitórias (com fome, basicamente), que aplaude e vibra durante duas semanas com os seus atletas – para depois esquecê-los por mais quatro anos (exceção feita ao mimado futebol).
Dia desses, li um artigo, publicado em um jornal brasileiro, cujo autor tentava compreender o porquê de o Japão ser o “carrasco” do Brasil nos jogos de Paris. Quase caí da cadeira de tanto rir: especialmente pela alucinação do autor do texto em tentar comparar o Brasil “sem educação” ao Japão da “educação, saúde etc”.
Ora, poupem-me de suas teorias esdrúxulas. Qualquer um sabe que não é de hoje que o Japão investe em educação, saúde, esporte, artes... em tudo, enfim.
Mas um dos principais motivos do sucesso japonês vai muito além do investimento. Falo da mentalidade de disciplina e respeito, que é ensinada desde muito cedo às crianças japonesas. Esporte no Japão é, portanto, uma forma de desenvolvimento do caráter – e não uma indisciplinada “corrida pelo ouro”, tão ao gosto brasileiro. Os resultados obtidos em jogos olímpicos? São mera consequência da forma como a mentalidade esportiva é desenvolvida no país. E o caso tupiniquim? Bem, este limita-se à euforia do momento e a cruzar os dedos para que um ou outro atleta faça o milagre de levar a nossa bandeira (verde de raiva e amarela nas decisões) a algum lugar do pódio.
Somos o país do futuro? Yeah, yeah... Uma vez, um amigo no Brasil respondeu a tal indagação desta forma: “Há quinhentos anos que somos o país do futuro”. Porque, simplesmente, o Brasil sempre foi e será uma colônia que não deu certo. Entra governo, sai governo, e a bagunça é a mesma. Ponto.
Meu conselho para os nossos talentosos atletas? Façam como os cubanos: fujam na primeira oportunidade. Mudem-se para os Estados Unidos, o Canadá... ou para o Japão. De preferência, mudem também de nacionalidade. Ou fiquem esquecidos e sem incentivos por mais quatro anos, treinando na esperança de serem aplaudidos por um bando de gente falsa e aproveitadora que nunca fez nada de concreto pelo futuro de vocês.
Sim, sei que esta crônica vai ferir o “pobre coração” dos hipócritas nacionalistas. Mas não estou nem aí. Xinguem, chamem-me de “traidor da pátria”. Atirem-me quantas pedras desejarem...
Nenhuma pedra me atingirá, isso eu garanto. E sabem por quê? Porque estou longe, muitoooo longe de todos vocês, “policarpos quaresmas”...
Sim, eu estou aqui, tranquilamente, no Japão – o país onde os milagres são gerados pela “Santa Educação”.
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EDWEINE LOUREIRO nasceu em Manaus (Amazonas-Brasil) em 20 de setembro de 1975. É advogado e professor de idiomas, residente no Japão desde 2001. Premiado em mais de quinhentos concursos literários no Brasil, no Japão, na Espanha e em Portugal. Em 2022, teve dois livros premiados no Concurso Internacional da União Brasileira de Escritores-RJ, recebendo o Prêmio João do Rio (para “Livro de Crônicas”) e o Prêmio Luiz Otávio (para “Livro de Trovas”). Foi um dos cronistas escolhidos para compor o livro didático “Se Liga na Língua - 8º Ano” da Editora Moderna (2024). É sócio correspondente no Japão da Associação de Escritores de Bragança Paulista (Ases).
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