Essa semana alguém me disse: Professora, mas logo você, que ganha uma miséria, não vai votar no...?
Ao que respondi: Justamente por ser professora é que não vou votar no referido candidato.
Vocês conseguem enxergar a arrogância dessa fala? Nunca fui de divulgar por aí meu salário, nunca, nunca mesmo atrasei qualquer pagamento, aliás, tenho uma certa ansiedade com relação a pagamentos, e sempre os faço bem antes da data de vencimento. Deve ser coisa de pobre...
Se eu gostaria de ter um salário melhor? Óbvio que sim, mas não me venderia, e aos valores nos quais acredito, por tão pouco. E inclusive, duvido muito que haja qualquer preocupação do referido candidato com relação a melhorias na educação.
Mas sabem, no fundo, aquela senhora estava certa, eu, professora, só posso ser mesmo miserável, porque a mim, ah, a mim me faltam tantas coisas, ou melhor seria dizer, me falta tanto. Não me refiro a coisas, não, que essas se pode comprar.
E se o adjetivo soou-me como ofensa? Jamais! Hoje, diante do cenário horrendo em que vejo mergulhada a gente desse país que amo, ser chamada de miserável é mais um elogio.
Afinal, andamos todos nós miseráveis é daquilo que o dinheiro não pode comprar. Andamos precisados de respeito, e de alguns valores tão sérios e graves, que minha alma de professora miserável se consterna de pesar.
Cegos pelo ódio, mal-intencionados, ou prefiro pensar, desiludidos, são muitos o que escolhem o caminho do mal, mas eu, professora miserável, não.
Eu sempre optarei pelo caminho da tolerância, da liberdade, da justiça, mesmo que ele se apresente mais árduo e pedregoso. Não se enganem, meus queridos, caminhos, aparentemente fáceis nos conduzirão à barbárie.
Por opção, eu escolho estar entre os miseráveis, entre os diferentes, entre os marginalizados. Afinal, eu professo aquilo em que acredito. E eu ainda acredito que, nesse país que amo, a intolerância ainda cederá lugar ao amor, e o ódio, à liberdade!
E enquanto isso não acontece, e o retrocesso bate às nossas portas, resta-nos a luta, a resistência e alguma miserável poesia!
Feliz Dia dos Professores!
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