Ao fazer esta edição, caros leitores, nos veio à lembrança uma música que traz a mensagem que dá título a este editorial. Há algumas passagens em nossas vidas em que testemunhamos pessoas fazendo muito barulho por nada.
Foi isso que ocorreu com o anúncio de mudança na diretoria do PROS (Partido Republicano da Ordem Social) em Bragança Paulista. Em matéria nesta página, vocês poderão acompanhar mais detalhes, mas, em resumo, o presidente estadual do partido veio à cidade, anunciou novos membros para a Comissão Provisória, porém, não comunicou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a medida. Com isso, todo o alarde feito foi em vão, pois, oficialmente, os supostos diretores destituídos ainda integram a diretoria.
Chamamos atenção sobre o assunto porque, na época, o partido tentou hostilizar os vereadores filiados à sigla em nome de uma suposta traição, já que eles não estariam trabalhando na campanha de deputados do PROS. Impôs-lhes, também, a determinação de votarem contra projetos que estavam tramitando na Câmara.
Os vereadores, por sua vez, registraram indignação com a imposição e com a alardeada mudança, que acabou não acontecendo, e apontaram que o presidente estadual teria dado o comando do partido em Bragança ao Grupo Chedid por dois mil votos, já que era candidato a deputado federal.
Se isso foi verdade, é provável que o presidente do PROS tenha sido traído pelo grupo ao qual se comprometeu a entregar o comando da sigla, pois aqui obteve pouco mais de 300 votos. Teria sido isso que retardou a comunicação do PROS sobre a alteração na Provisória ao TSE?
Toda essa discussão, neste domingo de eleições, nos leva a uma reflexão sobre o papel dos partidos em nossa democracia. Se por um lado eles são necessários e a Justiça entende que os mandatos são deles e não dos representantes eleitos, por outro, sabemos que a grande maioria dos eleitores não vota em partidos, mas sim, nos candidatos, estejam eles em quaisquer siglas, o que configura um paradoxo.
Sabemos também que a realidade brasileira é que muitos novos partidos são criados para servirem como válvulas de escape que proporcionem a seus filiados uma fuga das consequências da Lei da Infidelidade Partidária. Poucos membros estão filiados por ideologia política, se é que eles ainda existem.
Pois bem, assim, os novos governantes, tanto os que já estão eleitos como os que serão definidos neste domingo, deverão se preocupar verdadeiramente em promover uma reforma política no país, muito bem discutida e alicerçada nos anseios da população. E, falando nela, aliás, em nós, todos nós que moramos no Brasil e que queremos vê-lo melhorar temos de ter a consciência de que a mudança que cobramos dos eleitos muitas vezes têm de partir das nossas atitudes. Apontar o dedo para os erros alheios é fácil, mas será que o nosso dedo está limpo para isso?
Vale a pena refletir.
Que todos que optarem por votar neste domingo exerçam sua cidadania com consciência e que ao final do dia possamos ter coroado como eleito o candidato ou candidata que realmente mereça a confiança do povo brasileiro.
Uma boa semana a todos!
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