Bragança Paulista conta agora com uma importante conquista: uma nova faixa de pedestre!
Não é só uma faixa!
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É uma faixa de pedestre que fica numa região que conta com grande circulação de pessoas: o Lago do Taboão. Local aonde pessoas vão e vêm diariamente, seja em direção ao trabalho, aos estudos na prática de atividades esportivas e de lazer ou indo a um compromisso qualquer.
Os louros pela nova faixa instalada – uma via com grande movimentação de veículos e sem semáforo, em frente à Polícia Militar (mais precisamente na esquina da Rua Arthur Siqueira, sentido Autoviação Bragança) – se dá por ao menos dois pontos em destaque:
Primeiro que ela é fruto de uma solicitação feita por munícipe junto à Prefeitura, a quem deixamos os agradecimentos quanto ao atendimento do pedido feito. Ainda que o processo aberto pudesse – no horizonte – ser menos burocrático, podendo, por exemplo, contar com um canal de comunicação mais ágil e direto entre o poder público e o cidadão, ele demostra a importância e o papel ativo de quem mora e conhece a cidade, identificando quais são suas demandas e necessidades.
O poder público, por sua vez, composto pelo prefeito, seu secretariado e vereadores, estão ali justamente para cuidar, zelar e gerir as necessidades de uma cidade. Esse é o sentido do poder público municipal: cuidar da cidade.
E nós, cidadãs e cidadãos que vivemos e conhecemos a cidade, temos o papel, dentre outros, de auxiliar o poder público, apontando o que é necessário no cotidiano do município. Cobrar, por exemplo, que os serviços públicos funcionem e contem com profissionais qualificados, que as ruas estejam asfaltadas e bem-sinalizadas, etc. etc. etc...
Em segundo lugar, os louros da faixa de pedestre instalada dizem respeito à necessidade urgente que temos em tornar o trânsito um lugar melhor. A cada dia, ele está mais hostil, violento e criminoso, onde centenas de pessoas perdem a vida cotidianamente ou ficam com alguma sequela provisória ou permanente, inflando os gastos públicos em saúde e sobrecarregando o Sistema Único de Saúde (SUS) em atendimentos emergências cada vez mais constantes.
Realidade que se pode aprender olhando o anuário da Polícia Rodoviária Federal (PRF) referente aos dados compilados de 2024, quando mais de 6.160 pessoas morreram e 84.526 ficaram feridas em acidentes de trânsito no país. Isso considerando a realidade nas estradas, a qual não é muito diferente do que se vive nas cidades.
Em Bragança Paulista, por exemplo, todos os dias os jornais narram alguma história de acidente de trânsito – com ou sem vítimas fatais – ocorrida dentro da cidade ou nas estradas e vicinais que cortam e ligam ao município.
Não é só “bração” e “domingueiros” que vemos por aí, como popularmente se apelidaram as pessoas que dirigem mal ou são iniciantes. Em grande parte, os acidentes estão ligados ao desrespeito, má educação e, sobretudo, a falta de cumprimento das leis de trânsito, como o excesso de velocidade, ultrapassagem com o sinal fechado, ausência de sinalização na realização das manobras feitas, uso de celular ao volante, entre outros; o que se soma com vias mal sinalizadas, ruas esburacadas e ausência de fiscalização por parte dos órgãos responsáveis.
A presença da nova faixa de pedestre no Lago do Taboão é um passinho a mais na construção de um trânsito melhor, mais humano e mais seguro. Agora existe por lá um local adequado para as pessoas atravessarem a rua e seguirem seu caminho. No entanto, a faixa sozinha não vai resolver a violência cotidiana do trânsito. Quanto a isso, fica a cargo de cada pessoa respeitar as leis de trânsito; e cabe ao poder público construir, manter e monitorar um trânsito seguro, seja mantendo as vias em boas condições de circulação – inclusive com faixas, reconhecendo que o pedestre tem prioridade no trânsito e é o elo mais frágil –, fomentando campanhas educativas ou mesmo punindo os maus condutores e pessoas que atentam contra a vida, que não conscientes do respeito ao trânsito, serão responsabilizadas perante a lei e no seu bolso!

Gisele A. Bovolenta é assistente social e professora na Universidade Federal de São Paulo.
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